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26 de fev. de 2009

Não matem o anjo da guarda

A CGD comprou a Manuel Fino 9,58% da Cimpor por 305,9 milhões de euros, um preço 60 milhões acima do de mercado. No contrato a CGD acede ainda a uma futura recompra por parte de Manuel Fino o que a impede de movimentar as acções durante 3 anos. Se uns dizem que o negócio é ruinoso, já a Caixa diz hoje que é um negócio segundo as "práticas bancárias normais". A verdade estará, como sempre, no meio destas duas posições extremadas. Convenhamos que de normal a operação não tem nada. Imagine uma habitação sua comprada e à crédito a qual pegou fogo. O seguro vai se colocar de lado e o banco vai-lhe pedir uma renegociação pois os escombros não servem de garantia. Consegue imaginar um cenário em que o banco lhe fica com o que resta da habitação e paga os escombros com um prémio de 25%? Eu não... Por outro lado, a execução das garantias ou o "deixar andar" implicariam perdas significativas nas contas do Banco público algo que este tenta evitar a todo o custo. A apresentação de resultados é já daqui a um bocado e não se augura nada de bom. Este é só mais um caso em que a CGD se vê obrigada a tomar más decisões por força da cobertura de erros de terceiros, leia-se governo.

25 de fev. de 2009

Ministro das Trapalhadas Públicas

Em ano de eleições tudo é susceptivel de causar mossa. José Sócrates e equipa querem evitar a todo o custo crispações com os parceiros sociais. O último caso a vir à tona é a negociação salrial entre TAP e operadores de cabine, uma das classes mais bem pagas do país e paga a peso de ouro quando comparada com a concorrência. O ministério de Mário Lino, não o de Vieira da Silva como seria de esperar, encarrega-se agora directamente das negociações com o sindicato relegando a administração da TAP, quem na realidade vai suportar os custos, para segundo plano. Já é mal suficiente ter Mário Lino na frente de qualquer negociação mas a situação torna-se catastrófica quando com isso se fragiliza toda uma administração - que pode ser substituida a qualquer instante - e se abre um precedente grave oferecendo a vantagem negocial de bandeja a troco de votos.

19 de fev. de 2009

Muita parra, pouca uva

O QREN está parado. Sabe-se que quando voltar terá novas regras e não chegará para todos. Mesmo assim, o governo obriga altos quadros a uma roda viva de apresentações que por força das alterações a introduzir têm a mesma utilidade de um bicicleta sem pedais.

18 de fev. de 2009

Pois... (act)

Só por pura ingenuidade se pode acreditar que o pedido de opinião sobre os professores que não entrgaram os objectivos foi feita por "lapso" (link). A haver lapso é lapso de vergonha e de postura de um governo, à imagem do seu primeiro ministro, que se socorre de todas as artimanhas e truques sujos para manter a opinião públia controlada, numa altura em que ela começa a ferver. Este comportamento é vergonhoso e tem de ter um fim. Se tivessemos um Presidente da República...

9 de fev. de 2009

Um PSD à imagem do país

As considerações que Marcelo Rebelo de Sousa teceu ontem sobre Manuela Ferreira Leite há muito que vêm sido escritas aqui na blogosfera. A Senhora não cativa e não consegue chegar ao eleitorado, repelindo-o até. Mesmo com o caso Freeport a manchar a imagem de José Sócrates e o governo PS, os Sociais Democratas não se conseguem aproximar (existe uma sondagem que aponta o contrário) e Manuela Ferreira Leite consegue mesmo perder popularidade. Parecem portanto chegados ao fim os tempos de liderança da dama de ferro onde já só se depositavam esperanças numa boa governação, que agora sabemos inatingivel, uma vez que já provou por todas as peripécias, gaffes e momentos falhados que não sabe fazer oposição. Sem Presidente, sem governo e sem oposição é fácil entender a estado em que nos encontramos.

22 de jan. de 2009

Estarão de saída?

Ventura Leite, deputado Socialista, a exercer o seu primeiro mandato na Assembleia - que pode coincidir com o último - teceu duras criticas à actuação de Mário Lino e Manuel Pinho, - noticia o Público. Inexperiente e negligente são os melhores adjetivos que encontramos na descrição da condução do processo de aquisição dos aviões Airbus. As criticas vêm agora de dentro o que debilita ainda mais a imagem dos dois ministros. E é aqui que a teoria da conspiração pode entrar.
Sócrates sabe que TGV e novo aeroporto são projectos muito discutiveis. Sabe também que Manuel Pinho e Mário Lino são chacota nacional variadas vezes. E sabe, melhor que ninguem, que as eleções legislativas se irão realizar numa conjuntura que não lhe é favorável. Se com este relatório Sócrates conseguir enterrar estes dois ministros, oferecendo-lhes por exemplo, um cargo na administração da Caixa ou na PT, consegue atrasar as obras faraónicas e deitar por terra uma das bandeiras do PSD. Consegue ainda um upgrade de imagem enorme num deputado eleito num circulo onde o PS só conseguiu eleger 8 dos 17 deputados.
Outra opção é crucificar Ventura Leite pelas verdades que disse, e não o colocar nas listas para as próximas legislativas. Perde-se um deputado que parece querer mesmo o bem da nação mas poupa-se uma reforma choruda...

