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20 de fev. de 2009
Para além da curiosidade dos números
Ficarão as 20 horas do dia 20 de Fevereiro para a história da banca em Portugal?
19 de fev. de 2009
Da falta de confiança (act)
As acções do BCP perdem hoje mais de 4% em bolsa. O mercado reagiu mal aos resultados e não acredita que a instituição consiga o encaixe de capital, por via da emissão de titulos, necessário. Os seus ratings têm sido sucessivamente revistos em baixa e o preço-alvo por acção está agora nos 58 cêntimos, 12 abaixo da sua cotação em bolsa o que previsivelmente resultará em novas descidas.Quanto mais se sobe, maior é o tombo e no caso particualr do BCP parece que o chão não será o limite...
18 de fev. de 2009
Alguem tem aí uns trocados?
Ficou ontem claro que o BCP precisa de injecção de capital. Já se sabia há muito que com os accionistas não pode contar. Ficou-se a saber ontem que capital do Estado tambem não é solução, - Santos Ferreira sublinhou o "nunca". Que solução? Os clientes. Afinal, eles têm sido os maiores amigos do banco que mesmo em período de crise e com sombras sobre o banco se manteram fieis. Agora, Santos Ferreira pede-lhes 1 200 000 000 de euros. Quanto a mim, estou tranquilo, - não sou cliente. E você?
17 de fev. de 2009
Nunca?
É esta a palavra que marca a apresentação das contas do BCP. Fica é a dúvida do porquê ou porquês? Haverá na instituição algo que não se possa ver? Temerá a instituição que o Estado se imiscua? As grandes certezas suscitam-me sempre dúvidas.
No resto, só certezas e resultados em linha com o esperado. Um lucro de 201 milhões, 362 milhões abaixo do resultado de 2007. Se a este decréscimo retirarmos os 200 milhões perdidos na participação no BPI, ainda ficamos com um buracode 162. No entanto, Santos Ferreira está de parabéns. O barco continua à tona... e a tarefa d o manter não se vislumbrava nada fácil.
Mais uma bolha para rebentar?
O Negócios noticia hoje que o BCP não necessitará de uma aumento de capital extra para cumprir os indices de solvabilidade exigidos. Avizinhava-se um bom dia mas aparentemente, o fraco desempenho das bolsas europeias fez soar os alarmes e o mercado bolsista apercebeu-se que na próxima quinta-feira serão anunciados os resultados do banco de Santos Ferreira. Há grandes dúvidas, até legais, quanto ao desempenho da instituição no ano de 2008 e ninguem acredita que esta consiga dispensar o tal aumento de capital. E aí começam, ou agudizam, as dores de cabeça de Santos Ferreira que tem um corpo accionista fortemente descapitalizado e que não poderá obviamente, acompanhar tal aumento. Fica assim a porta aberta, à entrada de novos accionistas mas a crecente sombra e suspeita afsta-os. Por tudo isto, as acções seguem a desvalorizar 6,85%, o que só faz aumentar a dor de cabeça, estensivel aos pequenos accionistas que se vêm no meio do turbilhão.
Esperemos então por quinta-feira e pelo anúncio dos lucros que seguramente serão afectados pela desvalorização do BPI, num valor a rondar os 200 milhões de euros. De lembrar que em 2007 o lucro apurado foi de 563,3 milhões estando o intervalo de valorees previsto para 2008 entre os 163 e os 276.
10 de fev. de 2009
Da especulação
Tenho escrito aqui várias vezes que o sistema financeiro não aprendeu nada com esta crise. Foram feitas algumas alterações mas apenas para fora, - aumento de spreads, diminuição do risco, etc. Lá dentro, na sua orgânica interna, nada mudou e a especulação continua a ser palavra. Hoje, a Euribor a 3 meses, colocou-se abaixo da barreira dos 2%, valor para a taxa de referência da zona Euro com o mercado a especular já na eventual baixa de taxa do BCE na próxima reunião de Março. Trichet está entre a espada e a parede. Se por um lado quer manter a taxa num valor que lhe confira poder de acção caso seja necessário e portanto mantê-la nos 2%, vê a inflação e o crescimento económico a baixarem, juntando-se-lhes agora a pressão do mercado para acompanhar a descida das Euribor. Caso Trichet mantenha a intransigência, algo que mais do que nunca parece impossivel de acontecer, mas nunca se sabe, chegará aos mercados uma nova onda de instabilidade e de alta generalizada de Euribor arrastando consigo quem ainda não se refez do desastre de Outubro.
