11 de fev. de 2009

Portugal, o país da inovação

A nova lei das uniões de facto entrou em vigor a 11 de Maio de 2001. Nela pode ler-se,

1 - A presente lei regula a situação jurídica de duas pessoas, independentemente do sexo, que vivam em união de facto há mais de dois anos...

1331

Já não é a primeira vez que deparo com lutas quixotescas por parte de ambientalistas. Quase nunca tem razão. Mas desta vez acho que a tem. Cortar 1.331 sobreiros centenários, para dar lugar à construção de mais um centro comercial, e mais um estádio de futebol, não é utilidade pública. A sociedade não tem dinheiro nem para compras, nem para ir ao futebol, e o Vitória de Setúbal nem dinheiro tem para pagar aos jogadores, quanto mais para sustentar um estádio novo.
Desta vez não é fundamentalismo.

Do antigamente

O tempo e o espaço são tudo. Impelido pela nostalgia dos tempos de estudante revisitei um velho restaurante que frequentava na altura em que o bilhete de cinema ainda tinha desconto. Nesses tempos, o dono passava todo o tempo ébrio, a filha deste, tipo barril, do alto dos seus 10 anos dava ordens a todos e o olhar, quer de um quer de outro, matava sempre que se pedia mais um guardanapo para limpar a louça que metia dó. Ontem, fruto de uma cirrose que ameaça ou de uma cirrose já ultrapassada, as bochechas do tipo largaram o tom rosa, a louça vinha limpa e os guardanapos abundavam, bem como o aço-inox. O polvo, o polvo à pescador que me levava lá, era o mesmo e igualmente bom, mas agora, o vinho sabe mal e quase não passa na garganta, as batatas que acompanham têm demasiado óleo e as sobremesas hiper-calóricas caducaram a licença no Natal. Fico sem saber se é a ASAE ou os anitos em cima que me estragaram a refeição mas que o Adão já não é o que era, isso é inegável?

Como era no principio, agora e sempre

A Igreja Católica tem em Portugal demasiado poder. Gera muita receita, tem ainda alguns fieis e arroga-se contra-poder. Este aviso prova isso mesmo. Quer intimidar e mais ainda aproveitar a discussão para obter protagonismo, que lhe vem sido negado. Vai sair gorado como saiu o boicote de Pinto da Costa a Rui Rio. A sociedade acredita muito pouco em gente que é contra o progresso e amarrada a um passado que já foi feliz...

10 de fev. de 2009

Bye Bye

Mister Scolari a nadar em Inglaterra... Tipo Michael Phelps.

Da especulação

Tenho escrito aqui várias vezes que o sistema financeiro não aprendeu nada com esta crise. Foram feitas algumas alterações mas apenas para fora, - aumento de spreads, diminuição do risco, etc. Lá dentro, na sua orgânica interna, nada mudou e a especulação continua a ser palavra. Hoje, a Euribor a 3 meses, colocou-se abaixo da barreira dos 2%, valor para a taxa de referência da zona Euro com o mercado a especular já na eventual baixa de taxa do BCE na próxima reunião de Março. Trichet está entre a espada e a parede. Se por um lado quer manter a taxa num valor que lhe confira poder de acção caso seja necessário e portanto mantê-la nos 2%, vê a inflação e o crescimento económico a baixarem, juntando-se-lhes agora a pressão do mercado para acompanhar a descida das Euribor. Caso Trichet mantenha a intransigência, algo que mais do que nunca parece impossivel de acontecer, mas nunca se sabe, chegará aos mercados uma nova onda de instabilidade e de alta generalizada de Euribor arrastando consigo quem ainda não se refez do desastre de Outubro.
Nos próximos dias é expectavel que a taxa a 6 meses quebre tambem a barreira. Depois é só aguardar uns dias e ver o BCE a baixar o juro, seguramente para valores abaixo de 1,5%. É o poder político e regulador a andar atrás do mercado, uma cena já vista e com os resultados que conhecemos.

Decidam-se

Não me chateia nada que alguém diga que não vota no PS e em José Sócrates porque ele é isto ou aquilo. O que me irrita solenemente é a frequente resposta sobre a alternativa: "sei lá, ele é que não..."!!!!!!???????

