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26 de jan. de 2009

Do rigor

Talvez seja importante chegar ao fim da notícia para se perceber o rigor com que o banco de Fernando Ulrich é gerido. Até lá chegarmos, percebemos que Rendeiro apostou muito em bolsa, era esse o core business do banco, e que perdeu tambem muito do que apostou, - as apostas são mesmo assim. É natural que empresas alavancadas na bolsa sintam sérias dificuldades quando esta atravessa períodos de fortes perdas, como foi e está a ser o caso mas já é menos natural que não tenham reservas alocadas em produtos de menor risco para fazer face a esses tempos de dificuldade, - a ganância explica uma parte. O que não é nada natural, ilegal até, é a engenharia financeira e maquilhagem das contas. Este é o ponto fulcral de toda a história BPP e onde Rendeiro pode ficar mal, pior será mais adequado, na fotografia. Uma empresa falida é grave e deve ser ajudada. Ao contrário, uma empresa falida com burla e ilegalidades dev ser fechada e os responsaveis responsabilizados.
No canto oposto, temos o BPI, um banco que tem em Ulrich e Santos Silva, dois responsáveis que pautaram a sua acção bancária pela discrição e pelo rigor. Não foi surpresa saber que o BPI não vai recorrer, pelo menos nos tempos mais próximos, à garantia do Estado e que os seus rácios de encontram acima dos impostos por lei e bastante acima dos congéneres. Tambem não surpreende que o BPI esteja a executar a divida da Privado Holding forçando a venda dasações da Brisa. É a luta contra o compadrio e o espelho do rigor.

2 de dez. de 2008

A panelinha

Teixeira dos Santos disse que o BPP não apresentava risco sistémico. BCP, CGD e BPI manifestaram não estar interessados na aquisição. Agora aparecem todos juntos para resolver o problema. Não soa um bocadinho a panelinha??? O Ministro, já nos habituou a dizer o dito pelo não dito e a fazer o que na véspera dizia impensavel. Ao contrário, a banca tem-nos habituado a posições firmes e caminhos bem trilhados. É portanto de estranhar este volte-face. Algo lhes prendeu a atenção ou algum obstáculo lhes saiu da frente... pois... deve ser isso. Na distribuição, ou sorteio, o BPP calhou ao BCP, - a CGD já tem o seu brinquedo e BES, com indices de solvabilidade piores que o BPP, e BPI vão ter de esperar. A espera poderá no entanto, não ser muito longa, Finibanco e BANIF encontram-se com a placa de "Vende-se" à porta...

29 de nov. de 2008

O sacrificio de um para o bem de todos

Tal como já havia aqui escrito, se Rendeiro abandonasse, como abandonou, a solução aparecia, como apareceu. Mas o abandono de Rendeiro levanta outras questões bem como traz outras conclusões. Os accionistas estão solidários com o ex-Presidente, acreditam no BPP, mas não têm capital para investir (o quadro accionista tem vários fogos para apagar) ou não o querem ver cativo na instituição. O Know-how de Rendeiro seria certamente uma mais-valia na recuperação da instituição. O seu afastamento, a que acedeu a bem da instituição, pode ser sinónimo de suspeitas... veremos.

27 de nov. de 2008

Ou talvez não...