Nos próximos dias é expectavel que a taxa a 6 meses quebre tambem a barreira. Depois é só aguardar uns dias e ver o BCE a baixar o juro, seguramente para valores abaixo de 1,5%. É o poder político e regulador a andar atrás do mercado, uma cena já vista e com os resultados que conhecemos.
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Yuppie Boy
4 de fev. de 2009
Da perseguição
Os ratings de BPI, BES e BCP estão sob vigilância negativa na Standard & Poors. Depois de Estado, empresas do Estado e grandes grupos empresariais privados surge agora a banca. É incontornavel a crise financeira e as dificuldades que ela acarreta para todos. Existe mais dificuldade hoje em fazer face à divida do que há meio ano atrás, o que leva as agências de rating a rever em baixa os indices dos visados. Até aqui dou de barato. Mas se para Potugal as coisas estão complicadas, não estão melhores na Irlanda, a Bélgica vê a banca a esvair-se e França, Alemanha e Inglaterra é melhor nem trazer ao barulho. Já os números, esses dizem o contrário, - Portugal, Espanha, Itália e Grécia veêm os seus indices baixar ao passo que todos os outros se mantêm. Interessa-me Portugal e, neste post, a banca particularmente, que é só a que melhor se portou em toda esta crise ficando imune às maiores fraudes - muito por falta de fundos para investir - e com incumprimentos despreziveis quando comparados com a Banca Europeia e Norte-Americana.
Mesmo assim, os indices foram para nós revistos em baixa o que cria ainda maiores dificuldades à banca Portuguesa, vendo-se obrigada a pagar mais (o dinheiro que compra fica mais caro) por menos (fica mais dificil o acesso a financiamento estrangeiro). Escusado será dizer que quem paga tudo isto é o contratante de empréstimo bancário que tem visto o spread a aumentar desde o inicio desta crise. Ou seja, o spread que os bancos agora praticam englobam a sua margem de lucro e ainda o diferencial entre a taxa referência do BCE (2%) e o real preço a que pagam o dinheiro.
3 de fev. de 2009
Até onde vai o buraco?
Em toda esta crise ficou sempre uma pergunta sem resposta. Até onde vai o buraco? Podemos acrescentar, será que tem fundo? A abordagem ao problema revelou isso exactamente com a sucessiva apresentação de meias-soluções. Primeiro a liquidez, depois o reforço de capital e agora o bad-bank. Para já, a crise ainda está longe ou pelo menos retida na alfândega mas chegará a Portugal e ainda não sabemos que efeitos trará. O BPI fruto da política rigorosa e avessa ao risco apresenta bons indices de solvabilidade. O BES fruto de um aumento de capital doido tambem. Resta o BCP, o Banco que Santos Ferreira não deixou cair mas que anda sobre fio de navalha. As suspeitas e os receios são mais que muitos e um aumento de capital parece inevitavel. A pergunta que fica por responder é a mesma de sempre. Tapará o buraco?
