4 de nov. de 2008

E agora, também devia estar calada?

A Dra. Ferreira Leite não se cala. E só para dizer inverdades e mesquinhices. A Dra. Ferreira Leite está a criticar o Engº Sócrates por que motivo? Não faz sentido, pois não? Nenhum! Se calhar devia falar em percentagens e números e resultados e taxas que é para os portugueses de primeira perceberem.

Lá está ela a mentir outra vez

Provavelmente o melhor é não acreditar que as medidas anunciadas com pompa e circunstância pelo executivo de José Sócrates são apenas ideias vindas de outros lados e que a oposição é que não faz nada. O governo é que é o maior! A oposição só diz disparates e mentiras e contradiz-se e é tudo de mau. O governo é que é o maior, que vai pagar às empresas num gesto altruísta e sem interesse nenhum! E reparem: numa altura de crise!
Isto agora é só pedir à banca o dinheiro que lhe emprestámos para resolver os seus problemas e o assunto está resolvido.

Election day

A eleição de hoje no Estados Unidos é de uma enorme importância. Ali vai-se julgar a administração Bush e vai-se decidir o futuro do país a nível interno e as novas relações externas.
McCain escolheu mal a estratégia e falhou. Obama manteve-se firme e não quebrou. Mais logo saberemos se é esse o entendimento do povo americano e ficamos expectantes.
De resto, já muito se fala e analisa por aí esta eleição. Os resultados dirão de sua justiça.

BPN II - a "nacionalização"

Cabe à CGD decidir o rumo do BPN. Cabe à CGD honrar os compromissos para com os clientes do BPN. Cabe à CGD indemnizar os accionistas (apenas os que não sejam constituidos arguidos no processo). Isto configura mais uma compra que uma nacionalização. A CGD é um banco público mas ainda assim, uma empresa. Que o Estado, por força da sua ligação ao banco público lá recrutasse os recursos humanos necessários, 100% de acordo. Que aproveitasse o know-how, 200%. Que fosse a CGD a financiar a "nacionalização", enos mal. O que me parece errado é o Estado entregar a uma empresa algo que supostamente havia nacionalizado.
O grosso dos problemas do BPN vêm das empresas pertencentes à SLN que sustentou, das megalomanias do seu ex-presidente e das dívidas contraídas por alguns accionistas. Estes três problemas, são à partida resolvidos com a necessária injecção de capital e afastamento dos culpados. O afastamento já havia sido tratado há uns meses atás com o saneamento de José Oliveia e Costa e restante matilha, falatava, ou falta, o capital. E é aqui que a história da "nacionalização" fica sombria. Ao contrário do que se diz, o BPN é um banco apetecivel com uma carteira de clientes muito especifica e que constitui uma mais-valia para quem o adquire. Compradores não faltavam. O que faltava era dinheiro para o comprar. O Estado é aqui o grande marionetista. Deixa cair, compra em saldos e dá de presente, - a CGD vai necessitar de aumento de capital para toda esta operação e está bom de ver quem o fará. Apesar de o presente não agradar ao menino Faria, mais apostado no mercado Espanhol e farto do pequeno rectângulo, é um presente gigante.
Antes da nacionalização existiam três vias: deixar cair, vender a retalho ou reerguer e vender. A mim parece-me que a 4ª é mais apeticivel, - reerguer ganhando mercado que a CGD não tinha, nem teria, e manter. Tudo isto, barato e pago pelo paizinho que somos todos nós.

Faltou mea culpa

Na conferência de imprensa que deu apó a nacionalização do banco, Cadilhe criticou, e bem, o BdP. Vitor Constâncio sai muito mal na fotografia. Não fez o que lhe competia e deixou que a situação no BPN chegasse ao limite, ou para lá dele. As peripécias que foram acontecendo no banco, e isto durante anos a fio, obrigavam a que no mínimo o BdP mantivesse olhar atento. Não o fez e o resultado está à vista.
Mas não foi Vitor Constâncio que tomou as decisões ou avançou para actos menos claros, para não dizer ilegais. O culpado-mor, sesse estava bem no seio da organização. Tem um nome e Cadilhe já o havia acusado. Ontem não o fez e colocou a culpa num só costado dizendo-se vitima de umataque político. Ficou-lhe mal...

