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21 de out. de 2008

Foi-se o argumento II...

O Bloco de Esquerda é um partido de poucas responsabilidades. Nunca formou governo, tem uma história curta e o número de deputados, conjugado com as maiorias socialista actual e de direita no passado, nunca lhe permitiu ser útil para chumbar ou aprovar o que quer que fôsse. E por ter poucas responsabilidades, tem tendência para criticar, tudo e todos, por tudo e por nada. Enquanto mantiverem esta dimensão estão a salvo. Nem suficientemente pequenos para serem calcados, nem suficientemente grandes para causarem mossa. Francisco Louçã é o rei das meias verdades ou verdades deturpadas e das insinuações. Daniel Oliveira segue-lhe as pisadas. Na tentativa cega de defender o Bloco usa a parte da verdade que mais lhe interessa e esquiva-se às perguntas inconvenientes. À sua imagem, o Arrastão sempre foi isso mesmo. Liberdade de discussão, mas só até onde dá jeito. Os argumentos esgrimem-se até ao último sinal vital, mas só os que lhe são favoráveis. Já estávamos habituados. Com a chegada dos Pedros, renasceu a esperança. Um, o Vieira, é a forma, cool profile e rabisca umas coisas. O outro, o Sales, é mais conteúdo. Parecia-me mais contido, mais preparado e mais responsável que Daniel Oliveira. Ainda o acho, mas os tiques de Bloco e de Arrastão começam a aparecer.
Há dias, discutia-se no Arrastão a garantia dada pelo Estado Português à Banca. Questionava-se a legitimidade e a forma. A discussão preferiu a legitimidade e atacou ferozmente a banca culpando-a de toda esta situação. Advogaram mesmo, que o melhor era não dar a garantia e fazer o pecador cumprir a sua pena. Quando foram confrontados com os despedimentos, outros cortes na despesa e cortes no financiamento, como medidas para a banca prescindir da garantia, meteram em prática a técnica Bloquista, - esquece-se aquela via de discussão e abre-se outra. É sempre salutar. Mas o mais interessante da questão nem é isto. Hoje, sai a notícia de que BCP, BES, CGD e Montepio, não usarão seguramente, a garantia em 2008. Banif, BPI e Santander preferem uma posição mais cautelosa e dizem que só tomam decisão depois de estudarem exaustivamente a portaria, - a prova cabal de que estas instituições não estão aflitas e só recorrerão à garantia caso esta lhes seja favorável. Sobra o BPN, esse sim, candidato já assumido a 600 milhões e candidato potencial a outro tanto ou mais ainda. Mas a situação do BPN, banco integrado na Sociedade Lusa de Negócios reveste-se de outros contornos, - mais sombrios e mais a roçar a ilegalidade do que a má gestão. E isto, é condenável em qualquer actividade. Seja na banca, seja em qualquer outra.

10 de set. de 2008

tanto vai o cântaro à fonte...

Os piscares de olhos do Partido Socialista não param. Depois de Helena Roseta ter ido dar uma mão a António Costa (nada contra) parece que o tão anunciado think tank socialista já começa a cativar até os mais arrivistas à esquerda. Reflexão, chamam-lhe eles.  Os elogios vão de lés a lés, de Santos Silva ao próprio José Sócrates. Afinal somos todos amigos e a esquerda é uma grande família. Só falta Manuel Alegre juntar-se ao coro e Louçã aceitar uma coligação. Tudo pela grande nação socialista. Aceitam-se até os rótulos de social-democracia, que afinal é bem vinda, não tivesse ela nascido à esquerda.
Minhas senhoras e meus senhores, apresentamos: o Socialismo Europeu (ou a continuação de vota no PS mesmo quando não merece).

11 de ago. de 2008

De quantas verdades se faz uma mentira?