Teixeira dos Santos, 6 de Outubro de 2008

Os abutres

Numa reacção rápida, poderia dizer que o que se propõe hoje para o BPP é a prova do que escrevia há uns dias sobre João Rendeiro, o rosto do banco. Continuo a acreditar nesta tese mas esta proposta pode ser ainda mais perversa e esconder o que de pior há na banca. Já se tinha notado que não havia interesse em salvar o banco e que para sustentar essa posição, Teixeira dos Santos e Vitor Constâncio enumeraram um sem número de razões, que tanto corroboravam a decisão como apontavam o sentido inverso. Mas ficou um assunto pendente, - a divida à banca internacional. Apesar de o risco sistémico da falência ser diminuto, o "calote" no estrangeiro daria má imagem da banca nacional e dificultaria, ainda mais, o acesso a crédito interbancário. É neste contexto que os abutres, que no passado rejeitaram absorver o BPP, aparecem agora. Não para salvar a instituição mas para se livrarem de possiveis incómodos. "Uma cajadada, dois coelhos", - enterra-se Rendeiro e resolve-se a dor de barriga lá fora.
Aceitará o BPP esta proposta? A sua posição fragilizada, a AG para aumento de capital parece mesmo a única saída, tudo leva a crer que sim mas o que a proposta oferece não traz nada de bom. Bem vistas as coisas o que propõe ao BPP é o afastamento da administração, que seria substituida por gente do BdP responsavel por salvar, leia-se vender, os activos e com poderes para fechar a instituição. Ao mesmo tempo, querem que accionistas e clientes continuem a assumir as suas responsabilidades, ainda que já afastados numa espécie de "vou a jogo mas com o teu dinheiro"...
Como contribuinte sinto-me agradado e contente por ter um governo que me protege, ainda que num passado recente o não tenha feito. Já como cidadão, envergonha-me que o crime seja recompensado e que mais uma vez o Português prove que o mal dos outros é a sua maior alegria.

26 de nov. de 2008

O homem e o banco

João Rendeiro é o empresário de quem se fala. Para o bem e para o mal, fundamentalmente para o mal, o BPP está intimamente ligado à sua imagem e os dois são indissociáveis. Num período em que o banco atravessa uma grave crise de liquidez, o homem por trás dele não se esconde em copas nem espera que lhe venham resolver o problema, como aconteceu no caso BPN. Rendeiro é um dos empresários da nova geração. Hoje é fácil criticar a sua gestão e as suas opções mas não podemos esquecer a progressão que teve e os lucros que distribuiu. Confrontado com a crise e a possibilidade de colapso (ainda continuo a achar que há manifesto exagero nas previsões) o seu pragmatismo e a assertividade na acção. Parece hoje óbvio que governo e BdP não vão dar a mão ao BPP. Os "grandes" da banca tambem não se mostraram interessados na aquisição ou troca de capitais. Resta ao BPP, o BPP. Depois das declarações de Saviotti e da convocação do Conselho Consultivo e Assembleia Geral parece claro que à empenhamento na resolução, nem que seja pela via do aumento de capital. A colecção Ellipse, menina dos olhos de Rendeiro é outra opção, ainda que o seu valor obtido com a sua venda não consiga fazer face às necessidades. A possibilidade em cima da mesa da venda da colecção é, só por si, a prova do pragmatismo e da determinação na resolução do problema bem como do corte radical com a mentalidade Portuguesa, - “matava o paizinho se vendesse”, ou “está na família há anos”, ou “prefiro morrer”, ou ainda “mais vale pequeno e meu do que grande e partilhado”. O importante é mesmo salvar o "ganha-pão", - separar e largar o acessório para centrar a atenção no essencial, algo muito dificil de encontrar no "empresário/gestor" Português.

Disclaimer: A minha admiração por João Rendeiro pode em certos momentos deturpar a visão e percepção. Tentei e tentarei sempre que tal não aconteça.

25 de nov. de 2008

Filhos e enteados

A grande diferença que separa o BPN do BPP é o camião TIR de ilegalidades que se praticavam no primeiro. De resto, os casos são muito parecidos, se não, vejamos.
Teixeira dos Santos diz que não há risco sistémico, e eu concordo, se o BPP falir. Já no caso do BPN, o Ministro julgou ao contrário, o que é no mínimo discutivel. E isto, pelas dimensões dos bancos em causa. Um representa 0,2% o outro, é um gigante e representa 2. Contas feitas, um tem direito a 45 milhões, o outro a 450 milhões mas há más linguas que falam em mil imagine-se. Tambem os depósitos separam as instituições, - se no BPP eles chegam por transferência, no BPN chegam tambem por depósito ao balcão. De qualquer uma das formas, é dinheiro do cliente, o tal individuo a quem Teixeira dos Santos prometeu garantias do dinheiro depositado, ou estou enganado?
As duas razões mais apontadas pelas auroridades para deixar cair o banco, têm toda a razão de ser mas o precedente BPN vem estragar as contas. Como não creio que o governo contrarie Vitor Constâncio, só posso concluir que afinal, o crime compensa e que o BPP vai ter de encontrar o seu caminho sozinho, - que ao que parece é mesmo a soluçaõ.

