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19 de set. de 2008

Os imprudentes

É evidente que fica bem dizer no meio dos camaradas de uma esquerda ampla que ser-se de esquerda é ser-se imprudente. É claro que quem diz "amar a imprudência" também acaba por ter de se sustentar, mais tarde, e ceder à pressão e opressão do terrível mundo novo. A estas pessoas chamamos adolescentes.
Manuel Alegre é o eterno adolescente do Partido Socialista. Mas desta vez talvez vá ouvir de onde não queria - dos seus camaradas da esquerda abstracta que votaram nele porque o homem era imprudente, um libertário, um homem novo e livre.
É disto que a esquerda vive, essa esquerda que está preocupada em resolver o casamento, só para chatear, disfarçando com uma preocupação de "direitos fundamentais" como se pode ler neste comunicado da Ilga Portugal (via 5 dias).
A total falta de responsabilidade, de sentido de comunidade, de segurança e estruturação social sólida dá nisto - na rebeldia, na adolescência eterna.
Num país onde os problemas se acumulam - como bem lembra o imprudente - a preocupação da esquerda rebelde e fracturante é casar pessoas do mesmo sexo, como se a lei fosse um local de reconhecimento da sexualidade, ou melhor, como se a sexualidade fosse reconhecida por lei. É toda esta falta de consciência da função das instituições que assusta, porque para já o Partido Socialista não avança, mas noutra altura em que a necessidade de demagogia for mais importante que a solidez de uma sociedade, não tenho dúvidas que a imprudência triunfe.

17 de set. de 2008

A esquerda unida

Parece que Manuel Alegre foi deixado de fora da Fundação Res Pública. Afinal, parece que esse grupo de reflexão não é assim tão aberto quanto isso. O ressentimento é algo típico no Partido Socialista que, como sempre defendi, é um partido sectarista, de aparelho, de sistema. É claro que a direcção do PS não é obrigada a convidar ninguém, mas todos reconhecemos a importância de Manuel Alegre, pelo menos a avaliar pelo resultado que obteve nas presidenciais.
Estranho é os sempre atentos esquerdistas nada terem dito em relação a isto. É o costume. A esquerda além de imprudente também é descomprometida.

10 de set. de 2008

tanto vai o cântaro à fonte...

Os piscares de olhos do Partido Socialista não param. Depois de Helena Roseta ter ido dar uma mão a António Costa (nada contra) parece que o tão anunciado think tank socialista já começa a cativar até os mais arrivistas à esquerda. Reflexão, chamam-lhe eles.  Os elogios vão de lés a lés, de Santos Silva ao próprio José Sócrates. Afinal somos todos amigos e a esquerda é uma grande família. Só falta Manuel Alegre juntar-se ao coro e Louçã aceitar uma coligação. Tudo pela grande nação socialista. Aceitam-se até os rótulos de social-democracia, que afinal é bem vinda, não tivesse ela nascido à esquerda.
Minhas senhoras e meus senhores, apresentamos: o Socialismo Europeu (ou a continuação de vota no PS mesmo quando não merece).

11 de ago. de 2008

De quantas verdades se faz uma mentira?

Há algum tempo atrás um blogue, de seu nome Barnabé, acabou por causa de um libertário com fortes tendências para ditador. Esse ditadorzeco chama-se Daniel Oliveira e é hoje conhecido por aquilo a que alguns chamam "opiniões". Por vezes na televisão podemos vê-lo a falar de democracia e das maravilhas da divergência. Depois surpreendemo-nos quando o rapaz estrebucha por haver opiniões contrárias. Porque uma coisa é gostar da divergência e outra coisa é não aceitar ideia diferente.
Hoje, mal acordei e fazendo uma revista pela blogosfera, deparo-me com este panorama no 5 Dias. Um dos colaboradores parece não ter uma opinião coincidente com o resto da tropa. O que para muitos seria um sinal de diversidade e, como tal, uma prova de que o 5 Dias se desmarcava a passos largos dessa esquerda de pensamento totalitário; para outros é um desvio daquilo que é o próprio blogue, ou seja, do pensamento único que deve regrar todos os colaboradores.
Afoito, o carniceiro foi logo escrever um texto sobre esse opinador que estava a destruir os pilares da esquerda moderna - qual libertário institucionalizado - na tentativa de atingir todo o 5 Dias, tal como tinha feito no seu Barnabé (e aquele não lhe pertence). Já estamos a ver o grande defensor da diversidade nervoso e irritado como uma criança de 7 anos.
Agora é esperar para ver. Certamente que muitos dos colaboradores do 5 Dias não têm esta mentalidade do Daniel. Mas ao ver as reacções de Luis Rainha e Fernanda Câncio sabemos já que existe algum mau estar.
Era uma pena que um blogue de gente tão nova e com vontades tão democráticas se extinguisse por divergência de opinião. Mas quem lhes conhece a história já estaria, de certo modo, à espera.

8 de ago. de 2008

Conveniência

Se há coisa que caracterize a esquerda, antiga ou moderna, mal ou bem pensante, é a conveniência da peixeirada que costumam armar. Ao longo do ano têm sido muitas. Desta vez, com a história do Presidente da República restringir o espaço aéreo à volta de sua casa, a coisa não lhes calhou bem.
Sem temas fracturantes (palavra que odeiam visceralmente por os fazer passar por patetas) refugiam-se no que vai aparecendo e esta história é um big nothing.
Entretanto o encontro de jovens bloquistas demonstra o quão diferentes são dos outros, como faz ver, e bem, FJV no post anterior.