2 de fev. de 2009
bad bank
Ainda que o caso Freeport tenha distraídos as gentes, a crise continua a rondar e dos ecos de Davos chega a mensagem de que ela é mais grave do que se esperava. Não se falou muito de soluções - pois estas não existem ou estão difíceis de encontrar – mas ficou no ar a ideia de criação de um bad bank. Obama e a sua administração parecem seduzidos bem como a zona euro (em bloco ou individualmente é problema para depois). A ideia é comprar tudo o que a banca não quer, a um preço que o mercado se recusa pagar e assim livrar a banca de passivos gigantes. Depois de um aval alargado para fazerem face aos problemas de liquidez e do acesso a verbas monstras para reporem rácios de solvabilidade (almofadas que permitem amortecer as perdas) a banca quer agora que lhe compremos tudo aquilo que ninguém quer. Se esta ideia vingar, e parece que vingará, será uma afronta à cautela e à boa gestão. O que se propões é mais ou menos o mesmo que permitir a um jogador de casino recuperar o dinheiro que jogou no final e ainda ficar com os lucros que foi ganhando…
27 de jan. de 2009
A capacidade de só discutir o acessório
Quem já viu uma Ficha (Europeia) de Informação Normalizada para um Crédito Habitação (CH)sabe o quanto é dificil interpretá-la se não existirem conhecimentos previamente dquiridos na área financeira. A sua compreensão torna-se mais dificil quanto menor fôr o conhecimento (titulos académicos à parte) do ou dos contratantes. Essa franja da sociedade, mais susceptivel de ser levada pelo léxico do "especialista" que tem à frente e pelas impecáveis simulações em formato pdf não foi, nem o será com estas novas propostas, defendida. Tão somente porque a vergonha impede-os de perguntar e quando perguntam, o "especialista" consegue enrolar e dar a volta. Uma questão tão simples, mas vital, como são as simulações para euribor +1 e euribor +2, é normalmente resolvida com um marcador fluorescente que só destaca a simulação actual. Qualquer contratante de um CH só deve avançar se sentir confortável a pagar uma prestação com euribor+spread+2%. É que a euribor tambem sobe. Hoje está a descer mas amanhã pode subir. Se pensarmos que um CH é normalmente feito a 30 ou mais anos é fácil de prever as dificuldades que passará quem não levar em conta o potencial agravamento da prestação.
Mas algo mudou desde Agosto de 2008. São hoje os bancos, os primeiros a acautelar os clientes. Não por altruismo, palavra que nem figura nos seus dicionários, mas para evitar a todo o custo o mal-parado, razão primeira das dificuldades porque passaram,... e passam. Parece-me pois, que a desinformação se resolveu, não por intervenção de terceiros, mas por comunhão de interesses de ambas as partes. No entanto, tal não afasta nem dispensa uma observação atenta por parte do reguldor.
Há ainda um outro aspecto, no projecto de Aviso sobre Deveres de Informação no Crédito à Habitação que hoje é noticiado, que me cusa alguma confusão. A obrigação de comunicação com 30 dias de antecedência da alteração as condições de empréstimo, taxas de juro no essencial. Ou eu não percebi bem ou o que o projecto pede é impossivel de satisfazer tão somente porque a revisão de euribora aplicar no empréstimo é feita com base nos valores obtidos no mês anterior à revisão. Na melhor das hipóteses, esse valor é sabido na manhã do último dia útil. Ora, só os bancos que cobram nos primeiros dias do mês conseguem cumprir tal prazo e mesmo assim, terão de ser lestos no processamento de euribor e envio para os clientes. Bancos como o Millennium que cobram normalmente por volta do dia 22 não terão hipótese de o fazer. E não se espantem que esta nova obrigação, a juntar ao extrato mensal enviado venha a ser cobrada...
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Yuppie Boy
26 de jan. de 2009
Do rigor
Talvez seja importante chegar ao fim da notícia para se perceber o rigor com que o banco de Fernando Ulrich é gerido. Até lá chegarmos, percebemos que Rendeiro apostou muito em bolsa, era esse o core business do banco, e que perdeu tambem muito do que apostou, - as apostas são mesmo assim. É natural que empresas alavancadas na bolsa sintam sérias dificuldades quando esta atravessa períodos de fortes perdas, como foi e está a ser o caso mas já é menos natural que não tenham reservas alocadas em produtos de menor risco para fazer face a esses tempos de dificuldade, - a ganância explica uma parte. O que não é nada natural, ilegal até, é a engenharia financeira e maquilhagem das contas. Este é o ponto fulcral de toda a história BPP e onde Rendeiro pode ficar mal, pior será mais adequado, na fotografia. Uma empresa falida é grave e deve ser ajudada. Ao contrário, uma empresa falida com burla e ilegalidades dev ser fechada e os responsaveis responsabilizados.
