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30 de jan. de 2009

Porque hoje é sexta

é importante fazer o balanço da semana que se pode resumir nestes 4 pontos essenciais:

1. 345 567 manchetes com Sócrates/Freeport;
2. 345 567 conferências de imprensa, comunicados e afins sobre Sócrates/Freeport;
3. 345 567 novos desempregados anunciados;
4. 345 567 oportunidades perdidas na resolução da crise por estarmos com a atenção focada onde não devemos.

O que vale é que é sexta e o fim de semana está mesmo à porta.

21 de jan. de 2009

O Estado e não só...

A acompanhar o corte de rating do Estado Português, está também a Parpublica, a holding responsável pelas participações empresariais desse mesmo Estado, - Portugal. As reformas deixadas a meio e a leviandade com que Teixeira dos Santos e José Sócrates, muito por força do compromisso eleitoral do último, levaram-nos a esta situação que nos coloca em paralelo com Itália e Chipre e acima da Grécia. Esta é a grande e unica conclusão que podemos tirar desta baixa de rating que vem ainda dificultar mais a resposta à crise pois todo o financiamento estrangeiro fica agora mais caro.
A Parpublica é aqui apanhava por arrasto e graças às últimas políticas de defesa da banca e conseuqentes aumentos de capital para tapar o buraco por elas criado. É o resultado de "salvaremos todos quanto pudermos" afirmado por quem não tem a minima ideia do que deve ser salvado e de quanto há, ou pode haver, para salvar.

19 de jan. de 2009

Quantos as boas são más noticias

Não, este não é mais um post sobre o lesbianismo de Lindsay Lohan mas... encaixava.

Fala-se de défices, desemprego, crescimento, contração, deflação, etc, etc. Em Portugal, já encomendamos tudo aos potes, mais desemprego, menos cresciento e um défice externo nos píncaros. Mas não somos os maiores, aliás, nunca somos. Os nossos vizinhos, aqueles a que muitos chamam de país irmão está pior. O nível de desemprego ameaça tocar os 20%, a contração da economia superior a 2% e o défice orçamental poderá dobrar o máximo permitido pelo pacto de estabilidade e crescimento (lol). Com tanta tristeza no vizinho, era de esperar um Porugal risonho, que é pródigo alegrar-se com a desgraça alheia, mas estas noticias não auguram nada de bom aqui para o rectângulo. Espanha é o nosso principal comprador e está bom de ver que não será pela via da exportação, pelo menos para a Europa, que nos safaremos. A exportação é mesmo um dos grandes entraves à resolução desta crise. Estados Unidos, Europa e agora Ásia estão mergulhados num mesmo marasmo e esta é mesmo uma crise global não existindo muletas de suporte para que uma ou outra economia se erga. Esta conclusão vem tambem ajudar na defesa de que esta é uma crise de confiança, não obstante de tambem ser económica, e é aí que todas as atenções devem estar focadas.

16 de jan. de 2009

Depois do cão e do fotógrafo

Parece que a empregada de quarto de Obama na Casa Branca se chama Maria. Ainda não está confirmado se é descendente de portugueses, porto-riquenhos ou de Kennedy...

8 de jan. de 2009

É da febre?

Francisco Van Zeller, o patrão dos patrões, diz que o Estado não conseguirá absorver os desempregados que a crise irá gerar. Defende que ao melhorar as condições para os desempregados se corre o risco de estes não flexibilizarem os seus direitos e, mais, que assim as empresas deixaram de se preocupar tanto em mantê-las. "Há empresas que, aguentando um ano ou dois, conseguirão sair por cima, desde que não lhes dêem incentivos para fechar", disse na Antena Aberta da Antena1 e RTPN. Acho que, por uma vez, o senhor - que reconheceu estar a curar uma gripe e, se calhar por isso, estar com febre e mais consciente - tem razão.

3 de jan. de 2009

A minha cesariana foi mais rápida do que a tua

No meu tempo, os primeiros bebés do ano nasciam, às vezes, às sete ou às onze da manhã. Agora não, agora com as epidurais e as cesarianas, os bebés que estão para nascer na semana do reveillon são todos direccionados para nascer um segundo depois da meia-noite do dia 1. "Já que temos de trabalhar na passagem de ano, ao menos que seja para fazer nascer o bebé do ano", pensam os médicos. Depois dá nisto: "Maternidades Alfredo da Costa e Júlio Dinis ouvem primeiro choro de 2009 - 1.º segundo traz três meninas". Claro que aquilo que chegou a ser um símbolo de concorrência saudável entre hospitais e maternidades, entre vilas do Interior (quando tinham urgências) e hospitais centrais das grandes cidades, passou a ser, no país com mais epidurais e cesarianas da Europa, no símbolo do que se transforma em Portugal a concorrência: em xico-espertismo.

