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12 de fev. de 2009

Do populismo

A viabilidade, e sobretudo a competitividade, de muitas empresas passa obrigatoriamente pela supressão de postos de trabalho. A organização deve ter apenas os empregados necessários e nem um a mais. Enquanto trabalhadores e políticos não perceberem isto não saíremos da cauda da Europa, onde nos encontramos, nem teremos indices de produtividade dignos. Portas, ao defender que uma empresa ajudada deve ser uma empresa obrigada a manter empregos roça o mais estúpido populismo, contribuindo para este ideia tacanha de manter artifialmente postos de trabalho que no médio/longo prazo transforma incentivos estatais em dinheiro deitado ao lixo. Manter emprego à conta de subsidios é um virus para qualquer empresa e deve ser evitado a todo o custo. Ao contrário, tornar as empresas competitivas gera riqueza e desenvolvimento criando condições para o surgimento de mais empresas e conseuqentemente mais emprego.

Este raciocinio não dá, obviamente, cobertura ao patrão que não está interessado na empresa e aproveita toda esta situação para despedir.

16 de dez. de 2008

Paralamas do insucesso

Longe de mim defender Portas ou o CDS, cuja matriz mais clara (democrata-cristã e conservadora) está nos antípodas do que defendo. Longe de mim criticar pessoas simplesmente porque decidem deixar de fazer parte de um partido, pois nunca fiz verdadeiramente parte de nenhum. E não tenho o conhecimento do partido que o senhor Yuppie Boy, por exemplo, tem. Posto o disclaimer, vamos ao post:

Os senhores que se preparam para abandonar o CDS, por causa de uma eventual equidistância que será defendida pelo líder Paulo Portas, não apresentaram nenhuma candidatura alternativa às recentes eleições do partido. Os senhores que se preparam para abandonar o CDS não o fizeram quando Freitas do Amaral e os seus sucessores na área da Democracia-cristã disseram que ele, o partido, estava rigorosamente ao Centro, nem o fizeram quando Manuel Monteiro se foi encontrar com Guterres num quarto de hotel para negociar apoios, nem o fizeram quando Portas acordou com o PS alguns items do Orçamento de Estado, nem o fizeram quando o CDS decidiu "aceitar" o caso Limiano... Os senhores que se preparam para abandonar o CDS não o abandonaram quando era necessário estar de acordo com a, muito variável, opção ideológica do partido, mas abandonam-no agora, quando é possível criar tendências dentro do partido... Será que querem sair de um navio a afundar ou foram convidados pelo porta-aviões ali ao lado?

Longe de mim defender o CDS ou Portas, mas creio que poderia haver uma banda sonora para esta situação com o o refrão daquela música dos Paralamas do Sucesso:
Entrei de gaiato num navio
Entrei, entrei, entrei por engano

Rei sem trono

Há já alguns anos, muitos para ser mais correcto, começava-se a falar de regionalização e da possibilidade de se referendar a divisão administrativa do país. Na altura, a Juventude Centrista - Gerações Populares, a actual JP ainda não tinha nascido, tinha um autocolante de campanha onde colocava por baixo dos rostos de Guterres e Jorge Coelho a expressão "dividir para reinar". Parece que Paulo Portas andou a remexer nas arcas das recordações e ele próprio fazer renascer o chavão. O seu CDS-PP é hoje uma amálgama de gente, a quem até reconheço qualidades, amorfa e vergados a um líder que começa a ter demasiadas semelhanças com tristes figuras da nossa história recente. Para que não restem dúvidas, deixem-me dizer que não o estou a comparar a Saddam, como é óbvio - Portas teve menos participação e menos aprovação que o ditador Iraquiano. Todos quanto discordam são convidados ou forçados a sair e não há hoje espaço para a discussão (não ligar ao recente caso de Nobre Guedes). O partido está mais organizado e até tem tido notoriedade mas a aura de desconfiança adensa-se. Os sound-bytes escasseiam e apoio das bases, no PP diz-se gente com enorme sentido de dever, civico e de serviço à comunidade, já era... aliás, já não há é bases. É assim de prever que Portas continue na direcção por muitos e longos anos, mas a dirigir nada, a fazer nada e a contribuir zero... mas como um tachinho dá sempre jeito, aqui fica a minha vénia ao líder.

23 de nov. de 2008

De carro ou autocarro, o importante é chegar

A notícia já é de ontem mas só agora tive tempo para escrever as duas linahs seguintes. Já se percebeu que Portas quer voltar a ser governo. Num cenário de inconstância e de muitas dúvidas quanto ao rumo futuro, da economia e não só, a vitória do PS nas próximas legislativas, muito por culpa do PSD, parece certa. Quanto à maioria, as dúvidas são maiores e a degradação social e aumento da contestação ao executivo de Sócrates podem roubar alguns deputados. Portas já o percebeu e coloca-se equidistantemente em relação aos dois maiores partidos, com uma postura responsável e pró-activa fazendo o trabalho de casa. Esta comissão agora viabilizada é só mais um exemplo e mostra muito do que Portas quer para o "novo" CDS. Visibilidade, sentido de Estado e o ressurgimento como alternativa credivel. Veremos...