Proteccionismos

Sobem de tom os receios quanto à possível adopção de medidas proteccionistas por parte de alguns governos para fazer face à crise (de confiança) que alastra pelo mundo. Também me parece ser um caminho perigoso e que pouco ou nada vai contribuir para que a médio prazo o mundo entre nos eixos outra vez. A ilusão do proteccionismo passa pela miragem da autosuficiência de cada Estado. O que, na prática, é impossível. É verdade que há alguns anos que o mundo se debate com agressivas políticas proteccionistas e de verdadeiro dumping por parte de algumas das chamadas economias emergentes. Mas isso vai custar-lhes muito caro (como já está a acontecer na China, por exemplo). Apesar de todos os seus defeitos, a globalização tirou milhões de pessoas da pobreza, democratizou o acesso a bens de consumo e refinou a exigência de muita gente que durante décadas se viu com menos que nada. Onde a globalização falhou, e redondamente, foi na adopção de mecanismos de controlo e supervisão dos mercados financeiros, dando rédea livre a perigosas actividades especulativas, que ruíram sem dó nem piedade. E esse é o grande problema a resolver nos próximos tempos. Mas que deve ser resolvido internacionalmente, através de uma verdadeira conjugação de esforços e políticas. O proteccionismo é o passo final para o abismo perto do qual já nos encontramos. O pobrezinhos mas honrados e o quem não tem dinheiro não tem vícios são teorias à Medina Carreira. Sem substância e sem futuro.

9 de fev. de 2009

o profe

O que sempre me irritou nos professores é aquela mania que sabem. Isso é dizerem coisas evidentes como se fosse algo que lhes tivessem saído após aturado raciocínio. Isso e engarem, usarem truques para mostrar que estão certos. Agora percebo porque o Pulido Valente insiste em chamar professor Cavaco ao Cavaco e ao Presidente Cavaco.

Um PSD à imagem do país

As considerações que Marcelo Rebelo de Sousa teceu ontem sobre Manuela Ferreira Leite há muito que vêm sido escritas aqui na blogosfera. A Senhora não cativa e não consegue chegar ao eleitorado, repelindo-o até. Mesmo com o caso Freeport a manchar a imagem de José Sócrates e o governo PS, os Sociais Democratas não se conseguem aproximar (existe uma sondagem que aponta o contrário) e Manuela Ferreira Leite consegue mesmo perder popularidade. Parecem portanto chegados ao fim os tempos de liderança da dama de ferro onde já só se depositavam esperanças numa boa governação, que agora sabemos inatingivel, uma vez que já provou por todas as peripécias, gaffes e momentos falhados que não sabe fazer oposição. Sem Presidente, sem governo e sem oposição é fácil entender a estado em que nos encontramos.

Stolen Weekend Sadness

Para os clubes pequenos, é sempre motivo de grande alegria conquistar alguma coisa ao Benfica.
Nem que seja um ponto.
Nem que seja um penálti.

7 de fev. de 2009

Flooded Weekend Passions

site clicando na foto

Nos dias cinzentos - negros neste caso - os que nos são próximos e uma paisagem arrebatadora são uma boa ajuda.

Conterrâneo



Ministro Santos Silva a malhar na direita.

6 de fev. de 2009

Tinha de ser em Samora Correia, entre Paio Pires, a Coina e a Moita

Mas o homem não compreende. Ou finge não compreender. Diz que não foi ele a fazer o turno da noite. Balbucia, com evidente nervosismo, que o banco pode ter-se enganado.

Paulo Moura, no Público, conta uma história. Apenas e sobretudo. Assustadora.

Michael Phelps

A IMPORTÂNCIA DA RESPIRAÇÃO NO ESTILO CRAWL :
A técnica respiratória deriva do movimento alterno dos braços e da posição ventral do corpo com a cabeça submergida. O tempo de inspiração efectua-se no final do impulso ou ao iniciar-se o regresso à superfície do braço do mesmo lado para onde a cabeça gira.
A expiração, sempre progressiva, corresponde habitualmente a outras fases do ciclo de trabalho de braços.

5 de fev. de 2009

The sour side of business

Durante largos meses, anos até, os mercados estiveram em crescendo. Era o tempo em que num mês quase se duplicava a fortuna. Os proveitos financeiros eram grandes, melhorando as pretações de qualquer administração e permitindo a alavancagem de investimentos dando as participações financeiras como garantia. Those were sunny days...
Agora o tempo está cinzento, e o ricochete atinge-nos a uma velocidade estonteante. O PSI 20, e mesmo o geral, nã são excepção e todas as participações cruzadas que existem fazem agora mossa. O valor do activo a preço de mercado é agora muito mais baixo quando comparado com a última avaliação ou aquisição, e chega em casos extremos - ver notícia sobre Teixeira Duarte - a colocar o activo total abaixo do passivo, o que configura uma falência técnica. It's the dark side. Deal with it...