No canto oposto, temos o BPI, um banco que tem em Ulrich e Santos Silva, dois responsáveis que pautaram a sua acção bancária pela discrição e pelo rigor. Não foi surpresa saber que o BPI não vai recorrer, pelo menos nos tempos mais próximos, à garantia do Estado e que os seus rácios de encontram acima dos impostos por lei e bastante acima dos congéneres. Tambem não surpreende que o BPI esteja a executar a divida da Privado Holding forçando a venda dasações da Brisa. É a luta contra o compadrio e o espelho do rigor.
25 de jan. de 2009
O pau de três bicos
A cada vez que Trichet baixa a taxa, facilita a vida a milhares de pessoas, ao mesmo tempo que retira incentivos à poupança noutros milhares. É uma balança onde a subida ou descida dos dois pratos é impossível. O benefício de um é necessariamente, o prejuízo de outro. O lucro da banca, no essencial, está no diferencial entre o preço de venda do dinheiro – empréstimos – e o preço de compra – depósitos e aplicações. Com a taxa directora fixada nos 2% diminuiu substancialmente os prémios de depósito desincentivando a poupança. Num cenário de ameaça de deflação este até poderia ser um estímulo ao consumo mas a crescente descrença numa recuperação rápida da economia vem anular esse efeito. Se lhe juntarmos também a crescente desconfiança na banca e sistema financeiro em geral, é fácil de perceber, que a intercepção de todos os parâmetros resulta num conjunto que poupa à parte do sistema bancário e financeiro ou na melhor das hipóteses em aplicações de muito curto prazo. Para além de limitar a acção das políticas monetárias abre espaço à franja menos ética da sociedade, leia-se “banqueiros de sarjeta”. Juros baixos nos depósitos e milhares de Portugueses com a corda na garganta são sangue para os tubarões que começam a dar à costa. O perfil destes novos predadores é algo diferente do do usurário típico. Os juros praticados são substancialmente mais baixos mas as garantias dadas para o empréstimo são altíssimas (cobrem-no, duplicam-no e mesmo triplicam-no) e as ameaças para que todos os pagamentos sejam cumpridos são levadas muito a sério (para não dizer mais). Isto enoja-me…
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Yuppie Boy
20 de jan. de 2009
FIIAH no terreno
A Caixa Geral de Depósitos lançou hoje o seu Fundo de Arrendamento, que se insere na proposta inscrita no Orçamento de Estado como "Fundos de Investimento Imobiliário para Arrendamento Habitacional".
No comunicado é escrito que agora se segue o "trabalho com clientes para ver se é possivel e se é a mehor solução" o que antevê um estudo atento e personalizado de cada processo. Acrescentando que esta não será a melhor solução para todos os casos a CGD pretende difundir os 30 milhões iniciais do fundo por todo o território nacional. À partida o fundo parece curto pelo que, caso esteja interessado, deve acelerar a recolha de documentação e a apresentação da sua candidatura junto do banco.
Mais tarde, se o tempo me permitir, tentarei debruçar-me com mais atenção, ao Fundo agora criado.
Fica o link de um estudo (superficial) que fiz aqui no Sociedade que pode dar logo a indicação da vantagem ou desvantagem do Fundo no seu caso particular. Outras questões no Negócios.
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13 de jan. de 2009
Classificados
Oliveira e Costa foi autorizado pelo juiz a não falar. Ele próprio não quereria falar e se calhar alguns dos deputados que estavam na comissão de inquérito percebiam a agradeciam o silêncio e as suas razões. O banqueiro que poderá estar por detrás de uma das mais desastrosas gestões do erário dos seus accionistas, clientes e contribuintes pode ficar calado para não prejudicar a investigação do poder judicial (ou é o que presumo do que escreveu o juiz) mas, ao mesmo tempo, prejudicar a investigação do parlamento, do poder político e legislativo. O responsável directo ou distante, conforme as opiniões, pela injecção - num banco - de milhões de euros do contribuinte teve autorização para ficar calado. Estou aqui a conter-me o mais que posso para que a dignidade desta sociedade não seja posta em causa, acredito que todas as palavras feias que eu possa dizer estão na cabeça de todos os contribuintes que lêem estas linhas. Apenas fica uma pergunta, que caralho sabe o senhor Oliveira e Costa que não possa dizer aos deputados da Nação numa reunião que, recordo, foi à porta fechada? Um segredo de Estado? Iria revelar o nome de espiões? Iria indicar os locais onde os terroristas podem atacar? Iria... Os segredos de Estado são pior guardados que os segredos de uma pessoa que, apontam os indícios conhecidos, cometeu crimes? Eu não preciso de vociferar contra isto, acredito que estejam a pensar precisamente nos palavrões que me vieram à cabeça.