19 de dez. de 2008

É preciso botar mão nisto

Ninguém quer ficar atrás dos professores. Se eles conseguem pôr cem mil nas ruas de Lisboa, nós... nós fazemos uma greve que tem uma adesão de mais de 100%.

9 de dez. de 2008

A frieza dos números

Salário de Vitor Constâncio - 250 000 euros anuais (18 vezes o rendimento per capita nacional)

Salário de Ben Bernanke - 140 000 euros anuais (4,2 vezes o rendimento per capita nacional)

25 de nov. de 2008

MFL e Constâncio são primos?

Ontem, em entrevista à RTP, Vitor Constâncio dizia-se linchado pela opinião pública que o culpava de toda esta situação na banca nacional. Deu depois exemplos de países estrangeiros onde as fraudes foram maiores e as falências saíram mais caras. É sempre positivo justificar um erro com outro erro. Por outro lado, é bom ver que Portugal se tornou num país exigente e rigoroso. Ou isso é só para os outros?

20 de nov. de 2008

Por falar em suspender a democracia

A FENPROF promete abandonar a reunião com a ministra da educação se nos primeiros minutos Maria de Lurdes Rodrigues não falar da suspensão da avaliação. Ontem, Mário Nogueira esteve reunido com o secretário de estado adjunto, mas saiu ao fim de 5 minutos.


Pois, estou vendo... como é que eles diziam na manifestação? "Não está em causa sermos avaliados"... Pois não, pois não. Ummm...

19 de nov. de 2008

Sempre a defender a precariedade

O que mais irritou no discurso de Manuela Ferreira Leite, de suspender a democracia por seis meses, é que se percebeu o seu esquema mental. A ideia é fomentar a precariedade. Se ainda fosse contrato de seis meses renovável no seu termo, por três vezes, ainda vá lá. Agora assim... assim mais vale esta ditadura a recibo verde, que é passado aos nossos políticos sempre que há eleições.

18 de nov. de 2008

E na Madeira...

Não quero estar sempre a bater no PSD mas -- depois de me ter controlado em relação ao discurso da lavoura de Manuela Ferreira Leite e do aproveitamento que a ex-ministra da Educação tentou fazer do protesto dos professores -- creio que tenho o dever de o fazer: É um disparate o que diz Paulo Rangel, que o Governo anda a reboque da agenda do PSD, quanto mais não seja porque, parece óbvio, o PSD não tem agenda. E para um partido que não tem sequer agenda (quanto mais propostas alternativas conhecidas) é ainda maior disparate acusar o adversário (que pelo menos tem propostas e agenda) de desorientação.

Gostava de ver o indómito Paulo Rangel a quebrar o silêncio sobre a Madeira. Contra a claustrofobia democrática, isso mesmo...

6 de nov. de 2008

O posto da antiguidade

Antes de ser derrotado nas eleições, John McCain foi várias vezes questionado sobre a eventualidade da derrota. "Ficarei feliz se continuar a ser o senador do Arizona", disse o liberal republicano, de 72 anos. Manuel Monteiro, um dos senadores segundo os editores do comentário político da SIC, dizia amiúde, quando era líder do PP, aos 30 anos, "no meu tempo". O que é certo é que eleitoralmente Monteiro está morto, e que o velho e desarticulado McCain é menino para limpar mais uma eleição no Arizona.

5 de nov. de 2008

Uma culpa poligâmica

É necessário não perdermos o norte. Nos últimos dias, o meu entusiasmo com a eleição americana foi grande. Mas é preciso assentar ideias e olhar à nossa volta. Temos um problema grave na democracia portuguesa.
Toda esta questão do BPN leva-me a uma pergunta muito simples: se o banco existe desde os inícios dos anos 90, se desde aí até hoje passaram cinco - 5 - executivos pelo governo português, digam-me como é possível que ninguém tenha dado conta do que se passava na referida instituição bancária? 
Ouço por aí comentadores nos media a dizer que toda a gente sabia do que se passava. Se assim é, se era do conhecimento público as negociatas do BPN, então responsabilize-se também politicamente quem devia ter detectado tais irregularidades. 
Estou no meu pleno direito de achar que o Estado mais uma vez demonstrou que não é uma pessoa de bem e que o regime está podre.

4 de nov. de 2008

E agora, também devia estar calada?

A Dra. Ferreira Leite não se cala. E só para dizer inverdades e mesquinhices. A Dra. Ferreira Leite está a criticar o Engº Sócrates por que motivo? Não faz sentido, pois não? Nenhum! Se calhar devia falar em percentagens e números e resultados e taxas que é para os portugueses de primeira perceberem.