21 de jan. de 2009

É a crise é...

“Seguramente que neste contexto o Governo não vai cumprir o seu objectivo de a economia portuguesa gerar 150 mil postos de trabalho. Seria algo de absolutamente espantoso que nos colocaria de certo como um exemplo único na economia mundial”
As frases são de Vieira da Silva e foram proferidas numa entrevista concedida hoje à TSF. Nela, deixa transparecer a ideia de que foi a crise que impediu este governo de atingir a meta (utópica logo à partida) e não a ineficácia das suas políticas. É bom lembrar que em inicios de Setembro, ainda antes do estoirar da crise, e a anos luz desta ser assumida pelo executivo, o emprego criado situava-se nos 100 mil postos. Ou seja, a um ano do fim da legislatura faltava um criar um terço do objectivo. Está bom de ver que se não fosse a crise (de costas largas) lá chegaríamos...

Do grande anúncio aos 30 milhõezitos

Os FIIAH foram uma das medidas mais badaladas do OE 2009. Sócrates e Teixeira do Santos disseram estar a apresentar a salvação para inúmeras familias e vaticinaram enormes sucessos para a medida. Foram longos meses a preparar a sua implementação que aconteceu ontem pelas mãos da CGD. Por muitas virtudes que estes fundos possam ter, e têm algumas, é importante dizer que é um produto de fim de linha, - implica a alienação da casa, obriga ao cumprimeto escrupoloso do contrato de arrendamento e pára a amortização de capital em divida e ainda existem dúvidas quanto ao preço a pagar na recompra caso seja essa a vontade do arrendatário. Do outro lado da balança, está a diminuição da despesa quer por força da inexistência de seguros e condominios quer pela amortização de capital (o que nem sempr pode ser compensatório - ver post) e o conforto de um contrato de "valor fixo". Para se tomar uma decisão objectiva e vantajosa, as contas são mais que muitas e os parâmetros imensos. A escassez de fundos da proposta da CGD poderá ser aqui positiva, na medida em que todos os processos serão analisados meticulosamente, tal como deixou antever o comunicado de ontem.
Mas deste anúncio ressalta uma conclusão óbvia. Estes fundos, na generalidade, não são vantajosos nem para a banca nem para o cliente e apenas podem ser aplicados numa pequena minoria, passe a expressão. E isto conclui-se pela ausência de fundos privados o que prova que não é aliciante entrar no negócio. Prova ambem que não é aliciante para o cliente pois se o fosse, seria consequentemente aliciante para a banca privada. Conclusão, mais uma vez tem de vir a Caixa limpar a borrada do Engenheiro e companhia...

14 de jan. de 2009

Ministro das Relações Públicas

Todos sabemos e todos nos revoltamos com este tipo de comportamento mas a verdade é que ele ainda se vai traduzindo em votos e manutenção de poder pelas piores vias. Pedro Santos Guerreiro é um habitué neste tipo de denúncias. 2 minutos bastam...

13 de jan. de 2009

A confirmação

A coisa já tinha sido badalada quando a CGD viu negado o empréstimo de 1,5 mil milhões de euros. A ideia de que o Estado Português estava hiper-endividado e incapaz de garantir o que quer fosse. Hoje, surge a confirmação, ou a ameaça da confirmação como diria Sócrates, pela Standard & Poor's. As agências de rating andam na mó de baixo no que toca a credibilidade mas neste caso, parece-me que acertaram na mouche. Anda um tipo a poupar e a pagar as continhas para depois um megalónamo que se acha salvador meter o nosso nome na lama. Resta a consolação de estarmos na mesma trajectória de Espanha, ainda que ela esteja largos degraus acima.

3 de jan. de 2009

Têxtil a arder

É curioso que quando é evidente que bancos praticaram actos de legalidade duvidosa para ganhar dinheiro, logo se mobiliza o Estado para os ajudar, para evitar a crise do sistema e mais não sei quê. Mas quando esses mesmos bancos estrangulam outros sectores de actividade - actividade produtiva - sem terem a menor preocupação com as crises de sistema ou de sector - mesmo que seja um sector que está em fase de modernização -, não se pensa que o mal é dos bancos, nem se mobiliza o Estado para o ajudar: logo se pensa que o mal é do sector.

