O Bloco de Esquerda é um partido de poucas responsabilidades. Nunca formou governo, tem uma história curta e o número de deputados, conjugado com as maiorias socialista actual e de direita no passado, nunca lhe permitiu ser útil para chumbar ou aprovar o que quer que fôsse. E por ter poucas responsabilidades, tem tendência para criticar, tudo e todos, por tudo e por nada. Enquanto mantiverem esta dimensão estão a salvo. Nem suficientemente pequenos para serem calcados, nem suficientemente grandes para causarem mossa. Francisco Louçã é o rei das meias verdades ou verdades deturpadas e das insinuações. Daniel Oliveira segue-lhe as pisadas. Na tentativa cega de defender o Bloco usa a parte da verdade que mais lhe interessa e esquiva-se às perguntas inconvenientes. À sua imagem, o Arrastão sempre foi isso mesmo. Liberdade de discussão, mas só até onde dá jeito. Os argumentos esgrimem-se até ao último sinal vital, mas só os que lhe são favoráveis. Já estávamos habituados. Com a chegada dos Pedros, renasceu a esperança. Um, o Vieira, é a forma, cool profile e rabisca umas coisas. O outro, o Sales, é mais conteúdo. Parecia-me mais contido, mais preparado e mais responsável que Daniel Oliveira. Ainda o acho, mas os tiques de Bloco e de Arrastão começam a aparecer.
Há dias, discutia-se no Arrastão a garantia dada pelo Estado Português à Banca. Questionava-se a legitimidade e a forma. A discussão preferiu a legitimidade e atacou ferozmente a banca culpando-a de toda esta situação. Advogaram mesmo, que o melhor era não dar a garantia e fazer o pecador cumprir a sua pena. Quando foram confrontados com os despedimentos, outros cortes na despesa e cortes no financiamento, como medidas para a banca prescindir da garantia, meteram em prática a técnica Bloquista, - esquece-se aquela via de discussão e abre-se outra. É sempre salutar. Mas o mais interessante da questão nem é isto. Hoje, sai a notícia de que BCP, BES, CGD e Montepio, não usarão seguramente, a garantia em 2008. Banif, BPI e Santander preferem uma posição mais cautelosa e dizem que só tomam decisão depois de estudarem exaustivamente a portaria, - a prova cabal de que estas instituições não estão aflitas e só recorrerão à garantia caso esta lhes seja favorável. Sobra o BPN, esse sim, candidato já assumido a 600 milhões e candidato potencial a outro tanto ou mais ainda. Mas a situação do BPN, banco integrado na Sociedade Lusa de Negócios reveste-se de outros contornos, - mais sombrios e mais a roçar a ilegalidade do que a má gestão. E isto, é condenável em qualquer actividade. Seja na banca, seja em qualquer outra.