3 de nov. de 2008

O resto

Será só o BPN que está minado de irregularidades? Será que as políticas de resultados levadas a cabo pelos bancos de investimento não estão carregadinhas de malabarice?
Acho curioso como só agora lembraram que a Banca pode, eventualmente, estar apinhada de gente menos séria. Tanta gente a fazer comentário económico e ninguém detectou isso antes? Então estes especialistas todos, que sabem tanto sobre tanta coisa não sabiam disto antes? Aprenderam a linguagem desde quando, do início da crise?
É o progresso e um género de pseudo-intelectualidade financeira.

P.S. A ler o artigo de Rui Moreira no Público de hoje.

What happened to Pinto Monteiro?

Sempre muito preocupado com alunos armados nas aulas (é ele que o garante) e o disparo da criminalidade juvenil (diz ele), o Procurador-Geral da República ainda não veio a terreiro mostrar-se preocupado com o que se passa em alguma banca portuguesa, nem explicar como está a decorrer o processo da queixa feita contra o BPN. Fico à espera, mas daqui a uns dias vou citar Pinto Monteiro naquilo que ele disse sobre os blogues...

Teoria de conspiração

Pode ser só coincidência, mas o facto de o Governo anunciar que o Estado vai pagar as suas dívidas às empresas no mesmo dia em que declara a nacionalização do BPN cheira-me a esturro. Ou teoria da conspiração, ou construção do real ou seja o que fôr...

Portugal vs. PSD 2009

Em conversa por telefone com o yuppie boy sobre a situação do BPN, com a qual ele se mostra tão surpreendido e indignado, vamos concordando acerca da trapalhada que tem sido todo o processo e da falta de seriedade dos seus protagonistas.
A meio da conversa e muito de fininho, matreiro e calculista como é seu apanágio, o rapaz sai-se com esta: "é a corja do Cavaco nestes cargos de gestão e a que nos governou".
Não é preciso apertar muito com ele para logo saírem os ataques ao partido de Cavaco Silva. Mas especialmente a este lote de pessoas. Pelo post sobre Ferreira Leite vemos isso mesmo. Mas já não o vemos a falar da miserável e populista entrevista que Paulo Portas deu a Ana Lourenço na Sic Notícias há uns dias.
Esta atitude de ataque ao PSD costuma vir da esquerda por problemas que eles têm de resolver e isso é lá com eles; coisas que têm que ver com complexos de insegurança e traumas de guerra. Mas quando ele vem da direita já sabemos qual é a fonte. Basta recuar e lembrar-mo-nos do Dr. Portas há uns anos enquanto foi director do semanário Independente - e depois a forma como se prestou a formar governo, aplaudida por yuppie que nessa altura não achava que havia corja alguma. A atitude vem daí. E o yuppie boy sente isso, que nunca poderia chegar lá. Mas como é do CDS por tradição, em vez de se resignar ataca. E ataca como? Colocando sobre um grupo de pessoas o título de "corja do Cavaco", como se o resto do país, que não fez parte dessa matilha, fosse um imenso mar de gente séria. Aliás, vemos isso pelos próprios militantes de topo do CDS.
Este complexo de inferioridade e esta pequenez de ver a política tem sido o pão nosso de cada dia na grande generalidade da opinião publicada. O que me leva a crer que não vamos ter uma campanha eleitoral normal. Será antes uma campanha anti-PSD, porque neste país só o PSD é que está mal; os outros estão todos bem, até o yuppie boy, que assobia para o lado quando o Dr. Portas fala no seu contacto com os cidadãos.
O problema destas análises espectaculares e críticas (moralistas, até) é que têm telhados de vidro. O problema é que o anonimato não revela isso. É tudo uma questão de honestidade.


