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12 de jan. de 2009

Quando vêm lá casa?



A Lei do Tabaco já completou um ano e a Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo afirmou, esta segunda-feira, que é preciso fazer alterações. Luís Rebelo defende a proibição do fumo em todos os bares, discotecas e restaurantes.

Cada vez mais clara é a conclusão de que hoje em dia se postula um homem asséptico, esterilizado, lavadinho.
Latinos, portanto.

8 de jan. de 2009

Em momentos de crise



Amen

Pragmatic thinking



O que me lixa na crise é a necessidade - extremamente complexa e subjectiva - de determinar os bens de primeira necessidade de cada um, verdadeiramente essenciais para o mínimo de sobrevivência condigna.

Wishful thinking

Para os índios, a crise como a chuva:
  • Se pararmos de falar dela talvez ela passe.

Para os homens, a crise como as mulheres:

  • Se pararmos de falar talvez ela pare.

30 de dez. de 2008

24 de dez. de 2008

Who needs christmas when you got the blues?



Au Revoir Simone / "The lucky one"

Não menosprezando a excelente escolha dos sempiternos Clash - versão Strummer & the Mezcaleros - a cargo do Justiceiro fafense, deixo aqui também a minha "christmas carrol".
São três meninas de Brooklyn com três órgãos e, provavelmente, fazem chorar um homem adulto e crescido. Alegadamente, são a banda preferida de David Lynch, mas isso não interessa para nada. Tive a sorte de as ver ao vivo no Santiago Alquimista há uns meses atrás e o sentimento de partilha obriga-me a publicar isto aqui.
Santo natalinho ou pura e simplesmente bom convívio.
Haja ternura pessoal.

22 de dez. de 2008

Uma questão de matéria prima

Para o bem e para o mal, Santana Lopes é feito de borracha.
Essa é que é essa.

E eis que (res)surge Santana

Helena Roseta já não é do PS, não quer saber do PS e - com possível prejuízo para os estes últimos - não é muito bem tratada pelo PS.
Aqui em Lisboa, onde resido e voto, sem coligações e sem surpresas, Helena Roseta garante, pelo menos, 10% da votação autárquica, incluindo votos de "não alinhados" e apreciadores da independência na função da vereação.
Do PS já lhe pisaram os calos, já lhe chamaram lírica, já menosprezaram a democracia participativa, sem receios e medições de consequências. Aqui continuam a colá-la a Alegre quando, apesar de tudo, ali os dois não se confundem. O partido da maioria absoluta, aquele dos tiques da autocracia, poderá bem estar a meter-se num buraco maior que as próprias eleições autárquicas, se continuar a chatear a Arquitecta. Senão vejamos:

(i)As eleições autárquicas precedem as eleições legislativas.

(ii) Cavaco, ainda que balizado pela crise económica, deverá (tentar) ripostar em Sócrates essa tal "afronta" dos Estatutos Político Administrativos. Levará ainda algum tempo, é certo. Mas será com a frieza que o caracteriza e bem mais próximo da hora da verdade (quatro a cinco meses antes das eleições legislativas).

(iii) Ainda que a escolha de Santana não seja umbilicalmente ligada a Manuela Ferreira Leite, uma vitória do anterior não deixará de criar a imagem de "ressurreição" daquele que, ultimamente, é caracterizado pelo partido aos bocados.

O flavour of the month na política autárquica lisbonense - com a projecção nacional que poderá granjear - é, pois, o seguinte:
Terá o PS já pisado o risco o suficiente para Helena não querer nada com Costa e borrifar-se para uma suposta "responsabilidade" pela eleição de Santana?
Tem a palavra Roseta.

20 de dez. de 2008

The man behind the courtain

Ao contrário do entendimento de alguns analistas, a confirmação pela maioria prevista constitucionalmente, ocorrida em plenário da Assembleia da República, não pode configurar uma afronta institucional de José Sócrates ao Presidente da República. Precisamente porque é prevista constitucionalmente.
Se o legislador constituinte pretendeu - e efectivamente pretendeu - instituir a possibilidade de superação o veto presidencial pelo parlamento, em nome do princípio democrático e representativo, o normal desenvolvimento desse processo não pode, naturalmente, configurar uma anormalidade. Na verdade, foi-se ao ponto de admitir a superação parlamentar de vetos presidenciais, não apenas políticos, como efectivamente vetos jurídicos, superando-se através da maioria prescrita o entendimento do Tribunal Constitucional. Cede pois o princípio da constitucionalidade face ao princípio democrático e representativo.

Em bom rigor, ainda que tenhamos um parlamento "carimbante" - com maioria absoluta e disciplina rígida de voto - não vejo onde poderá residir a afronta ao PR.
O instituto da confirmação parlamentar está previsto na Constituição e assenta no princípio representativo. Por outro lado, a composição parlamentar e a sua feição "carimbante" pelo partido do governo é, também ela, legitimidada por eleições competitivas e assenta, também ela, no princípio representativo.

Onde está, pois, a afronta institucional de José Sócrates a Cavaco Silva? Em permitir a verificação de maiorias com efeitos legítimos e constitucionalmente previstos? Não estranha que Sócrates venha agora, em plena antecipação, afirmar que as relações com o PR são "impecáveis"...
Como poderá responder Cavaco Silva, que para já nada disse? Ainda que se sinta afrontado, nunca o poderá expressar, sob pena de insurgimento político contra o normal desenvolvimento dos mecanismos constitucionais. Logo ele, que também teve dois parlamentos "carimbantes", um sistema de governo, na prática, de chanceler e um Presidente recalcitrante e rabugento, de quem tanto se queixava. Cavaco vê fechada a hipótese de, por este motivo, colocar um ponto final à designada cooperação estratégica, sem que lhe apontem anti-democraticidade, da qual já se escaldou o suficiente.

