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7 de mai. de 2008

Yuppie Boy

“Os países são empresas grandes”

Esta minha afirmação tem sido o garante de muitas e boas discussões. Raramente tenho encontrado quem comungue dela. Ao contrário, são muitos os que dela discordam e fazem de tudo, até alianças tão improváveis como aqui a do Crosta com o Michael Knight, para refutar o contrário. Dá-me gozo, muito gozo. Acima de tudo, porque é realmente esta a minha visão e gosto de a defender.
Minimizo ideologias e valorizo cérebros. O caminho não está à direita ou à esquerda. Mas passa necessariamente pelas duas. O meu liberalismo permite-me até que o caminho seja por cima. Ou por baixo se tiver de ser. Sempre me regi pelos princípios desta sociedade católica em que vivemos mas facilmente os esqueço se todos os meus opositores, como é normal, já tiverem o feito. O liberalismo é mesmo isso. Uma adaptação constante que nos permite a progressão e o êxito.

Conto fazer um post politicamente correcto até ao final do ano… Até lá, escreverei o que me der na real gana.

Yuppie do salário mínimo.

Justiceiro de Fafe

O muro de Berlim atingiu-me em cheio na maioridade. E ninguém pode assistir impassível ao desmoronar de um sonho (ou de uma ilusão) numa idade em que tudo o que temos são sonhos. E gajas, claro, mas isso é outra história. As leituras dos anarquismos em livros mal impressos e de papel rasca, e as pequenas experiências de convivência em grupos que o professavam (alternadas com o mais vicioso burguesismo); as leituras e os ensinamentos familiares dos princípios da revolução francesa - liberdade, igualdade, fraternidade - com outros, comunistas, e os princípios dos direitos humanos alargados; e as consequências de uma educação religiosa de meia-dúzia de anos fizeram-se sentir nessa maioridade como sinais para me focar em coisas mais concretas: casa, emprego, trabalho, salário, festarolas, gajas... Contudo, os princípios ficam. São eles que nos moldam - além de outros "males" como os genes e a personalidade/educação, que ficam para os cientistas.

Dizem os espanhóis que "se veía venir" e a tomada de consciência que, se calhar, o mundo não ia mudar assim tanto com a queda do muro fez-se aos poucos, com as manifestações na ponte 25 de Abril, as barricadas de operários nas velhas zonas industriais - onde décadas antes homens-bons como me julgo liam os mesmos livros que li mais novo - (94), os bairros revoltados, os estudantes a pedir abertura do ensino (toda a década de 90), Seattle (99), a impunidade dos velhos senhores do portugalzinho, as guerras todas e finalmente a internet e o nascimento da minha, por assim dizer, descendência fizeram-me regressar aos princípios.

Como vivo de coisas concretas e não de ilusões -- por isso a única certeza que posso ter é a não existência de Deus e na glória suprema do Benfica, até ou sobretudo nas derrotas -- decidi pegar na moca para defender os princípios. Por isso estou aqui. Por isso e porque acho que vai ser uma borga claro.

Ah! não sou de Fafe, creio aliás que nunca lá fui.

Casca de Carvalho

Muitos fazem do homem de direita - conservador - um monstro cinzento, uma ameaça à evolução. Não poderá haver nada mais de errado. O conservadorismo de direita é uma corrente política legítima que pensa, acima de tudo, na preservação do sentido de comunidade, na ponderação social e económica e na sua sustentabilidade.
Os povos são por natureza conservadores, como lembra e bem o Professor Eduardo Lourenço. Por isso tentamos lidar com os receios de todos de forma a unir. Uma comunidade unida é uma comunidade forte, solidária e empenhada.
Talvez daí justifique esta ideia - começo da minha participação neste blogue colectivo - com uma pequena passagem de uma obra importante para mim, do Dr. Jaime Nogueira Pinto - A Direita e as Direitas:
Entre o indivíduo ou o homem do democratismo individualista e o europeísmo centrípeto como versão regionalizada do mundialismo, a direita terá de continuar a afirmar o valor substantivo e funcional da nação. Não se trata de um radicalismo de eurofobia ou de uma estatolatria cega. Trata-se de uma leitura da realidade mundial após-guerra fria, onde as unidades políticas tendem para a fragmentação tribalizante e as variáveis económicas e financeiras para o globalismo individualista. Todos se relacionam e todos se conhecem, mas são poucas ou nenhumas as solidariedades. É uma «aldeia global» onde todos sabem de todos, mas ninguém quer saber de ninguém.

A partir de hoje, sempre que assim entender, tomarei uma posição nesta ou noutras linhas, porque o mundo não se quer preso.

Exílio
Quando a pátria que temos não a temos

Perdida por silêncio e por renúncia

Até a voz do mar se torna exílio

E a luz que nos rodeia é como grades


Sophia de Mello Breyner