Viúva Clicó

No filme O Leão da Estrela, António Silva, 'lagarto', após um clássico entre o FCP e o SCP dirige-se com o seu amigo 'tripeiro' a um bar em Espinho. Feliz por ter vencido, o "Sr. Anastácio" (António Silva) pede uma garrafa de espumoso Viúva Clicó, numa interpretação fantástica e hilariante.
Por mera coincidência, ontem foi o que eu bebi. Veuve Clicquot.
Que bem que me soube.

4 de fev. de 2009

É bem feito!

Não simpatizo com o FCPorto. Pronto, já disse. Agora já sabem.
Cumprir castigos, testar juniores, ou mesmo viajar de comboio antes de um derby também não ajuda a simpatizar. Não tenho nada contra a utilização de transportes mais económicos e mais 'limpos', ou contra a utilização de jogadores menos experientes, ou mais novos. Bem pelo contrário. Mas acho que o desinteresse que o FCP mostrou pela Taça da Liga e o desrespeito que revelou por um clássico com o SCP mereceram os 'olés' e a goleada.
Estão a poupar-se para o Benfica do próximo fim-de-semana?
É só nisto que Jesualdo pensa?
Pensa pequeno.

Bulhão Pato

Para quem não sabe, Raimundo António de Bulhão Pato nasceu em 1828, foi um poeta, ensaísta, memorialista, sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa e colaborador em diferentes jornais. Duas vezes foi convidado para deputado, mas sempre se recusou.
Não escrevia muito bem, acabando por ficar imortalizado não pelos seus poemas, mas sim pela sua famosa receita de amêijoas: azeite, alho, coentros, vinho, limão, sal e pimenta.
Em Portugal nem tudo está bom como as amêijoas. Também não sou daqueles que dizem que lá fora é que é. Simplesmente acho que perdemos muito tempo a evidenciar as coisas más, e pouco as boas.
Quando ouço as notícias, comento, respondo e falo. Estou igual à minha Avó, que dialogava horas com aquele écran a preto e branco. Às vezes penso: como eu gostava de responder a estas notícias, como eu gostava que estes gajos me ouvissem.
Hoje o País continua cinzento, igual à televisão dos meus antepassados. A diferença é que não precisamos de responder a caixotes.
Apesar das semelhanças com Bulhão Pato e com a minha Avó, os tempos mudaram, e hoje existem outras formas de comunicar.
Esta Sociedade é uma delas.

Da perseguição

Os ratings de BPI, BES e BCP estão sob vigilância negativa na Standard & Poors. Depois de Estado, empresas do Estado e grandes grupos empresariais privados surge agora a banca. É incontornavel a crise financeira e as dificuldades que ela acarreta para todos. Existe mais dificuldade hoje em fazer face à divida do que há meio ano atrás, o que leva as agências de rating a rever em baixa os indices dos visados. Até aqui dou de barato. Mas se para Potugal as coisas estão complicadas, não estão melhores na Irlanda, a Bélgica vê a banca a esvair-se e França, Alemanha e Inglaterra é melhor nem trazer ao barulho. Já os números, esses dizem o contrário, - Portugal, Espanha, Itália e Grécia veêm os seus indices baixar ao passo que todos os outros se mantêm. Interessa-me Portugal e, neste post, a banca particularmente, que é só a que melhor se portou em toda esta crise ficando imune às maiores fraudes - muito por falta de fundos para investir - e com incumprimentos despreziveis quando comparados com a Banca Europeia e Norte-Americana.
Mesmo assim, os indices foram para nós revistos em baixa o que cria ainda maiores dificuldades à banca Portuguesa, vendo-se obrigada a pagar mais (o dinheiro que compra fica mais caro) por menos (fica mais dificil o acesso a financiamento estrangeiro). Escusado será dizer que quem paga tudo isto é o contratante de empréstimo bancário que tem visto o spread a aumentar desde o inicio desta crise. Ou seja, o spread que os bancos agora praticam englobam a sua margem de lucro e ainda o diferencial entre a taxa referência do BCE (2%) e o real preço a que pagam o dinheiro.