Qual será a dedução lógica da situação para os empresários desse sector? Praticar actos de legalidade duvidosa e tentar entrar para o capital de bancos.

30 de dez. de 2008

5 milhões é pouco

O tecto dos 5 milhões é curto. Bem vistas as coisas não dá para nada. 20 talvez, mas seguro seguro só mesmo 50 milhões. As obras deverão tambem ser todas propostas à Mota-Engil, com financiamento da Caixa, e só no caso destes dois players recusarem se porá a hipótese de entrega a outros. Parece-me tambem lógico que se acrescente 50% ao preço orçamentado para derrapagens e luvas. Ficamos logo prevenidos e "mais euros mais economia", pelo menos na óptica do Engenheiro. Estamos num lindo caminho estamos...

27 de dez. de 2008

Só por ingenuidade podemos acreditar no acaso

A Parpública, empresa que detém as participações do Estado, e a Caixa Geral de Depósitos comunicaram no passado dia 23, parece que por volta das 21 horas, a constituição de uma holding que passa a controlar a Caixa Leasing e Factoring bem como uma participação nas Águas de Portugal. Ontem, a Parpública anunciou uma nova holding, que agrega EDP, REN e Quimiparque, entre outras. Não deixa de ser estranho que a super-máquina de comunicação deste governo tenha escolhido estes dias... ou terá sido propositado? Aguentará a CGD todos os disparates do engenheiro?

22 de dez. de 2008

Do sentimento de impunidade

Não é de hoje a divisão entre lorpas e espertinhos. Um Estado profundamente burocrático, mesmo com o simplex, e desorganizado cria uma malha tão larga que só não foge quem não sabe, ou pior, quem não quer. Para cada Português que paga e honra os seus compromissos, há 20 que o não fazem... impunemente. Leis e taxas são como o Sol... quando nascem são para todos...

15 de dez. de 2008

Está em atraso e ainda se acha o maior

Quem compra um be ou serviço deve pagar por ele. Quem presta ou vende esse mesmo serviço deve ser pago. Tão simples quanto isto. Justificar atrasos de meses com expressões como a de Conde Rodrigues, onde diz que “os advogados não são funcionários do Estado, pelo que não se pode falar em salários em atraso”, é no minimo fugir à questão de fundo que é tão somente a enorme dívida que o Estado, - a advogados e a outros.
Mas há mais frases brilhantres. Conde Rodrigues devia saber que “Os advogados são profissionais liberais que se candidatam a fazer defesas oficiosas para apoiar as pessoas mais desfavorecidas” apenas e só porque não conseguem angariar clientes ou manter um escritório e este rótulo de altruismo só mesmo por pancadinha nas costas à boa maneira - não te pago mas és o maior.

7 de dez. de 2008

Do discurso e da metodologia

Para combater a crise que se instalou, as palavras de ordem parecem ser gastar, gastar e gastar. Colocar liquidez, inundar o mercado de moeda e esperar que ele reaja. Controlo de défice e inflação são palavras que caíram em desuso e o importante é agora estimular o consumo, quer público quer privado. O governo apresentou, e aprovou, um orçamento fortemente expansionista. Agora apresenta o plano para o sector automóvel, que mais não é do que a “compra” da manutenção de empregos até 2010, - certamente não será este o único sector a precisar de intervenção. Rigor, eficiência ou produtividade também já não são vitais na indústria. A prioridade é a maquilhagem, ainda que temporária, das deficiências do nosso sector produtivo à espera que, miraculosamente, a bonança regresse, - longe vão os tempos do choque tecnológico. Quando tal acontecer, Portugal estará igual a si próprio, obsoleto, desprevenido e fortemente endividado. Vivemos sempre no limiar e o suficiente parece sempre ser bastante. A inércia e a procura de soluções de não rotura colocam-nos numa faixa cinzenta que não reforma, esmorece ambições e paulatinamente, como gostamos, vai-nos afastando dos congéneres.
Os exageros cometidos hoje, serão pagos só amanhã. Sócrates tem razões para sorrir, nós… bem… nós… só mesmo para chorar.
Queria escrever um post a questionar o alto endividamento dos irmãos Martins e do "colosso" Martifer mas... o que saiu foi o que leram. Peço desculpa.

2 de dez. de 2008

A panelinha

Teixeira dos Santos disse que o BPP não apresentava risco sistémico. BCP, CGD e BPI manifestaram não estar interessados na aquisição. Agora aparecem todos juntos para resolver o problema. Não soa um bocadinho a panelinha??? O Ministro, já nos habituou a dizer o dito pelo não dito e a fazer o que na véspera dizia impensavel. Ao contrário, a banca tem-nos habituado a posições firmes e caminhos bem trilhados. É portanto de estranhar este volte-face. Algo lhes prendeu a atenção ou algum obstáculo lhes saiu da frente... pois... deve ser isso. Na distribuição, ou sorteio, o BPP calhou ao BCP, - a CGD já tem o seu brinquedo e BES, com indices de solvabilidade piores que o BPP, e BPI vão ter de esperar. A espera poderá no entanto, não ser muito longa, Finibanco e BANIF encontram-se com a placa de "Vende-se" à porta...

