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20 de fev. de 2009

Passo em falso?

Foi ontem noticiada, com algum destaque, a subida das taxas Euribor mais longas (9, 10, 11 e 12 meses em concreto). Hoje, a trajectória descendente voltou a todos os prazos da taxa o que pressupõe a subida de ontem como acto isolado e portanto desprezivel estatisticamente (comportamento no gráfico).
No entanto, é visivel o abrandamento de descida e previsivel a manutenção perto do valor de 2% da taxa directora actual podendo iniciar-se nova descida após o anúncio - se existir - de baixa por parte do BCE na reunião de Março. É ainda cedo para tirar ilações desta alteração de comportamento desde logo porque ainda naõ está confirmada e porque a crise traz novas permissas. Em situação normal, o inicio da subida das Euribor seria sinónimo, ou consequência mais propriamente, de uma recuperação da economia e subida da taxa directora visando controlar a inflação. Já em período de crise pode ser sinónimo de nova crise de confiança e prenuncio de novas e acrescidas dificuldades para familias e empresas. O tempo confirmará se a primeira, se a segunda... ficando a porta aberta para uma terceira via.

Da pequenez

Em todo o processo Qimonda, que é sem dúvida preocupante e que terá impactos graves na região e no país se não tiver um final feliz, é incrivel o papel reservado ao ministro Manuel Pinho. É certo que o Ministro da Economia, seja ele qual fôr, deve espalhar optimismo, enaltecer o bom trabalho e criar as condições necessárias ao investimento mas Pinho exagera. É precipitado, trapalhão e acima de tudo ingénuo. Havia, e há, muito pouco a fazer na Qimonda. Sendo certo que em Portugal não há investidores com envergadura suficiente para abarcar tamanho projecto fica claro de que tudo quanto possamos fazer se resume ao polo de produção Português, - grande (enorme mesmo) para nós, pequeno para a Qimonda. Prometer a sua manutenção, lançar optimismo não sustentado para no fim falhar - à semelhança de trapalhadas passadas (o fracasso Embraer está por horas) - são machadadas na confiança, cujo défice é mil vezes superior ao orçamental, já de si grande. Apelar a dEUS tambem não ajuda.

19 de fev. de 2009

A vez da Bordalo Pinheiro

Não deixa de ser estranho que numa altura de crise e de consolidação a Visabeira tente expandir tanto o seu negócio. No cesto de compras, está agora a Bordalo Pinheiro, empresa cohecida pelos seus bonecos "catitas". Os tempos de crise são tempos de oportunidade e de compras baratas algo que VAA e Bordalo Pinheiro não são pois e apesar do capital necessário à sua compra ser baixo, as perspectivas de retorno e os buracos lá existentes tornam o pouco dispendido na compra no muito dispendido na manutenção e no restabelecimento, se algum fôr conseguido. Daqui se conclui que ou o grupo Visabeira foi contagiado pelo expansionismo megalómano dos irmãos Martins ou há dados que desconhecemos. Eu apostaria na última com uns pózinhos da primeira.

17 de fev. de 2009

Shoichi Nakagawa


Se o nosso Ministro das Finanças fosse assim, o País estaria melhor? Quiçá!

13 de fev. de 2009

À espera de Trichet? De Sócrates? De nós próprios?

Foram precisas 88 sessões, desde o dia 9 de Outubro, para que a Euribor a 3 meses atingisse o seu valor mais baixo desde a implementação do Euro em Janeiro de 1999, - 1,947%. Face a esta realidade, já ninguem acredita que Trichet ouse manter a taxa directora fixada nos 2%. 1,5 deverá ser o novo valor a fixar, ficando reservada para o segundo trimestre nova descida. Mesmo com estas descidas, a economia está em recessão - os novos dados vieram comprovar o que já se notava no dia a dia - e não parece que a baixa dos juros seja suficiente para inverter a tendência. Do poder político, nomeadamente do Português, tambem não podemos esperar soluções. Vamos mesmo ter de ser nós a encontrá-las... optimizar e expandir mercados. Mais que nunca a real-politik de Sócrates pode ser a chave da solução facilitando a exportação para países com quem ainda não temos grandes relações comerciais. Estados Unidos, Europa e até mesmo Angola, a salvação de muitos, estão a abrandar. Libano, Libia ou Argélia vão definitivamente entrar no nosso vocabulário...