24 de nov. de 2008

Vamos lá queimar 45 milhões...

Independentemente da necessidade, da existência ou não de risco sistémico, da quota de mercado, do papel do BPP no mercado de financiamento, e outros factores que pesaram na decisão de Vitor Constâncio, há algo de absolutamente incrivel nesta decisão. Se o Banco precisa de, no mínimo, 500 milhões de euros para continuar em funcionamento, oferecer-lhe aval a menos de 10% desse valor só por brincadeira. Nem aquece nem arrefece e nas contas do contribuinte pesam. Não sei se Constâncio tem a noção do que anda a fazer ou se o facto de o tirarem do seu "laboratório" lhe tem afectado a oxigenação cerebral mas que algo vai mal, vai. Permitir que as portas estejam abertas mais dois meses para depois fecharem não é ajudar, é queimar dinheiro.

21 de nov. de 2008

BPP - the day after

Haverá a falência de um Banco em Portugal? Será o BPP? Eu responderia não às duas. Mas com calma e com algumas ressalvas. O estado de alguns bancos Portugueses é débil, - todos de pequena dimensão mas suficientes para lançar o pânico. O Finibanco parece ter encontrado a tábua no páis vizinho e Horácio Roque jura a pés juntos que a sua instituição está agora no bom caminho (frutos da agressiva campanha de renovação de imagem). Falta o BPP de João Rendeiro, que tem alguns pontos a seu favor que poderão levar o supervisor ou mesmo o Governo a estenderem a mão:
. Desde logo a manutenção do estado de aparente acalmia que se podia transformar completamente com o colapso de um banco. Governo e BdP farão os possiveis e os impossiveis para que tal não aconteça.;
. A alavancagem do BPP era baseada na participação dos seus clientes pelo que a sua falência iria lesar "depositantes", algo que Teixeira dos Santos disse que não aconteceria;
. O seu lucro baseava-se em práticas de alto risco que levaram a uma descapitalização forte da qual, por falta de regulação e fiscalização o BdP é co-responsavel. O estado de fragilidade de Constâncio poderá ser favorável ao anuir do Governo e BdP para que não surja mais uma bomba;
. O modelo de negócio do banco é bastante rentável e o banco pode ser sólido bastando para isso, que se aumentem liquidez e margens de segurança que permitam ultrapassar crises como a que vivemos.

19 de nov. de 2008

BPP é o novo BPN?

O BPP é a primeira instituição a pedir o uso do aval do Estado para a obtenção de um empréstimo de 750 milhões de euros junto do Citi. Dizia-se ontem, com "grandes certezas", que o BPP ia fechar e que finalmente viam Rendeiro cair. Notava-se contentamento em veicular a mensagem, a inveja no seu melhor. João Rendeiro é efectivamente um homem marcante, - afável, culto e bastante assertivo nos ataques que desfere (o caso BCP é só um exemplo). É por isso natural que alguns, que não reunem nenhuma destas três qualidades, se contentem com a desgraça alheia, - típico.
Embora sem grandes certezas, parece-me que os foguetes foram lançados muito cedo. O BPP é banco de gestão de fortunas e por isso tem mais dificuldade em recolher "depósitos" dos seus clientes. Num cenário de crise como este, ou pelo menos o de há uns dias, era de esperar que o banco visse a liquidez em baixa diminuindo a sua capacidade de acção. Existindo um aval do Estado, que permite "prémios" mais baixos nos empréstimos, tambem é fácil de perceber que só não recorre a ele quem não pode ou quem é estúpido. Mais, o BPP ao obter financiamento nos parceiros evita a alienação de património que num cenário de crise generalizada e de "venda rápida" seria bastante lesivo para o BPP. É verdade que pode já não haver património/activos para alienar como no BPN e este empréstimo ser só um balão de oxigénio. Pode, mas não creio...