Lá está ela a mentir outra vez

Provavelmente o melhor é não acreditar que as medidas anunciadas com pompa e circunstância pelo executivo de José Sócrates são apenas ideias vindas de outros lados e que a oposição é que não faz nada. O governo é que é o maior! A oposição só diz disparates e mentiras e contradiz-se e é tudo de mau. O governo é que é o maior, que vai pagar às empresas num gesto altruísta e sem interesse nenhum! E reparem: numa altura de crise!
Isto agora é só pedir à banca o dinheiro que lhe emprestámos para resolver os seus problemas e o assunto está resolvido.

3 de nov. de 2008

O resto

Será só o BPN que está minado de irregularidades? Será que as políticas de resultados levadas a cabo pelos bancos de investimento não estão carregadinhas de malabarice?
Acho curioso como só agora lembraram que a Banca pode, eventualmente, estar apinhada de gente menos séria. Tanta gente a fazer comentário económico e ninguém detectou isso antes? Então estes especialistas todos, que sabem tanto sobre tanta coisa não sabiam disto antes? Aprenderam a linguagem desde quando, do início da crise?
É o progresso e um género de pseudo-intelectualidade financeira.

P.S. A ler o artigo de Rui Moreira no Público de hoje.

15 de out. de 2008

As 7 vidas do menino guerreiro

Parece que a comissão política distrital de Lisboa, do PSD, votou maioritariamente (ou quase por unanimidade, como diriam os populistas) a favor da candidatura de Pedro Santana Lopes à Câmara da capital.
Torna-se difícil dizer quantas vidas tem Santana Lopes ou até que ponto não tem sentido do real. A verdade é que Santana é mesmo um menino guerreiro, já que não foge do confronto político.
Muitas pessoas duvidarão da sua sobriedade ao atirar-se novamente para uma luta. Dirão até que Santana não sabe fazer mais nada. É possível que não saiba. No entanto, também é legítimo pensar que o homem acredita mesmo no seu potencial e nas suas capacidades políticas. Eu não desacredito. Bem sei que é mais fácil fazer aquela imagem de galã do Jet 7, de que o próprio é responsável, e uma imagem de incompetência baseada em pouca coisa. Mas o que é certo é que mais ninguém parece ter capacidade para disputar a CML com António Costa.
A Câmara Municipal de Lisboa é uma casa do tamanho do país e a eleição para a sua representação, além de mediática, envolve um grande arcaboiço político que Santana tem, indiscutivelmente.
Para a CML não são nada positivas estas investidas. A Câmara precisa de estabilidade, a cidade está um estaleiro, o turismo a aumentar substancialmente, o trânsito um caos, a administração uma confusão burocrática, as empresas públicas uma mixórdia sem sentido e é preciso uma resolução final. A candidatura de Santana vai levantar discussões de que a cidade não precisa e pouco colocará em causa a presidência de Costa, por um motivo simples: ir-se-á centrar no que Santana fez ou deixou de fazer.

10 de out. de 2008

Da coragem

Em política é fundamental ter coragem. Os partidos portugueses habituaram-nos, ao longo de três décadas de democracia, a mostrar uma total cobardia no momento de assumir posições impopulares.
Pode parecer que um partido de esquerda, nos tempos que correm, tem de votar favoravelmente a tudo o que são causas fracturantes. Mas não tem, desde que assuma objectivamente a sua posição.
O Partido Socialista sabe que o casamento entre pessoas do mesmo sexo não faz qualquer tipo de sentido, segundo o proposto pelo PEV e BE. Por outro lado, vê-se confrontado com uma esquerda a que tem de agradar - a esquerda moderna, das causas e que vota no PS para que a direita não suba ao poder, num género de estigma incompreensível e ultrapassado, vindo da cabeça do velho Cunhal.
Com tudo isto o Partido Socialista acabou por deixar a sua posição num vazio. Ninguém sabe ao certo o que pensa o Partido Socialista e que ideia de sociedade tem o partido do governo.
É vergonhoso para a democracia ter um partido destes a governar. A sede de poder está lá espetada com um pionés, para quem quiser ver. Tudo no PS é relativo e escorregadio, como sempre foi. É o aparelho que se tem de preservar. Felizmente para os socialistas, a minoria que apoia activamente o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é suficiente para lhes cortar as pernas nas próximas legislativas. É uma cobardia calculista.

7 de out. de 2008

Poupanças? Quais poupanças?

Entrar no site da RTP e ver este conjunto de notícias (I, II, III) dá vontade de perguntar: "quais poupanças, senhor engenheiro?"
Há quem não compreenda porque a taxa só aparece no monitor, não tem correspondência real.