12 de fev. de 2009

Do populismo

A viabilidade, e sobretudo a competitividade, de muitas empresas passa obrigatoriamente pela supressão de postos de trabalho. A organização deve ter apenas os empregados necessários e nem um a mais. Enquanto trabalhadores e políticos não perceberem isto não saíremos da cauda da Europa, onde nos encontramos, nem teremos indices de produtividade dignos. Portas, ao defender que uma empresa ajudada deve ser uma empresa obrigada a manter empregos roça o mais estúpido populismo, contribuindo para este ideia tacanha de manter artifialmente postos de trabalho que no médio/longo prazo transforma incentivos estatais em dinheiro deitado ao lixo. Manter emprego à conta de subsidios é um virus para qualquer empresa e deve ser evitado a todo o custo. Ao contrário, tornar as empresas competitivas gera riqueza e desenvolvimento criando condições para o surgimento de mais empresas e conseuqentemente mais emprego.

Este raciocinio não dá, obviamente, cobertura ao patrão que não está interessado na empresa e aproveita toda esta situação para despedir.

9 de fev. de 2009

o profe

O que sempre me irritou nos professores é aquela mania que sabem. Isso é dizerem coisas evidentes como se fosse algo que lhes tivessem saído após aturado raciocínio. Isso e engarem, usarem truques para mostrar que estão certos. Agora percebo porque o Pulido Valente insiste em chamar professor Cavaco ao Cavaco e ao Presidente Cavaco.

5 de fev. de 2009

The sour side of business

Durante largos meses, anos até, os mercados estiveram em crescendo. Era o tempo em que num mês quase se duplicava a fortuna. Os proveitos financeiros eram grandes, melhorando as pretações de qualquer administração e permitindo a alavancagem de investimentos dando as participações financeiras como garantia. Those were sunny days...
Agora o tempo está cinzento, e o ricochete atinge-nos a uma velocidade estonteante. O PSI 20, e mesmo o geral, nã são excepção e todas as participações cruzadas que existem fazem agora mossa. O valor do activo a preço de mercado é agora muito mais baixo quando comparado com a última avaliação ou aquisição, e chega em casos extremos - ver notícia sobre Teixeira Duarte - a colocar o activo total abaixo do passivo, o que configura uma falência técnica. It's the dark side. Deal with it...

28 de jan. de 2009

A dura realidade

Talvez publicado no Finantial Times e em Inglês, tenha mais credibilidade:

“Behind this is the broader issue of loss of competitiveness on Europe’s southern fringe. Unable to devalue their currency, weaker economies can only restore competitiveness by cutting jobs and real wages”

via sedes

25 de jan. de 2009

O pau de três bicos

A cada vez que Trichet baixa a taxa, facilita a vida a milhares de pessoas, ao mesmo tempo que retira incentivos à poupança noutros milhares. É uma balança onde a subida ou descida dos dois pratos é impossível. O benefício de um é necessariamente, o prejuízo de outro. O lucro da banca, no essencial, está no diferencial entre o preço de venda do dinheiro – empréstimos – e o preço de compra – depósitos e aplicações. Com a taxa directora fixada nos 2% diminuiu substancialmente os prémios de depósito desincentivando a poupança. Num cenário de ameaça de deflação este até poderia ser um estímulo ao consumo mas a crescente descrença numa recuperação rápida da economia vem anular esse efeito. Se lhe juntarmos também a crescente desconfiança na banca e sistema financeiro em geral, é fácil de perceber, que a intercepção de todos os parâmetros resulta num conjunto que poupa à parte do sistema bancário e financeiro ou na melhor das hipóteses em aplicações de muito curto prazo. Para além de limitar a acção das políticas monetárias abre espaço à franja menos ética da sociedade, leia-se “banqueiros de sarjeta”. Juros baixos nos depósitos e milhares de Portugueses com a corda na garganta são sangue para os tubarões que começam a dar à costa. O perfil destes novos predadores é algo diferente do do usurário típico. Os juros praticados são substancialmente mais baixos mas as garantias dadas para o empréstimo são altíssimas (cobrem-no, duplicam-no e mesmo triplicam-no) e as ameaças para que todos os pagamentos sejam cumpridos são levadas muito a sério (para não dizer mais). Isto enoja-me…

21 de jan. de 2009

O Estado e não só...

A acompanhar o corte de rating do Estado Português, está também a Parpublica, a holding responsável pelas participações empresariais desse mesmo Estado, - Portugal. As reformas deixadas a meio e a leviandade com que Teixeira dos Santos e José Sócrates, muito por força do compromisso eleitoral do último, levaram-nos a esta situação que nos coloca em paralelo com Itália e Chipre e acima da Grécia. Esta é a grande e unica conclusão que podemos tirar desta baixa de rating que vem ainda dificultar mais a resposta à crise pois todo o financiamento estrangeiro fica agora mais caro.
A Parpublica é aqui apanhava por arrasto e graças às últimas políticas de defesa da banca e conseuqentes aumentos de capital para tapar o buraco por elas criado. É o resultado de "salvaremos todos quanto pudermos" afirmado por quem não tem a minima ideia do que deve ser salvado e de quanto há, ou pode haver, para salvar.

