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10 de fev. de 2009

Da especulação

Tenho escrito aqui várias vezes que o sistema financeiro não aprendeu nada com esta crise. Foram feitas algumas alterações mas apenas para fora, - aumento de spreads, diminuição do risco, etc. Lá dentro, na sua orgânica interna, nada mudou e a especulação continua a ser palavra. Hoje, a Euribor a 3 meses, colocou-se abaixo da barreira dos 2%, valor para a taxa de referência da zona Euro com o mercado a especular já na eventual baixa de taxa do BCE na próxima reunião de Março. Trichet está entre a espada e a parede. Se por um lado quer manter a taxa num valor que lhe confira poder de acção caso seja necessário e portanto mantê-la nos 2%, vê a inflação e o crescimento económico a baixarem, juntando-se-lhes agora a pressão do mercado para acompanhar a descida das Euribor. Caso Trichet mantenha a intransigência, algo que mais do que nunca parece impossivel de acontecer, mas nunca se sabe, chegará aos mercados uma nova onda de instabilidade e de alta generalizada de Euribor arrastando consigo quem ainda não se refez do desastre de Outubro.
Nos próximos dias é expectavel que a taxa a 6 meses quebre tambem a barreira. Depois é só aguardar uns dias e ver o BCE a baixar o juro, seguramente para valores abaixo de 1,5%. É o poder político e regulador a andar atrás do mercado, uma cena já vista e com os resultados que conhecemos.

6 de jan. de 2009

A inflação e a montanha-russa

A estimativa rápida do Eurostat colocou hoje a inflação nos 1,6%, valor abaixo do esperado pelos mercados e distante dos 2% pretendidos por Trichet. Para este valor, contribuiu e muito, a baixa nos produtos petrolíferos mas tal baixa não justifica tudo. A economia está a abrandar e isso começa-se a reflectir nos preços, - nem tudo são espinhos nas crises. A preocupação do BCE, que lembro aumentou as taxas de juro no ano passado para conter a inflação, é agora criá-la. Têm a arma e parecem não ter medo da usar: depois de três cortes entre Outubro e Dezembro do ano passado, Trichet pode voltar a mexer na taxa directora e baixá-la, criando os "incentivos" ao consumo e ao investimento. Mas em vez de fomentar a economia faz disparar ainda mais os alarmes, de particulares e empresas. Este voluntarismo excessivo abala mais do que sustenta. Cria desconfiança e faz tremer, até os mais incautos. Em vez de fazer gastar, faz poupar pois cria receios face à conjuntura, o que numa altura de expansão económica seria benéfico mas não agora, altura em que investimento e consumo são tão necessários quanto pão para a boca. Em momentos de expansão, num passado recente, verificou-se o contrário e o consumo e o investimento cresceram exponencialmente, alavancados no crédito e ficando sem qualquer almofada de suporte. Foi neste cenário que o BCE fez a sua última subida nas taxas, mais por reacção do que por acção, que é no fundo a grande conclusão deste post. Não há política preventiva e pensada antecipadamente. Ao invés, apagam-se fogos e espera-se que o ciclo inverta. A economia está sedenta de confiança, não de dinheiro. Parece-me mais importante um discurso firme com rumo do que medidas voluntaristas que mudam do dia para a noite.

27 de out. de 2008

A minha almofada é melhor que a tua...

A luta travada pelo BCE contra a inflação, por oposição à política da FED de estimulação da economia real chegou ao seu ponto de inflexão. Agora, com a recessão económica quase certa, já não existe a necessidade de controlar a inflação mas sim estimular a economia. Baixando a taxa referência, baixa-se o preço do dinheiro, dá-se um empurrão no investimento e espera-se estabilizar os mercados financeiros. O corte pode ser já para a semana e se o não fôr será certamente antes do fim de 2008. Veremos se a "almofada é suficiente e se a Europa consegue levantar antes de tocar o fundo...
Também a FED planeia baixar a sua taxa referência. E planeia baixar para perto de 0%. As almofadas são diferentes, mas dorme-se nos dois casos. Nós Europeus, de lado, os americanos de barriga para baixo. Se nos dermos mal, podemos passar a dormir de barriga. Já eles, terão de vender as almofadas...

16 de set. de 2008

O avôzinho

Jean Claude Trichet tem sido responsável pelos maiores apertões de cinto sofridos pelos Portugueses nos últimos tempos. A obstinação de controlar a inflação pela via da manutenção das taxas de juro elevadas teve como consequência directa o aumento da Euribor e consequentemente, o aumento das prestações do Crédito Habitação e a diminuição do investimento, não tendo trazido a diminuição esperada da inflação. Com isto, o cidadão comum, viu o seu orçamento esmagado e as oportunidades de negócio por um canudo, isto porque a política do BCE trouxe tambem um assumir de risco mínimo nas operações por parte da banca. Já quando se fala em alta finança, o avôzinho, que clama poupança e retrai o consumo, transforma-se e vai ao seu colchão tirar milhares de milhões (não é boca) para emprestar (ou dar). Ontem foram 30, hoje são 70. Amanhã, ninguém sabe. O que se sabe é que o BCE está a injectar dinheiro. Obviamente que o está a injectar em quem está mais descapitalizado, fruto do excessivo risco que correu, o Millennium é aqui um bom exemplo. Esperemos que o caso da Lehman não se repita na Europa e, pior, me calhe uma parte dessa factura.

7 de ago. de 2008

O aviso está dado

Trichet hoje na Conferência de imprensa do BCE:
[O controlo da inflação]"é a nossa missão prioritária"
Que é como quem diz, este mês fui bonzinho mas no próximo há nova subida das taxas.

4 de ago. de 2008

Contra factos...

Um mês após a última subida de juros do BCE é tempo de fazer o balanço de tal medida. Trichet propunha-se controlar a inflação e criar assim a base de suporte à recuperação da economia Europeia. Numa análise rápida, vemos logo que a subida dos juros não trouxe os efeitos esperados. A inflação subiu num mês 0,6% estando agora nos 3,4%. Esta subida torna-se ainda mais grave quando sabemos que o petróleo, apesar da subida dos últimos dias, baixou bastante a sua cotação. O preço dos combustíveis é mesmo a única boa notícia do mês com uma baixa superior a 5 cêntimos/litro. Mas o efeito Trichet não se viu só na inflação. As casas estão mais caras também. O aumento dos juros BCE e o consequente clima de instabilidade e desconfiança económica faz com que a Euribor a 3 meses esteja no valor mais alto dos últimos 8 anos. É preciso recuar até 2000 para encontrar valor igual.

Esta análise pode pecar por ser precoce e portanto, um mês não ser tempo suficiente para ver a progressão e o sucesso ou insucesso do aumento dos juros do BCE. Nós continuaremos atentos e cá estaremos para aplaudir ou criticar o Sr...