Depois de arrumar o partido e livrar-se dos oponentes, mais uma vez, no campo da estratégia política - e digo isto sem qualquer adesão à figura ou à ideologia - Xeque-mate para Sócrates. Pergunto-me: será ele que faz este jogo? Or is there a man behind the courtain?

16 de dez. de 2008

Esquerda alegre (2)

Uma união à esquerda, com o consequente "empurrão" do partido mais central do espectro esquerda para a direita é, curiosamente, uma das principais evoluções no tradicional "sistema de partidos" das democracias ocidentais que o politólogo Maurice Duverger considerou vir a acontecer no fim do séc. XX / início do séc. XXI. Chamou-lhe, do estrito ponto de vista da ciência política, o "esquerdismo".

Não falou Duverger, naturalmente, de qualquer "direitismo" - espectro político este cujos partidos demonstram um maior "potencial mútuo de intimidação" e um potencial de coligação mais frágil.

Portugal é, contudo, um mau laboratório para testar estas teorias. Vejamos:

No que à inexistência de centrismo-direitismo respeita, constata-se que, das duas ADs que contamos, ambas foram abaladas, respectivamente, por um acidente/atentado e por uma fuga indiscreta de informação confidencial - vulgo, conversa privada - por parte de um (menos) líder que precipitou a demissão do outro (mais) líder.

Da primeira AD não se retira, naturalmente, qualquer ilação, senão úma incógnita a variadíssimos níveis.
Da segunda AD resultará , talvez, a lição segundo a qual dois jogadores políticos palacianos - como os líderes em questão - iriam acabar por se tramar mutuamente, seja através de conversas privadas ou invenções de vichyssoises virtuais degustadas em jantares que não existiram.

Em segundo lugar, no que respeita à confirmação do "esquerdismo" - independentemente de admitirmos que o PS puxa à direita, restando saber se foi empurrado ou se para lá caminhou - resta a questão da "união". Qual união?

Dois tópicos:

- O PCP está, como hoje me diziam, mais carecido de assegurar a auto-preservação do que empenhado em ganhar novos caminhos. Que bonita, aliás, a semelhança entre comunistas e igreja católica.

- Manuel Alegre e Francisco Louçã são como o dia e a noite. Imagina-se que uma conversa entre ambos será de surdos.
Louçã não diz anti-fascistas (anti-faxistas), percebe de economia, não pesca nada de espingardas winchester e castas de vinhos e demonstra uma falta de ética do tamanho de uma casa em qualquer debate que participe. É pragmático, ou assim o pensa que é.

Alegre deve pescar - para além de caçar - não percebe de economia e carrega tanta ética em tudo o que diz ao ponto de ser extraordinariamente cansativo. Vive do outro lado do mundo do pragmático. É retórico.

União na diversidade, diria Duverger? Só se for unidade...na diversão.


5 de dez. de 2008

É que hoje encontrei o barbosa

Não poderia cogitar melhor maneira de iniciar a minha colaboração frugal neste blogue do que relatar a todos que hoje encontrei o barbosa nos correios de sete rios.
Para os demais 9.999.998 membros da população (excluindo eu e o barbosa, que não se podia encontrar a si próprio, excepto no campo espiritual), teria sido uma situação perfeitamente normal, talvez até inespecífica. Para mim não o foi.
Pedir recibo num posto dos CTTs é algo o barbosa não devia estar a fazer.
Do meu ponto de vista, o barbosa é imune ao Iva. Aliás, o barbosa é imune ao dia-a-dia, às sub-capitalizações, às greves, ao BPN e ao BPP, aos massacres na Índia e ao dia europeu sem carros. O barbosa é imune ao sistema político, às alianças à esquerda, aos orçamentos e às questões fracturantes da sociedade.
O barbosa é inclusivamente imune ao ténue e fraco cabelo, fruto da alopécia que o apoquentae ao facto de estar vestido completamente de preto, como se fosse de uma banda britânica dos anos 80 numa tournée revivalista da actualidade, para pagar as dívidas.
É-o porque ver o barbosa jogar à bola (actividade que levei a cabo com absoluta compenetração desde o ano de 1994 até à última expulsão no jogo contra o Nacional, em pleno 2005) está para além de todo o exposto.

Encostar à esquerda, derivar para o centro e rematar em arco para a direita não é a definição prototípica de José Manuel Durão Barroso. Longe disso. Trata-se de um golo à barbosa.
Um golo à barbosa: fenómeno raro, de ocorrência contraditoriamente espaçada no tempo e de uma beleza extrema. Testemunhar a letargia deste jogador da bola, à espera que efectivasse potencialidades e carimbasse um curriculum virtual, foi, provavelmente, o maior exercício de paciência que alguma vez levei a cabo.
Mas se este é um mundo de aparências, o barbosa era às claras.
Era um vagabundo errante, ele à espera de existir, eu à espera que ele existisse. E quando existia, explodia lentamente, fugindo aos rápidos numa velocidade inferior, demostrando cabalmente que se encontrava subtraído às ciências exactas, numa realidade paralela incerta.

Disse-lhe "Bom dia". Respondeu "Bom dia, tudo bem, ou não?"

"Ou não". Ainda a incerteza.