20 de jan. de 2009

É pouco

Esta deverá ser a primeira reacção à OPA lançada pela Visabeira. A oferta apresentada pelo grupo Viseense não cobre sequer as perdas acumuladas que os actuais accionistas têm visto aumentar. Do ponto de vista económico, aceitar a OPA será o assumir de perdas avultadas mas também o livrar de problemas sérios. A alienação das ações pode fazer com que CGD, BCP e BPI - cada um detém cerca de 20% - limpem do seu activo, ações tão tóxicas quanto um crédito subprime. Já quanto aos outros accionistas, é previsivel que não queiram vender e esperem pela reestruturação do grupo. Mas tambem estes, poderão estar interessados na alienação uma vez que a crise pode obrigar à realização, ainda que baixa, de capital. Previsivelmente, só mesmo os herdeiros da familia Pinto Basto deverão querer manter a posição na empresa criada pelo seu antepassado, José Pereira Pinto Basto.

19 de jan. de 2009

Quantos as boas são más noticias

Não, este não é mais um post sobre o lesbianismo de Lindsay Lohan mas... encaixava.

Fala-se de défices, desemprego, crescimento, contração, deflação, etc, etc. Em Portugal, já encomendamos tudo aos potes, mais desemprego, menos cresciento e um défice externo nos píncaros. Mas não somos os maiores, aliás, nunca somos. Os nossos vizinhos, aqueles a que muitos chamam de país irmão está pior. O nível de desemprego ameaça tocar os 20%, a contração da economia superior a 2% e o défice orçamental poderá dobrar o máximo permitido pelo pacto de estabilidade e crescimento (lol). Com tanta tristeza no vizinho, era de esperar um Porugal risonho, que é pródigo alegrar-se com a desgraça alheia, mas estas noticias não auguram nada de bom aqui para o rectângulo. Espanha é o nosso principal comprador e está bom de ver que não será pela via da exportação, pelo menos para a Europa, que nos safaremos. A exportação é mesmo um dos grandes entraves à resolução desta crise. Estados Unidos, Europa e agora Ásia estão mergulhados num mesmo marasmo e esta é mesmo uma crise global não existindo muletas de suporte para que uma ou outra economia se erga. Esta conclusão vem tambem ajudar na defesa de que esta é uma crise de confiança, não obstante de tambem ser económica, e é aí que todas as atenções devem estar focadas.

Agora mais a sério

A história recente da Vista Alegre tem sido muito conturbada. Criada no Séc. XIX, em Ilhavo, Aveiro, pela familia Pinto Basto, atravessou períodos aureos e granjeou sucessos até poucos anos atrás. Uma fábrica obsoleta e investimentos mal dirigidos para alem de megalómanos, vieram mudar o curso da história e colocar em grandes dificuldades a maior referência do sector. Sujeita a fusões, aquisições e entradas e saídas de accionistas-chave, a Vista Alegre perdeu a sua identidade e tambem o fulgor económico. A sua venda é conversa recorrente há anos mas a ganância de accionistas e a situação da empresa não têm permitido a conclusão dos negócios, fazendo com que a fábrica que já foi orgulho nacional definhe lentamente, até à desgraça final. Agora, que surge mais um comprador, credível acrecente-se, a ganância volta a atacar e aposta-se tudo na valorização final. É um golpe de "chico-esperto" e de pés de barro, que alías, já partiram. A CMVM foi a primeira a alertar para um volume anormal de transações e uma valorização tremenda, suspendendo os títulos e fazendo soar todos os alarmes. Provavelmente, não será ainda desta feita que a fábrica de Ilhavo verá a solução... que o empo provará ainda se existe...

15 de jan. de 2009

A deflação ao virar da esquina

Portugal estará a viver um cenário de deflação se em Janeiro se mantiver a tendência de baixa de preços que se verificou em Dezembro último. Apesar da inflação em 2008 ser superior à de 2007 em uma décima, fixando-se agora nos 2,6%, a tendência do final de ano foi de baixa e correção dos picos de Julho e Agosto. Assim, quando comparados, Dezembro de 2008 e Dezembro de 2007, vê-se que os preços só cresceram 0,8%, o que só por si denota um forte abrandamento na economia. As suspeitas veêm-se confirmadas quando comparamos os indices de preços de Novembro e Dezembro de 2008. Aqui, vemos que os preços caíram 0,5% demonstrando definitivamente, que a economia está a abrandar. Sócrates dirá certamente que só com os dados de Janeiro poderemos ter certezas e agir em conformidade como apregoa ter vindo a fazer. Já eu digo, que os sinais estão aí todos e é mais tempo de agir do que de dizer que se age.