28 de nov. de 2008

Quem pagará? E como pagará?

No dia 21 deste mês, fiz questão de colocar aqui no Sociedade, o link de uma notícia onde Sócrates afirmava que não existiam razões para alterar as previsões de crescimento para 2009. Nos comentários surgiu uma justificação, cujo ponto de vista é absolutamente correcto, para o caso baseada na imprevisibilidade da conjuntura que não permitia corrigir os valores com rigor. Na mesma caixa de comentários tambem, afirmei depois que o problema está a montante, na primeira e até agora única previsão apresentada. Porquê? O orçamento é um documento de extrema importância onde se reflectem todas as linhas de acção de um executivo e o quanto cada uma dessas linhas se pode "esticar". Prever receitas por execesso, como se verificará neste orçamento se a economia não crescer os esperados 0,6% (o diferencial entre a previsão do Governo e a da OCDE custaria 480 milhões), resulta em uma de duas hipóteses: - divida pública a aumentar para fazer face às despesas; - não cumprimento do orçamento metendo medidas na gaveta; - eventualmente poderão ocorrer as duas hipóteses cumulativamente.
Se a segunda hipótese é má pois obriga a contracções no investimento e consequentes abandonos de projectos a primeira não é melhor. No curto ou no médio prazo, o diferencial vai ser pago por um orçamento posterior, - pelo lado da despesa, com cortes no investimento, ou pelo lado da receita, com aumento de impostos. De uma ou de outra forma saíremos sempre prejudicados e com a necessidade de remediar. Lembram-se do ditado?

25 de nov. de 2008

Filhos e enteados

A grande diferença que separa o BPN do BPP é o camião TIR de ilegalidades que se praticavam no primeiro. De resto, os casos são muito parecidos, se não, vejamos.
Teixeira dos Santos diz que não há risco sistémico, e eu concordo, se o BPP falir. Já no caso do BPN, o Ministro julgou ao contrário, o que é no mínimo discutivel. E isto, pelas dimensões dos bancos em causa. Um representa 0,2% o outro, é um gigante e representa 2. Contas feitas, um tem direito a 45 milhões, o outro a 450 milhões mas há más linguas que falam em mil imagine-se. Tambem os depósitos separam as instituições, - se no BPP eles chegam por transferência, no BPN chegam tambem por depósito ao balcão. De qualquer uma das formas, é dinheiro do cliente, o tal individuo a quem Teixeira dos Santos prometeu garantias do dinheiro depositado, ou estou enganado?
As duas razões mais apontadas pelas auroridades para deixar cair o banco, têm toda a razão de ser mas o precedente BPN vem estragar as contas. Como não creio que o governo contrarie Vitor Constâncio, só posso concluir que afinal, o crime compensa e que o BPP vai ter de encontrar o seu caminho sozinho, - que ao que parece é mesmo a soluçaõ.

21 de nov. de 2008

BPP - the day after

Haverá a falência de um Banco em Portugal? Será o BPP? Eu responderia não às duas. Mas com calma e com algumas ressalvas. O estado de alguns bancos Portugueses é débil, - todos de pequena dimensão mas suficientes para lançar o pânico. O Finibanco parece ter encontrado a tábua no páis vizinho e Horácio Roque jura a pés juntos que a sua instituição está agora no bom caminho (frutos da agressiva campanha de renovação de imagem). Falta o BPP de João Rendeiro, que tem alguns pontos a seu favor que poderão levar o supervisor ou mesmo o Governo a estenderem a mão:
. Desde logo a manutenção do estado de aparente acalmia que se podia transformar completamente com o colapso de um banco. Governo e BdP farão os possiveis e os impossiveis para que tal não aconteça.;
. A alavancagem do BPP era baseada na participação dos seus clientes pelo que a sua falência iria lesar "depositantes", algo que Teixeira dos Santos disse que não aconteceria;
. O seu lucro baseava-se em práticas de alto risco que levaram a uma descapitalização forte da qual, por falta de regulação e fiscalização o BdP é co-responsavel. O estado de fragilidade de Constâncio poderá ser favorável ao anuir do Governo e BdP para que não surja mais uma bomba;
. O modelo de negócio do banco é bastante rentável e o banco pode ser sólido bastando para isso, que se aumentem liquidez e margens de segurança que permitam ultrapassar crises como a que vivemos.