Mostrando postagens com marcador Crise. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crise. Mostrar todas as postagens

12 de fev. de 2009

Do populismo

A viabilidade, e sobretudo a competitividade, de muitas empresas passa obrigatoriamente pela supressão de postos de trabalho. A organização deve ter apenas os empregados necessários e nem um a mais. Enquanto trabalhadores e políticos não perceberem isto não saíremos da cauda da Europa, onde nos encontramos, nem teremos indices de produtividade dignos. Portas, ao defender que uma empresa ajudada deve ser uma empresa obrigada a manter empregos roça o mais estúpido populismo, contribuindo para este ideia tacanha de manter artifialmente postos de trabalho que no médio/longo prazo transforma incentivos estatais em dinheiro deitado ao lixo. Manter emprego à conta de subsidios é um virus para qualquer empresa e deve ser evitado a todo o custo. Ao contrário, tornar as empresas competitivas gera riqueza e desenvolvimento criando condições para o surgimento de mais empresas e conseuqentemente mais emprego.

Este raciocinio não dá, obviamente, cobertura ao patrão que não está interessado na empresa e aproveita toda esta situação para despedir.

10 de fev. de 2009

Da especulação

Tenho escrito aqui várias vezes que o sistema financeiro não aprendeu nada com esta crise. Foram feitas algumas alterações mas apenas para fora, - aumento de spreads, diminuição do risco, etc. Lá dentro, na sua orgânica interna, nada mudou e a especulação continua a ser palavra. Hoje, a Euribor a 3 meses, colocou-se abaixo da barreira dos 2%, valor para a taxa de referência da zona Euro com o mercado a especular já na eventual baixa de taxa do BCE na próxima reunião de Março. Trichet está entre a espada e a parede. Se por um lado quer manter a taxa num valor que lhe confira poder de acção caso seja necessário e portanto mantê-la nos 2%, vê a inflação e o crescimento económico a baixarem, juntando-se-lhes agora a pressão do mercado para acompanhar a descida das Euribor. Caso Trichet mantenha a intransigência, algo que mais do que nunca parece impossivel de acontecer, mas nunca se sabe, chegará aos mercados uma nova onda de instabilidade e de alta generalizada de Euribor arrastando consigo quem ainda não se refez do desastre de Outubro.
Nos próximos dias é expectavel que a taxa a 6 meses quebre tambem a barreira. Depois é só aguardar uns dias e ver o BCE a baixar o juro, seguramente para valores abaixo de 1,5%. É o poder político e regulador a andar atrás do mercado, uma cena já vista e com os resultados que conhecemos.

4 de fev. de 2009

Da perseguição

Os ratings de BPI, BES e BCP estão sob vigilância negativa na Standard & Poors. Depois de Estado, empresas do Estado e grandes grupos empresariais privados surge agora a banca. É incontornavel a crise financeira e as dificuldades que ela acarreta para todos. Existe mais dificuldade hoje em fazer face à divida do que há meio ano atrás, o que leva as agências de rating a rever em baixa os indices dos visados. Até aqui dou de barato. Mas se para Potugal as coisas estão complicadas, não estão melhores na Irlanda, a Bélgica vê a banca a esvair-se e França, Alemanha e Inglaterra é melhor nem trazer ao barulho. Já os números, esses dizem o contrário, - Portugal, Espanha, Itália e Grécia veêm os seus indices baixar ao passo que todos os outros se mantêm. Interessa-me Portugal e, neste post, a banca particularmente, que é só a que melhor se portou em toda esta crise ficando imune às maiores fraudes - muito por falta de fundos para investir - e com incumprimentos despreziveis quando comparados com a Banca Europeia e Norte-Americana.
Mesmo assim, os indices foram para nós revistos em baixa o que cria ainda maiores dificuldades à banca Portuguesa, vendo-se obrigada a pagar mais (o dinheiro que compra fica mais caro) por menos (fica mais dificil o acesso a financiamento estrangeiro). Escusado será dizer que quem paga tudo isto é o contratante de empréstimo bancário que tem visto o spread a aumentar desde o inicio desta crise. Ou seja, o spread que os bancos agora praticam englobam a sua margem de lucro e ainda o diferencial entre a taxa referência do BCE (2%) e o real preço a que pagam o dinheiro.

30 de jan. de 2009

Porque hoje é sexta

é importante fazer o balanço da semana que se pode resumir nestes 4 pontos essenciais:

1. 345 567 manchetes com Sócrates/Freeport;
2. 345 567 conferências de imprensa, comunicados e afins sobre Sócrates/Freeport;
3. 345 567 novos desempregados anunciados;
4. 345 567 oportunidades perdidas na resolução da crise por estarmos com a atenção focada onde não devemos.