29 de out. de 2008

A confirmação

Depois das declarações proferidas por Nobre Guedes após o colóquio de Bagão Félix sobre o Orçamento de Estado, parece-me claro que o seu regresso à vida política activa tem apenas um propósito - ajudar o amigo Paulo. O seu discurso está centrado na união do partido em torno do lider como forma única de alcançar o sucesso. É dele que partem os convites aos dissidentes, mais-valias do partido e que valem alguns votos, ao mesmo tempo que tenta apaziguar as hostes que já se levantam contra as datas escolhidas, algo previsivel. Parece-me portanto claro que Nobre Guedes apresenta o discurso que Portas não podia apresentar. É só mais um favor...

28 de out. de 2008

Juntos ou separados?

Nobre Guedes, o ex-eterno número dois de Portas, bateu com a porta nos finais de 2007. 2008 reservou-lhe dois períodos de silêncio; - até Junho como vice-presidente demissionário e este mais recente até às eleições regionais dos Açores. O acordo de cavalheiros firmado, "impedia-o" de falar publicamente. Agora, e depois do bom resultado obtido pelo partido, Nobre Guedes volta às lides políticas e promete participação activa no próximo Congresso. Não será candidato, mas quer ver a sua visão do CDS discutida. Adianta já que Ribeiro e Castro no parlamento e Nogueira Pinto na CML, ainda que coligada com PSL caso este avance, são duas das personalidades que quer ver regressarem ao partido. Para isso pede a Portas que unifique as tropas fazendo-lhes o convite, passando a imagem de PP unido e forte, por oposição ao PSD. Grosso modo, o PP quer passar a imagem de única força política à direita do PS com a casa arrumada e com cabeça limpa para se dedicar, por inteiro, aos problemas do país. Pelas razões que aponto mais à frente, não é de pôr de parte que esta estratégia tenha sido congeminada a duas cabeças estando PP e NG outra vez em sintonia.
Portas sabe passar mensagens melhor que ninguem e já percebeu que nas próximas eleições terá de ir roubar votos ao PSD, mais do que ao PS, grudado no centro. Com Ribeiro e Castro, Maria José e todos os seus apoiantes o PP estará mais forte certamente. Mas estará mais forte por conveniência e porque se vislumbram mais poleiros. É hoje previsivel que as correntes opostas ao lider tenham espaço sem que isso afecte o número de lugares que este necessita para a sua "máquina". "Conveniências" é tudo o que o país não precisa. Veremos até quando dura o casamenteo... se chegarem a casar. Mas não pode ser Portas a fazer estes convites e lançar estas discussões. Nobre Guedes volta à vida política activa como entrou, - a ajudar o amigo Paulo.

24 de out. de 2008

O Rei do timing

Paulo Portas é um animal político. Tudo o que diz, tudo o que não diz, tudo o que pensa, toda a roupa que usa, todo o cigarro que não fuma, todo o dente que branqueia, tudo isto, tudo isto e muito mais, é pensado. Pensado ao pormenor. Os Açores foram o balão de oxigénio que precisava. Burro seria se não aproveitasse a maré. Assim, decidiu propôr eleições antecipadas. Não tem os adversários preparados e está em estado de graça, se esse estado ainda existe no PP. Uns dirão que é inteligência e faro político. Prefiro a palavra "oportunismo".
Actualização: Surpresa das surpresas, Paulo Portas é candidato.

24 de set. de 2008

Livrais-nos sR de todo o LP...

Há duas boas razões para aplaudir a eleição de Diogo Feyo, para lider parlamentar do CDS-PP:
1- pelo seu passado na Assembleia onde demonstrou estar bem preparado e ter uma postura consentânea com o partido pelo qual foi eleito;
2- porque se falou em Luis Pedro Mota Soares para o lugar.
É óbvio que a segunda pesa muito mais no meu aplauso.

2 de set. de 2008

Política à Portuguesa

Só mesmo num partido com tão pouca expressão e tão centrado no líder se pode esconder a demissão de um vice durante tanto tempo.

29 de jul. de 2008

O mercado a funcionar

Afinal, não é só Petit que vai mudar de camisola. Os 30 "ex"-militantes do CDS-PP que saiem em rota de colisão com Portas, tambem admitem ingressar noutros partidos. À partida, será o PSD o escolhido até porque já conhecem o sistema táctico. Mas outras opções não são de descurar. Até porque os camaradas são de Setúbal.

29 de mai. de 2008

Falem-me de futebol

em jeito de resposta ao comentário do Crosta:
Esperar algo das eleições do PSD é naif. O que ali se discute é um lidér a prazo que não envergonhe a história do partido. Um lidér que almeja não a vitória mas sim uma derrota que permita uma saída airosa. No limite, estaremos a discutir o próximo lidér da oposição, se não fôr derrubado internamente antes de chegar ao hemiciclo. Assim, tudo o que estiver relacionado com estas ditas eleições ou com a recém anunciada moção de censura do CDS-PP são para mim já assuntos do passado. A política deveria viver de acção e não de tempos de antena.