Caladinha era uma Senhora

MFL optou pelo silêncio no início do seu mandato, dizem que a conselho do seu núcleo duro. Criou tabu e falava-se mesmo numa nova forma de fazer política. As palavras da Senhora seriam demasiado valiosas para serem desperdiçadas. Com isso, criou a moda e conseguiu mesmo marcar a agenda com os poucos temas que trouxe à baila. Não cativava eleitorado mas tinha o seu lugar. Os apoiantes desculpavam-se com o feitio reservado da lidér e os adversários começavam a acusar nervosismo por estarem a enfrentar algo que nunca tinham enfrentado, - o silêncio. Mas o ponto de inflexão na postura de Manela não demorou. De repente, o silêncio dá lugar ao populismo. Tira Santana da prateleira, onde nem conseguiu ganhar pó e lanço-o em Lisboa. Uma decisão no minimo discutivel que custou a MFL duras criticas, inclusive de pessoas que lhe eram chegadas, - JPP é só um exemplo. A necessidade de ter de explicar esta escolha e a discussão do Orçamento que entretanto começava forçaram a mudança de estratégia. Mais a mais, MFL podia agora brilhar com todos os seus conhecimentos na pasta das inanças. Pura ilusão. Foi cobeçada atrás de cabeçada. Desde a trapalhada do aumento da função pública, à oposição ao aumento do salário minimo passando pelas explicações duvidosas do custo inerente às medidas propostas pelo PSD. A última pérola foi encaixar declarações xénofobas enquanto falava de investimento público. A Senhora não é mesmo feliz e tudo corre pelo pior. Não são pois de estranhar artigos de opinião como o que hoje é publicado no JN. Para piorar as coisas, MFL comete gaffes atrás de gaffes no exacto período em que Sócrates arrancou em campanha para as legislativas e está em estado de graça, ou lá muito perto.

Sócrates vai ter de se converter...

De obstáculo em obstáculo até à derrocada final. Estas previsões são só mais um (I e II), outros virão certamente. Está bom de ver que a concretização orçamental em 2009 só acontecerá se Jesus Cristo voltar à Terra...

BPN I

A semana passada, dizia Paula Teixeira da Cruz que o que se passava no PSD em Lisboa era caso de polícia. Hoje, é a minha vez de dizer que o que se passa no BPN é, mais do que um problema financeiro, um caso de polícia. É verdade que financeiramente o BPN está pelas ruas da amargura e corria sérios riscos de deixar de cumprir as suas obrigações mas não é menos verdade que o reinado de José Oliveira e Costa foi um período de lucros record obtidos a partir de uma amálgama de empresas fora da área de negócio principal e de sucesso muito duvidoso. As áreas de acção vão da cerâmica à saúde, passando pelo turismo, agricultura e muitas outras (ver mais aqui). Quem conhece as empresas que constituem o grupo, sabe o quanto foi nelas investido e quanto elas poderiam facturar. A investimentos avultadíssimos, corresponderam sempre elefantes brancos, sorvedouros de dinheiro que estranhamente apresentavam lucros, -em algumas empresas do grupo, passam-se mesmo dias sem que seja carregado um camião. Não existia sequer o pudor de esconder o esquema. A administração de José Oliveira e Costa foi mesmo isso, - um esquema continuo alimentado por lucros fictícios na área empresarial e uma banca em grande expansão. É difícil de calcular o prejuízo que deixa a accionistas e contribuintes mas é uma certeza de que o valor desse prejuízo terá quase tantos zeros quanto negócios tem a SLN. Mas Oliveira e Costa é um intocável. Faz parte do grupo que acompanhou Cavaco em dois mandatos à frente do Governo Português. Um grupo onde a maioria andou sempre no limiar da ilegalidade. Uma corja que governou em tempo de vacas obesas em proveito próprio e espalhou o tentáculo pela sociedade Portuguesa. Sabemos onde é o lugar de Oliveira e Costa… Duvido que o país tenha tal sorte mas uma investigação célere e exaustiva é urgente e obrigatória.