Links: I e II
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12 de jan. de 2009
Dos cheques carecas e afins...
Na semana passada, julgo eu, andava por aí uma Associação a clamar aos quatro ventos que a banca cobrava ilegalmente comissões pelos descobertos. Esqueceram-se de dizer que a banca cobra juros, e só juros, a quem tem conta-ordenado e consequentemente descoberto autorizado e cobra multas/comissões a quem não os tem. Independentemente do preço cobrado, que difere de banco para banco, é importante dizer que quem incorre em falta primeiramente, é o cliente que tenciona pagar o que não pode. Como o próprio nome indica, as multas só são pagas caso exista infracção pelo que todos podem evitar bastando para isso contrair despesas inferiores aos rendimentos auferidos, leia-se ter provisão na conta no momento da compensação. É evidente que os bancos não adiantam o dinheiro por altruismo nem são o papá que salva o filho em apuros mas é preferivel pagar uma multa ao banco do que figurar na lista do Banco de Portugal.
Já na altura tinha achado a queixa descabida mas a falta de tempo não me deixou comentar. O passar dos dias fez-me esquecer mas a noticia de hoje do Jornal de Noticias, que apanhei no Negócios, reavivou-me a memória. Poupo-lhe o trabalho de a ler e faço o resumo: 2 mil cheques carecas chegam à banca todos os dias. Não sou advogado do diabo mas acreditem que dá trabalho e despesa processar estas recusas de compensação. E que dizer do coitado que deposita o cheque, fica sem o dinheiro e ainda paga as despesas de devolução? Esse teria mil vezes mais razões para protestar e não o faz. Porquê? Porque respeita o trabalho dos outros... algo que a falta de vergonha e sentido de responsabilidade de quem não honra os seus compromissos impede.
3 de jan. de 2009
Têxtil a arder
É curioso que quando é evidente que bancos praticaram actos de legalidade duvidosa para ganhar dinheiro, logo se mobiliza o Estado para os ajudar, para evitar a crise do sistema e mais não sei quê. Mas quando esses mesmos bancos estrangulam outros sectores de actividade - actividade produtiva - sem terem a menor preocupação com as crises de sistema ou de sector - mesmo que seja um sector que está em fase de modernização -, não se pensa que o mal é dos bancos, nem se mobiliza o Estado para o ajudar: logo se pensa que o mal é do sector.
Qual será a dedução lógica da situação para os empresários desse sector? Praticar actos de legalidade duvidosa e tentar entrar para o capital de bancos.
Qual será a dedução lógica da situação para os empresários desse sector? Praticar actos de legalidade duvidosa e tentar entrar para o capital de bancos.
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25 de dez. de 2008
Natal dos pobres
A CGD, o colosso da banca Portuguesa que não se sabe se detém ou é detida pelo Estado, "conseguiu" há dias um aval de mil milhões de euros. O Banif ficou-se pelos 50, sabe-se agora. Salom para uns, Castiço para outros...
17 de dez. de 2008
Erros do passado...
Antes de mais, é bom lembrar que as garantias do Estado surgiram para colmatar problemas de liquidez. Só depois, e já com o caos instalado, se reformolou o discurso - muito para calar a esquerda que gosta de palavras e se confunde com números - e se passou a dar como objectivo o fomento da economia. Isto é um facto e só por si justifica o comportamento da banca, agora denunciado pelas PME's e criticado pelo governo mas não é parte da equação mais importante.