A magia da imprudência

O Acampamento de
Jovens do Bloco de Esquerda começou ontem em São Gião, na Serra da Estrela, mas
só hoje se iniciam os ‘workshops’, debates e animação restante. Das 17 às 19 há
dois ‘workshops’ – um subordinado ao tema ‘Stencil/Subvertize’ e um outro com a
designação de ‘Brinquedos Sexuais’ (amanhã é ‘Massagens’). Longe da pátria real,
festejo a escolha e assinalo o horário, muito relaxante, quase crepuscular,
diante do horizonte das montanhas, convidando à lassidão ou à contemplação. A
rapaziada sabe o que é bom. Se há quem critique os programas da ‘jotas’ por
tratarem de instrumentalizar e banalizar o pessoal que um dia gostaria de ser
director-geral ou amanuense de nível superior, pois aqui está um exemplo de
labor político original. Oxalá não se magoem. Nunca se sabe.

Francisco José Viegas

6 de jul. de 2008

Desprezível

Isto é muito mau! Não é uma piada, não tem sequer graça e não é um símbolo de liberdade, é um símbolo de falta de respeito. Não o respeitinho, mas aquele respeito que a esquerda exige dos outros em relação àqueles de quem julga ser defensora oficial. É uma falta de respeito democrático e uma mostra de falta de diversidade em relação aos católicos e a todos aqueles que discordam das suas posições. A esquerda acha que é irreverência. A experiência diz que é histeria e provocação adolescente que só pode ser reprovada.

10 de jun. de 2008

Ufa!!!

Uma lufada de ar fresco para a esquerda. O Presidente (conotado à direita) comete uma gaffe.

(Ler, a este respeito, este post do Nuno Miguel Guedes no 31.)

9 de jun. de 2008

Da autoridade moral

Como era de esperar, caso viesse a tomar posição - o que acabou por acontecer -, Pedro Sales não só defende mas também ataca. E quem é que ataca? Os bandidos que lá estiveram, esses malfeitores da direita que só querem o mal do espaço público, que como se sabe é pertença da esquerda - a única defensora dos seres humanos. O pobre Sá Fernandes, coitado, nada tem a ver com isto e é tudo perseguição. Provavelmente inveja e coisas que tais.
Se calhar é o calor que está a toldar o cérebro do Pedro Sales, mas uma coisa lhe garanto: no dia em que vossa excelência se atirar a alguém da direita para dizer o que quer que seja, que venha com moralismos de seriedade e de negociatas, este seu post vai ficar guardado, meu caro.
Sabe Pedro Sales, não se trata da decisão política em si, mas de quem a tomou e daquilo que apregoou aos sete ventos pelas colinas de Lisboa. Não só ele mas também vocês.
O que teria acontecido se fosse no executivo de Carmona? Acho que sabe a resposta.

8 de jun. de 2008

Clubite aguda

Quem conhece bem as zonas suburbanas do litoral e o interior do país conhece o fenómeno da clubite política estilo PREC (se não estiver demasiado dentro dela). Por lá o PS e o PSD funcionam como o Porto e o Benfica, respectivamente. Houve tempos em que era costume ouvir um slogan de campanha que mais parecia dedicação futebolística: "vota no PS mesmo quando não merece".
A esquerda, principalmente, manteve sempre uma atitude de ódio pelo adversário, como quem diz "se ganha este partido democrata a seguir metem-nos numa ditadura, esses fascistas". Influenciada por uma mentalidade proletária de perseguição dos fracos e oprimidos, nunca conseguiu compreender o sentido da democracia e agarrou-se aos seus partidos como se fossem clubes de futebol que seguem cegamente.
Talvez seja isso que justifica certas incoerências na avaliação de atitudes políticas. O que nuns é fascismo e canalhice, noutros é uma mera decisão errada. Senão, vejam esta posição e avaliem em relação a outras personagens. Torna-se tão evidente que a atitude teria sido outra e não este textinho sereno de explicação e entendimento.
Eu tinha vergonha.

4 de jun. de 2008

Pequeno Louçã


O mesmo encolher de ombros, a mesma acentuação tónica, os mesmos gestos, o mesmo discurso cheio de rodriguinhos com frases extensas para dizer coisas simples. Há coisas que nem daqui a 100 anos mudarão.

29 de mai. de 2008

Tudo isto é muito engraçado

Andava a ver opiniões sobre o debate de hoje e fui dar ao Arrastão, onde o Daniel Oliveira tenta ter uma visão distante do PSD. Tirando o seu habitual desprezo pelos partidos à direita - velho hábito da esquerda adolescente - está bastante engraçado.

Informa-nos (avisa-nos?) também o Daniel que vem aí um ataque massivo da esquerda contra a esquerda, mas a primeira é mais esquerda do que a segunda que é só meia-esquerda. Não deixa de ser engraçado acharem que só o PSD está a passar por uma crise ideológica. Não deixa de ser engraçado falar-se em crise ideológica.


P.S. Se o Daniel quiser conheço imensas histórias de listinhas dos partidos com mortos, semi-mortos e vivos a triplicar.