O que vale é que é sexta e o fim de semana está mesmo à porta.

28 de jan. de 2009

A dura realidade

Talvez publicado no Finantial Times e em Inglês, tenha mais credibilidade:

“Behind this is the broader issue of loss of competitiveness on Europe’s southern fringe. Unable to devalue their currency, weaker economies can only restore competitiveness by cutting jobs and real wages”

via sedes

23 de jan. de 2009

É tempo de parar de discutir números

Um jantar com amigos seguido de um copo com amigos e uma interminavel, e boa, conversa com amigos, fez com que o acordar fosse algo problemático. Ao pequeno almoço, substituí a meia-de-leite por um café, comi uma barra de cereais e rematei com um sumo de laranja. Estava quase recuperado, leia-se meio-morto porque afinal de conts hoje é sexta-feira, quando ponho os olhos neste artigo, onde Vitor Constâncio continua a debitar pérolas e a desdenhar de quem não concorda com os seus números. Números, discussão de números, números, concordância com números, números, discordância dos números. É tudo quanto temos feito, como é óbvio, eu incluído. Seja 0,8 como aponta o Governo, seja o 1,6 defendido pela Comissão Europeia, seja um qualquer número que Constâncio atira entre os dois primeiros números o dado essencial é a certeza de que Portugal, a Europa e o Mundo entraram em recessão e não se vislumbra que dela saiam tão cedo. É hoje dificil saber o número do tombo e quantificar perdas mas sabemos que elas são uma realidade. Vamos então discutir saídas e rumos e esquecer a quantificação - em números - da nossa desgraça. Um país que contrai 0,8, 1,6, ou qualquer outro número abaixo de zero é igualmente um país com a economia em colapso. Interessa quantificá-lo? Talvez, mas não hoje...

13 de jan. de 2009

A confirmação

A coisa já tinha sido badalada quando a CGD viu negado o empréstimo de 1,5 mil milhões de euros. A ideia de que o Estado Português estava hiper-endividado e incapaz de garantir o que quer fosse. Hoje, surge a confirmação, ou a ameaça da confirmação como diria Sócrates, pela Standard & Poor's. As agências de rating andam na mó de baixo no que toca a credibilidade mas neste caso, parece-me que acertaram na mouche. Anda um tipo a poupar e a pagar as continhas para depois um megalónamo que se acha salvador meter o nosso nome na lama. Resta a consolação de estarmos na mesma trajectória de Espanha, ainda que ela esteja largos degraus acima.

As Euribor estão em saldos

A 7 de Agosto de 2008 Trichet, em conferência de imprensa, proferia a seguinte frase:

[O controlo da inflação] "é a nossa missão prioritária"
Na próxima quinta é bem provavel que a repita. O controlo da inflação continua a ser a missão prioritária do BCE. A grande diferença, é que na altura, Trichet queria fazê-la baixar pois rondava o 3,5%. Hoje, passados quatro meses a inflação deu um tombo de 2% e a preocupação é fazê-la subir evitando o monstro da deflação. É numa conjuntura de criação de consumo que o BCE irá anunciar - todos os analistas dão como certo - nova baixa da taxa de juro fixando-a nos 2%. Excelentes noticias estas para quem tem Crédito Habitação ou outros créditos indexados à Euribor pois, com mais esta quebra na taxa directora, é previsivel que as EUribor continuem o seu caminho descendente aliviando ainda mais a carteira dos contraentes dos empréstimos. Tenho criticado esta reação (é assim que se escreve com o novo acordo?) do BCE à crise que julgo mais desmotivadora do que motivadora do consumo. Para mais, incentivará o consumo de quem mais endividado está o que me parece de uma irresponsabilidade medonha mas depois fico a pensar e vejo que no passado recente, foram os irresponsáveis que receberam os prémios e viram as suas "apostas" saldadas. Talvez esteja na altura de comprar o loft com vista para o mar...

As Euribor continuam hoje a sua trajectória descendente começando já a incorporar a previsivel baixa da taxa directora.