O que governo, para maquilhar fragilidades da economia, e PME's, para salvar o pescoço, querem é igual, - dinheiro a entrar na tesouraria das empresas e assim mantê-las abertas. A banca está receptiva ao apelo e com vontade de emprestar, desde logo porque esse é o core business de muitas instituições de crédito mas tem receios. É óbvio, que vai aproveitar para se consolidar e curar feridas do passado mas a principal razão para a recusa de empréstimos é o alto risco que eles comportam. Das duas ou três lições que a banca aprendeu com toda esta crise de mercados foi a de que o risco deve ser mais controlado. Foram os empréstimos de alto risco que catapultaram e estiveram na génese da crise, e a memória ainda está bem viva pelo que é natural que a banca aperte o crivo e dificulte o acesso, negando-o até, a quem não se mostrar capaz de honrar o compromisso na contracção do empréstimo. Se os empréstimos forem atribuidos sem critério, que é o que governo e empresas exigem, corre-se o risco de afundar novamente o sistema financeiro e com isso não conseguir salvar a economia. Morre-se mais tarde mas morre-se na mesma e com dores maiores. É vital portanto, que a banca empreste, tão rápido quanto possivel, tanto quanto possivel e a tantos quanto possivel, mas com critério.
2 de dez. de 2008
A panelinha
Teixeira dos Santos disse que o BPP não apresentava risco sistémico. BCP, CGD e BPI manifestaram não estar interessados na aquisição. Agora aparecem todos juntos para resolver o problema. Não soa um bocadinho a panelinha??? O Ministro, já nos habituou a dizer o dito pelo não dito e a fazer o que na véspera dizia impensavel. Ao contrário, a banca tem-nos habituado a posições firmes e caminhos bem trilhados. É portanto de estranhar este volte-face. Algo lhes prendeu a atenção ou algum obstáculo lhes saiu da frente... pois... deve ser isso. Na distribuição, ou sorteio, o BPP calhou ao BCP, - a CGD já tem o seu brinquedo e BES, com indices de solvabilidade piores que o BPP, e BPI vão ter de esperar. A espera poderá no entanto, não ser muito longa, Finibanco e BANIF encontram-se com a placa de "Vende-se" à porta...
27 de nov. de 2008
Os abutres
Numa reacção rápida, poderia dizer que o que se propõe hoje para o BPP é a prova do que escrevia há uns dias sobre João Rendeiro, o rosto do banco. Continuo a acreditar nesta tese mas esta proposta pode ser ainda mais perversa e esconder o que de pior há na banca. Já se tinha notado que não havia interesse em salvar o banco e que para sustentar essa posição, Teixeira dos Santos e Vitor Constâncio enumeraram um sem número de razões, que tanto corroboravam a decisão como apontavam o sentido inverso. Mas ficou um assunto pendente, - a divida à banca internacional. Apesar de o risco sistémico da falência ser diminuto, o "calote" no estrangeiro daria má imagem da banca nacional e dificultaria, ainda mais, o acesso a crédito interbancário. É neste contexto que os abutres, que no passado rejeitaram absorver o BPP, aparecem agora. Não para salvar a instituição mas para se livrarem de possiveis incómodos. "Uma cajadada, dois coelhos", - enterra-se Rendeiro e resolve-se a dor de barriga lá fora.
Aceitará o BPP esta proposta? A sua posição fragilizada, a AG para aumento de capital parece mesmo a única saída, tudo leva a crer que sim mas o que a proposta oferece não traz nada de bom. Bem vistas as coisas o que propõe ao BPP é o afastamento da administração, que seria substituida por gente do BdP responsavel por salvar, leia-se vender, os activos e com poderes para fechar a instituição. Ao mesmo tempo, querem que accionistas e clientes continuem a assumir as suas responsabilidades, ainda que já afastados numa espécie de "vou a jogo mas com o teu dinheiro"...
Como contribuinte sinto-me agradado e contente por ter um governo que me protege, ainda que num passado recente o não tenha feito. Já como cidadão, envergonha-me que o crime seja recompensado e que mais uma vez o Português prove que o mal dos outros é a sua maior alegria.
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