8 de jan. de 2009

É da febre?

Francisco Van Zeller, o patrão dos patrões, diz que o Estado não conseguirá absorver os desempregados que a crise irá gerar. Defende que ao melhorar as condições para os desempregados se corre o risco de estes não flexibilizarem os seus direitos e, mais, que assim as empresas deixaram de se preocupar tanto em mantê-las. "Há empresas que, aguentando um ano ou dois, conseguirão sair por cima, desde que não lhes dêem incentivos para fechar", disse na Antena Aberta da Antena1 e RTPN. Acho que, por uma vez, o senhor - que reconheceu estar a curar uma gripe e, se calhar por isso, estar com febre e mais consciente - tem razão.

7 de jan. de 2009

As infelizes excepções

Diz-se agora que mesmo com a crise, os Portugueses vão aumentar o seu rendimento disponivel, ideia que Sócrates veicula com forças redobradas e Constâncio vem agora enfatizar. Porque baixam as prestações, porque baixa o petróleo e porque há aumentos nos salários. Mas será para todos? Não, obviamente.
Nem todos os Portugueses têm crédito habitação e dos que têm, nem todos têm os créditos indexados à Euribor. Os restantes créditos, auto, pessoal, etc, tambem não estão, por norma, indexados pelo que aqui a poupança será igual a zero.
No que toca ao petróleo, e ainda que num futuro recente seja preisivel a manutenção de preços baixos, nada garante que uma recuperação, ainda que ténue, na economia mais para o final do ano não traga aumentos fortes da matéria-prima. Tambem quem não usa viatura própria está fora desta benesse seja porque anda a pé, seja porque anda de transportes públicos que não baixaram de preço (pelo menos que eu saiba).
Por último, e falando de salários, só os funcionários públicos e quem recebe o salário minimo verá o seu poder de compra aumentar. Os primeiros são aumentados 2,9% este ano e os segundos, 5,6%, mas há mais Portugueses e esses, dificilmente serõ aumentados. Se o não forem, a inflação que se estima de 1% obriga-os a perder poder de compra. Para quem não trabalha para o Estado, há ainda a possibilidade de perder o emprego - a sua fonte de rendimento - ficando dependente do subsidio de desemprego se a ele tiver direito.
É mais dura a vida fora dos grandes gabinetes...

6 de jan. de 2009

A ganância atropelada por um comboio

Fortuna: 9 200 000 000,00€
Jogada: apostar na queda das acções da Wolkswagen
Resultado: perda de milhões de euros

Desfecho: atropelado por um comboio, leia-se suicídio
link

A inflação e a montanha-russa

A estimativa rápida do Eurostat colocou hoje a inflação nos 1,6%, valor abaixo do esperado pelos mercados e distante dos 2% pretendidos por Trichet. Para este valor, contribuiu e muito, a baixa nos produtos petrolíferos mas tal baixa não justifica tudo. A economia está a abrandar e isso começa-se a reflectir nos preços, - nem tudo são espinhos nas crises. A preocupação do BCE, que lembro aumentou as taxas de juro no ano passado para conter a inflação, é agora criá-la. Têm a arma e parecem não ter medo da usar: depois de três cortes entre Outubro e Dezembro do ano passado, Trichet pode voltar a mexer na taxa directora e baixá-la, criando os "incentivos" ao consumo e ao investimento. Mas em vez de fomentar a economia faz disparar ainda mais os alarmes, de particulares e empresas. Este voluntarismo excessivo abala mais do que sustenta. Cria desconfiança e faz tremer, até os mais incautos. Em vez de fazer gastar, faz poupar pois cria receios face à conjuntura, o que numa altura de expansão económica seria benéfico mas não agora, altura em que investimento e consumo são tão necessários quanto pão para a boca. Em momentos de expansão, num passado recente, verificou-se o contrário e o consumo e o investimento cresceram exponencialmente, alavancados no crédito e ficando sem qualquer almofada de suporte. Foi neste cenário que o BCE fez a sua última subida nas taxas, mais por reacção do que por acção, que é no fundo a grande conclusão deste post. Não há política preventiva e pensada antecipadamente. Ao invés, apagam-se fogos e espera-se que o ciclo inverta. A economia está sedenta de confiança, não de dinheiro. Parece-me mais importante um discurso firme com rumo do que medidas voluntaristas que mudam do dia para a noite.

Passados nem 3 meses...

... tudo muda.
Agora, Portugal já não vai crescer 0,6% e pode mesmo entrar em recessão. O nosso Primeiro já reconhece que Portugal não está tão bem quanto ele e os restantes meninos o pintavam. Aleluia, depois de diagnosticado o problema, ainda que com meses de atraso, está na altura de procurar - as verdadeiras - soluções.