7 de jan. de 2009

As infelizes excepções

Diz-se agora que mesmo com a crise, os Portugueses vão aumentar o seu rendimento disponivel, ideia que Sócrates veicula com forças redobradas e Constâncio vem agora enfatizar. Porque baixam as prestações, porque baixa o petróleo e porque há aumentos nos salários. Mas será para todos? Não, obviamente.
Nem todos os Portugueses têm crédito habitação e dos que têm, nem todos têm os créditos indexados à Euribor. Os restantes créditos, auto, pessoal, etc, tambem não estão, por norma, indexados pelo que aqui a poupança será igual a zero.
No que toca ao petróleo, e ainda que num futuro recente seja preisivel a manutenção de preços baixos, nada garante que uma recuperação, ainda que ténue, na economia mais para o final do ano não traga aumentos fortes da matéria-prima. Tambem quem não usa viatura própria está fora desta benesse seja porque anda a pé, seja porque anda de transportes públicos que não baixaram de preço (pelo menos que eu saiba).
Por último, e falando de salários, só os funcionários públicos e quem recebe o salário minimo verá o seu poder de compra aumentar. Os primeiros são aumentados 2,9% este ano e os segundos, 5,6%, mas há mais Portugueses e esses, dificilmente serõ aumentados. Se o não forem, a inflação que se estima de 1% obriga-os a perder poder de compra. Para quem não trabalha para o Estado, há ainda a possibilidade de perder o emprego - a sua fonte de rendimento - ficando dependente do subsidio de desemprego se a ele tiver direito.
É mais dura a vida fora dos grandes gabinetes...

6 de jan. de 2009

A ganância atropelada por um comboio

Fortuna: 9 200 000 000,00€
Jogada: apostar na queda das acções da Wolkswagen
Resultado: perda de milhões de euros

Desfecho: atropelado por um comboio, leia-se suicídio
link

A inflação e a montanha-russa

A estimativa rápida do Eurostat colocou hoje a inflação nos 1,6%, valor abaixo do esperado pelos mercados e distante dos 2% pretendidos por Trichet. Para este valor, contribuiu e muito, a baixa nos produtos petrolíferos mas tal baixa não justifica tudo. A economia está a abrandar e isso começa-se a reflectir nos preços, - nem tudo são espinhos nas crises. A preocupação do BCE, que lembro aumentou as taxas de juro no ano passado para conter a inflação, é agora criá-la. Têm a arma e parecem não ter medo da usar: depois de três cortes entre Outubro e Dezembro do ano passado, Trichet pode voltar a mexer na taxa directora e baixá-la, criando os "incentivos" ao consumo e ao investimento. Mas em vez de fomentar a economia faz disparar ainda mais os alarmes, de particulares e empresas. Este voluntarismo excessivo abala mais do que sustenta. Cria desconfiança e faz tremer, até os mais incautos. Em vez de fazer gastar, faz poupar pois cria receios face à conjuntura, o que numa altura de expansão económica seria benéfico mas não agora, altura em que investimento e consumo são tão necessários quanto pão para a boca. Em momentos de expansão, num passado recente, verificou-se o contrário e o consumo e o investimento cresceram exponencialmente, alavancados no crédito e ficando sem qualquer almofada de suporte. Foi neste cenário que o BCE fez a sua última subida nas taxas, mais por reacção do que por acção, que é no fundo a grande conclusão deste post. Não há política preventiva e pensada antecipadamente. Ao invés, apagam-se fogos e espera-se que o ciclo inverta. A economia está sedenta de confiança, não de dinheiro. Parece-me mais importante um discurso firme com rumo do que medidas voluntaristas que mudam do dia para a noite.

Passados nem 3 meses...

... tudo muda.
Agora, Portugal já não vai crescer 0,6% e pode mesmo entrar em recessão. O nosso Primeiro já reconhece que Portugal não está tão bem quanto ele e os restantes meninos o pintavam. Aleluia, depois de diagnosticado o problema, ainda que com meses de atraso, está na altura de procurar - as verdadeiras - soluções.

30 de dez. de 2008

5 milhões é pouco

O tecto dos 5 milhões é curto. Bem vistas as coisas não dá para nada. 20 talvez, mas seguro seguro só mesmo 50 milhões. As obras deverão tambem ser todas propostas à Mota-Engil, com financiamento da Caixa, e só no caso destes dois players recusarem se porá a hipótese de entrega a outros. Parece-me tambem lógico que se acrescente 50% ao preço orçamentado para derrapagens e luvas. Ficamos logo prevenidos e "mais euros mais economia", pelo menos na óptica do Engenheiro. Estamos num lindo caminho estamos...

12 de dez. de 2008

Mais do que um corte, um acerto

Já há muito que se esperava este corte. Em Novembro, o cartel preferiu esperar e ver como reagia o mercado mas a reunião de quarta-feira será de acção e reacção à baixa do preço do barril. O corte estimado é de 2 500 000 barris diários (1 milhão a mais quando comparado com o anterior) mas pode ter um efeito reduzido sobre o mercado. A crise instalada, o aumento das reservas e a constante diminuição da procura poderão, e deverão, pesar mais e transformar o corte num "acerto" oferta-procura, sendo previsivel apenas um ligeiro aumento que não deverá traduzir-se em aumento para o consumidor final.

