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6 de jan. de 2009

Da falta de coluna

"Preocupam-se mais com a reeleição do que com a governação prorpiamente."
Esta é uma expressão comum em discussões sobre política. Podia ser falsa ou sinónimo do bota-abaixismo de que o Primeiro fala mas não, é a mais pura das verdades. Um dos últimos casos gritantes, retirando os 31 567 do governo PS durante a passada semana, prende-se com a votação do orçamento de 2009 para Lisboa. Depois de classificar o referido orçamento como "tecnicamente errado”, “demagógico e eleitoralista” e que “agravará a situação económico-financeira da cidade”, o Presidente da Distrital de Lisboa pediu aos seus deputados para se absterem. Dizerem tanto mal quanto consigam mas no fim, no que verdadeiramente importa, abster-se, ficar calado, dar aval. O PSD está receoso de que um orçamento não aprovado abra portas à vitimização de António Costa e venha prejudicar Santana Lopes. Esta leitura até pode ser correcta mas a um deputado da Assembleia Municipal de Lisboa pede-se que defenda Lisboa e os Lisboetas, não um em particular. Se o documento é mau, devemos dizê-lo e agir em conformidade. Se o não fizermos, entramos no jogo, um jogo que nos devia envergonhar a todos sem excepção, - quer quem joga, quer quem, como eu, vê jogar.

22 de dez. de 2008

Uma questão de matéria prima

Para o bem e para o mal, Santana Lopes é feito de borracha.
Essa é que é essa.

E eis que (res)surge Santana

Helena Roseta já não é do PS, não quer saber do PS e - com possível prejuízo para os estes últimos - não é muito bem tratada pelo PS.
Aqui em Lisboa, onde resido e voto, sem coligações e sem surpresas, Helena Roseta garante, pelo menos, 10% da votação autárquica, incluindo votos de "não alinhados" e apreciadores da independência na função da vereação.
Do PS já lhe pisaram os calos, já lhe chamaram lírica, já menosprezaram a democracia participativa, sem receios e medições de consequências. Aqui continuam a colá-la a Alegre quando, apesar de tudo, ali os dois não se confundem. O partido da maioria absoluta, aquele dos tiques da autocracia, poderá bem estar a meter-se num buraco maior que as próprias eleições autárquicas, se continuar a chatear a Arquitecta. Senão vejamos:

(i)As eleições autárquicas precedem as eleições legislativas.

(ii) Cavaco, ainda que balizado pela crise económica, deverá (tentar) ripostar em Sócrates essa tal "afronta" dos Estatutos Político Administrativos. Levará ainda algum tempo, é certo. Mas será com a frieza que o caracteriza e bem mais próximo da hora da verdade (quatro a cinco meses antes das eleições legislativas).

(iii) Ainda que a escolha de Santana não seja umbilicalmente ligada a Manuela Ferreira Leite, uma vitória do anterior não deixará de criar a imagem de "ressurreição" daquele que, ultimamente, é caracterizado pelo partido aos bocados.

O flavour of the month na política autárquica lisbonense - com a projecção nacional que poderá granjear - é, pois, o seguinte:
Terá o PS já pisado o risco o suficiente para Helena não querer nada com Costa e borrifar-se para uma suposta "responsabilidade" pela eleição de Santana?
Tem a palavra Roseta.