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18 de set. de 2008

Uma prenda

Tome lá esta notícia para comentar à vontade, que a página do Público ainda não actualizou. Diga-nos mestre, que opinião e que ideia nova nos quer dar a partir disto. Por favor, ilumine-nos!

17 de set. de 2008

Rise and Fall

Uma coisa que aprendemos com a História, ou que deveríamos aprender, é que não é o capital que movimenta as sociedades mas sim a fiabilidade e a segurança do seu sistema em comunidade, do seu sistema político. Está nos livros, não é preciso grande ciência para apreciar os Impérios que ao longo dos séculos foram caindo.
A moeda é um instrumento que tem justificado o crescimento, em larga escala, da economia subjectiva. A especulação tem sido o festim do sistema. Mas como em tudo - e lá está mais uma vez a História - o sistema é falível.
Durante todo o século XX os liberais acreditaram que o sistema era infalível. Na sua vaidade não souberam interpretar os sinais. Os nossos políticos, cegos pela ganância, pelo crescimento e pela competitividade, deixaram-se levar e enterraram os Estados em dívidas e promessas que não podiam cumprir, por um simples motivo: objectivamente não tínhamos nada, absolutamente nada.
Se esta cautela foi o trunfo de Salazar para passar o meio-século foi também o que levou o Estado Português a tornar-se num dos mais atrasados da Europa. 
Mas, não é a estabilidade do povo que está em causa? A resposta é sempre afirmativa, mas nenhum Estado pode atrasar a evolução social de um povo só para se proteger da bancarrota.
Os liberais sabiam disto muito bem e fizeram o seu trabalho. Mas o exagero e a vaidade impuseram-se para achar que o Estado devia ser colocado de lado, que só atrapalhava. Primeiro surgiu a ideia de que o Estado deveria ser só regulador, depois, numa postura neo-liberal, que o Estado só servia para atrapalhar.
Tal como nos contos de Mark Twain, todos os homens são fortes até serem confrontados com a sua fraqueza. A fraqueza do sistema liberal é o Estado, a necessidade de Estado, de sistema político, de regras e, claro está, de segurança em todas as matérias.
Por isso não é de estranhar o que se está a passar com os monstros do capitalismo. De facto, não esperava que acontecesse tão cedo, mas aconteceu.
Agora uns tentam dizer que o problema está "a montante", que é uma expressão bonita, mas que realmente é tão óbvia que nem se sabe bem o que pensar. Colocam as culpas no "capitalismo selvagem". Right, right! É evidente que o problema está a montante e é claro que a culpa é do capitalismo selvagem! Esse é que foi o problema que se tentou focar. Onde estavam esses iluminados na altura? A fazer contas e a ler o Jornal de Negócios, porque estava aí o futuro - quais castelos de areia - e era preciso ser pragmático.

Nota 1: este post não tem a intenção de ser provocador, mas é claro que também é dirigido ao yuppie boy por questões óbvias.

Nota 2: Em nenhum momento deste meu comentário deverá ser interpretado algum ressentimento nem é a minha intenção dizer "eu bem avisei". As coisas são como são e temos de saber sobreviver aos problemas que nos aparecem pela frente com sensatez suficiente para sair deles, sem que o orgulho nos corrompa - outra lição da História, da Filosofia e muito da Literatura.

27 de mai. de 2008

O Liberalismo

Dos famosos Pães Quentes e do seu inestimável contributo para a destruição da qualidade da pastelaria portuguesa ninguém duvida - é uma realidade sado-masoquista a que nos entregámos de alma e coração.
Talvez por essa inevitabilidade, o Pão Quente que banha a minha rua pratica um estilo de negócio a que eu poderia chamar excêntrico, se já não tivesse visto Joe Berardo em acção.
Com o aumento da inflação, estas novas mesquitas do pão viram-se obrigadas a subir o preço do pão acima dos 10 cêntimos. No entanto, o sr. X não aumentou o preço, manteve. Podereis vós agora pensar que este herói da acção social estaria a marcar presença no reino dos céus, mas não. Esta inteligência sagrada do pensamento económico - qual João Miranda - reduziu o tamanho do pão para quase metade. Por simpatia, a senhora da mercearia do lado não lhe faz concorrência, embora pudesse arranjar um fornecedor que lhe vendesse um produto de melhor qualidade.
Somos, certamente, um país que pratica um liberalismo, no mínimo, peculiar.

24 de mai. de 2008

Euforia

Não se percebe bem qual a estratégia de Passos Coelho. O candidato começou a aparecer aos poucos, mesmo antes da saída de Menezes.
De repente, já coleccionava uma série de apoios e introduz atabalhoadamente o discurso do liberalismo para o agrado de muita gente e provavelmente suportado por certo grupo.
O candidato tem mantido o discurso sempre no mesmo tom, atacando mais José Sócrates do que o partido, dirigindo-se para o país. Pode parece uma atitude séria de Passos Coelho, no entanto fico sempre de pé atrás quando o dirty job é deixado para outros.

15 de mai. de 2008

Os pais do Amaral

É interessante que o neo-liberalismo ache que tudo se vende e tudo se compra. É interessante que os liberais achem que os países são grandes empresas e estejam dispostos a contribuir para fossos culturais gigantes criando assim um novo conceito de classes sociais - as informadas e as ignorantes. É interessante que num país onde o interesse por si próprio se vai desvanecendo se aceite que qualquer forma de arte ou cultura seja absolutamente controlada pelo capital sem que seja sequer equacionada a sua importância qualitativa. É interessante que se pense que o importante para o gestor é rentabilizar, mesmo quando se trata de um evento que tenta contribuir para questões mais elevadas que isso. É interessante porque o que se quer é ganhar dinheiro para se viver bem. Mas será que podem viver bem sem uma comunidade minimamente estável?