9 de dez. de 2008

A confirmação do que Sócrates não quer ver...

Afinal, nem os números safam a contracção da economia já no terceiro trimestre de 2008. Se no quarto trimestre, e como tudo indica, a contracção se voltar a verificar, aí entraremos oficialmente em recessão. Alguem tem dúvidas ainda?

5 de dez. de 2008

O ajuste esperado

As Euribor voltaram a dar um tombo significativo mantendo a sua tendência desde 10 de Outubro e repetindo a forte quebra de ontem onde os mercados incorporaram por antecipação, a descida da taxa de juro por parte do BCE. Devido à forte descida do juro, a Euribor voltou a colocar-se num diferencial superior a 1% face à taxa mas é expectavel que a correcção seja feita rapidamente. Para mais, estima-se já nova descida, que deverá ocorrer na primeira metade de 2009, por parte do BCE como resposta e tentativa de impulso à contracção esperada na zona euro. O Sociedade continuará a acompanhar a evolução desta referência tão importante para a esmagadora maioria dos Portugueses e fica o compromisso pessoal, de no fim de Dezembro voltar a simular a poupança (espera-se) nos Créditos Habitação.

4 de dez. de 2008

Da Banca para a economia e da economia para o cidadão

Tal como esperado, o BCE baixou a sua taxa de juro. No entanto, e ao contrário do que previ, o BCE optou por um corte radical e baixou 0,75% fixando-se a taxa nos 2,5%. O que à partida, só podia ser uma boa notícia, deixa transparecer o que já toda a gente sabe e sente na pele, - estamos em crise. No fim do Verão, houve necessidade de apagar o fogo na banca. Garantias dos Estados, nacionalizações e baixa de juros com acesso ilimitado a liquidez foram algumas das medidas que vieram contrariar o colapso eminente do sistema financeiro e reposeram os índices de confiança nos mercados interbancários. Estes voltaram a funcionar e fizeram cair a Euribor libertando contraentes de empréstimos a ela indexados. Por esta altura, já soavam alarmes noutros lados. Será errado dizer que foi a partir do Sistema Financeiro que se propagou à economia real. Está já estava escaldada mas só com a asfixia da crise de liquidez levantou fervura e transbordou. Com esta baixa nos juros o BCE quer apagar todos os fogos e evitar que a água transborde ainda mais. A seguir à crise económica está sempre uma crise social de contornos ainda mais incertos e imprevisiveis. A água já cobre o chão da cozinha. Veremos se a conseguiremos limpar (mais uma voz que confirma que não será em 2009) e quantos levará para as sarjetas, atrás dela. É tempo de apertar o cinto e poupar cada tostão

2 de dez. de 2008

De tanga...

O PSI 20, tal como o nome indica tem 20 índices dos quais, três são de instituições financeiras. A saber, BCP, BES e BPI. As restantes 17, as não financeiras, atravessam momentos dificeis com quebras quase diárias em bolsa. Estas quebras e desvalorizações fazem com que a sua situação financeira seja ainda mais precária e que as garantias que prestam sejam cada vez menores. Do final de Setembro do ano passado para igual período de 2008, o tatal das suas dívidas subiu 12%. Em sentido inverso, o seu valor em bolsa caiu a pique. Resultado: - as cotadas não financeiras devem 94% do que valem... e a recessão ainda não chegou, pelo menos oficialmente...

1 de dez. de 2008

É o tempo do "barato"

O preço do Crédito Habitação cai dia após dia. A inflação baixa a cada mês e está agora marginalmente acima dos 2%. O petróleo segue-lhes o exemplo e segue tambem a desvalorizar. A ajudar, está a decisão da OPEP no adiamento do corte de produção. O cartel diz ainda não ter conclusões válidas sobre o efeito do último corte, anunciado há pouco mais de um mês, e remete para a reunião de 17 de Dezembro a decisão. O escalar da crise e a consequente baixa na procura de petróleo faz com que o cartel baixe para 75 USD o preço-alvo por barril. Os cortes de juros dos principais Bancos Centrais, que se esperam para Dezembro serão tambem dissuasores do aumento da matéria-prima. É aproveitar para ir visitar a família na quadra...

7 de out. de 2008

Poupanças? Quais poupanças?

Entrar no site da RTP e ver este conjunto de notícias (I, II, III) dá vontade de perguntar: "quais poupanças, senhor engenheiro?"
Há quem não compreenda porque a taxa só aparece no monitor, não tem correspondência real.