Há algum tempo atrás um blogue, de seu nome Barnabé, acabou por causa de um libertário com fortes tendências para ditador. Esse ditadorzeco chama-se Daniel Oliveira e é hoje conhecido por aquilo a que alguns chamam "opiniões". Por vezes na televisão podemos vê-lo a falar de democracia e das maravilhas da divergência. Depois surpreendemo-nos quando o rapaz estrebucha por haver opiniões contrárias. Porque uma coisa é gostar da divergência e outra coisa é não aceitar ideia diferente.
Hoje, mal acordei e fazendo uma revista pela blogosfera, deparo-me com este panorama no 5 Dias. Um dos colaboradores parece não ter uma opinião coincidente com o resto da tropa. O que para muitos seria um sinal de diversidade e, como tal, uma prova de que o 5 Dias se desmarcava a passos largos dessa esquerda de pensamento totalitário; para outros é um desvio daquilo que é o próprio blogue, ou seja, do pensamento único que deve regrar todos os colaboradores.
Afoito, o carniceiro foi logo escrever um texto sobre esse opinador que estava a destruir os pilares da esquerda moderna - qual libertário institucionalizado - na tentativa de atingir todo o 5 Dias, tal como tinha feito no seu Barnabé (e aquele não lhe pertence). Já estamos a ver o grande defensor da diversidade nervoso e irritado como uma criança de 7 anos.
Agora é esperar para ver. Certamente que muitos dos colaboradores do 5 Dias não têm esta mentalidade do Daniel. Mas ao ver as reacções de Luis Rainha e Fernanda Câncio sabemos já que existe algum mau estar.
Era uma pena que um blogue de gente tão nova e com vontades tão democráticas se extinguisse por divergência de opinião. Mas quem lhes conhece a história já estaria, de certo modo, à espera.

8 de jun. de 2008

Clubite aguda

Quem conhece bem as zonas suburbanas do litoral e o interior do país conhece o fenómeno da clubite política estilo PREC (se não estiver demasiado dentro dela). Por lá o PS e o PSD funcionam como o Porto e o Benfica, respectivamente. Houve tempos em que era costume ouvir um slogan de campanha que mais parecia dedicação futebolística: "vota no PS mesmo quando não merece".
A esquerda, principalmente, manteve sempre uma atitude de ódio pelo adversário, como quem diz "se ganha este partido democrata a seguir metem-nos numa ditadura, esses fascistas". Influenciada por uma mentalidade proletária de perseguição dos fracos e oprimidos, nunca conseguiu compreender o sentido da democracia e agarrou-se aos seus partidos como se fossem clubes de futebol que seguem cegamente.
Talvez seja isso que justifica certas incoerências na avaliação de atitudes políticas. O que nuns é fascismo e canalhice, noutros é uma mera decisão errada. Senão, vejam esta posição e avaliem em relação a outras personagens. Torna-se tão evidente que a atitude teria sido outra e não este textinho sereno de explicação e entendimento.
Eu tinha vergonha.

2 de jun. de 2008

Surpreendidos?

O Daniel Oliveira fez um post muito engraçado*. Não engraçado ahahah, mas sim engraçado porque não deixa de ser irónico que as pessoas que mais tentam denegrir algum patriotismo, que mais tentam deitar abaixo as tradições, se tenham apercebido que a confusão gerada faz todo o sentido.
Com o país no estado em que se encontra, com a crise social e económica, com o défice cultural e com a classe política e crítica que temos, é natural que o único orgulho das massas seja a bola. Ainda assim, a selecção é a única que joga com as cores do país.


*O título é genial.

29 de mai. de 2008

Tudo isto é muito engraçado

Andava a ver opiniões sobre o debate de hoje e fui dar ao Arrastão, onde o Daniel Oliveira tenta ter uma visão distante do PSD. Tirando o seu habitual desprezo pelos partidos à direita - velho hábito da esquerda adolescente - está bastante engraçado.

Informa-nos (avisa-nos?) também o Daniel que vem aí um ataque massivo da esquerda contra a esquerda, mas a primeira é mais esquerda do que a segunda que é só meia-esquerda. Não deixa de ser engraçado acharem que só o PSD está a passar por uma crise ideológica. Não deixa de ser engraçado falar-se em crise ideológica.


P.S. Se o Daniel quiser conheço imensas histórias de listinhas dos partidos com mortos, semi-mortos e vivos a triplicar.