Acabada de chegar

Um cliente entrega ao caixa do banco um cheque. Depois de olhar para o terminal, reclama:
- Não tem provisão!
Pergunta o cliente:
- Não? Mas o cheque ou o banco?

Não faz sentido por piadas de mail no blog, mas esta era irresistível

2 de nov. de 2008

Por uma unha negra

Hamilton sagrou-se hoje campeão do mundo de Fórmula 1 mas não ganhou para o susto (aqui está uma expressão profundamente estúpida, - afinal, ele sagrou-se só, campeão do mundo). A duas voltas do fim viu o titúlo fugir quando foi ultrapassado por Vettel mas um erro na última volta de Glock, devolveu-lhe o título. Quer Massa, quer Hamilton mereciam o Campeonato. Hamilton foi mais feliz. Aceita-se. No que toca a construtores, a Ferrari reforça a sua liderança e ganhou mais um campeonato com relativa facilidade.

Foi hoje anunciada pelo PM a nova maioria de 2009

Com o anúncio do pagamento das dívidas às empresas por parte do Estado, Sócrates mostra aré que ponto stá determinado em renovar a maioria em 2009. A medida, que toda a oposição temia vai mesmo avançar. Este pagamento em bloco não te precedentes e revela a coragem que outros não tiveram. O Governo Português reaje à crise com um Orçamento bastante generoso ao mesmo tempo que responde a um anseio de há muitos anos. Jorge Sócrates, o melhor produto de marketing do Século XXI em Portugal, encostou a oposição e reduziu-a à expressão mínima. Em tempo de crise é o único que valoriza. Não sou socialista e muito menos pró-Sócrates mas tenho de admitir que á muito não via respostas tão assertivas e tão pragmáticas. Aplaudo e aclamo.

Cadilhe ainda tentou mas... (act)

A notícia carece de confirmação mas ao que tudo indica o BPN foi nacionalizado este fim de semana. Estou em retiro e com uma ressaca medonha mas prometo informação actualizada assim que a obtenha.
Parece que as minhas fontes também falam com a malta do Público. fica o link.

Alguém está a precisar é de um tau-tau

As reformas que o Governo mexem com muita gente. Funcionários públicos, trabalhadores por conta própria ou profissionais liberais, reformados e pensionistas, jovens, crianças... qual é precisamente a razão de os militares, especialmente os militares na reforma, os militares que, quais jornalistas/escritores de sucesso moderadamente grande ou vereadores de segunda linha amigos de candidatos a presidente da república, têm direito por exemplo a casas T6 a cem euros de renda, recebem milhares de euros de reforma... a razão de os militares superiores estarem tão chateados?

Novo New Deal exigia um melhor «dealer»

O intervencionismo estatal do presidente George W. Bush tem pouco ou nada a ver com a experiência do New Deal que Franklin D. Roosevelt levou a cabo para enfrentar a Grande Depressão dos Anos 30. Bush tenta salvar empresas em quebra; Roosevelt procurava reconstruir o conjunto da economía dos seu país e, em primeiro lugar, elevar o nível de vida dos própios cidadãos. Não fica mal então uma breve síntese daquela experiência, que o recente Prémio Nobel, Paul Krugman, recomenda tomar como agenda para o novo governo dos EUA. Tendo sempre em conta, claro, as diferenças de época e problemáticas envolvidas, ainda que a dinâmica da acumulação continue em muitos aspectos similar.

Continuar a ler.

Mario Rapoport, economista e historiador, no Página12.

1 de nov. de 2008

Dos telhados de vidro

Sócrates no fecho da Cimeira Ibero-Americana:

Canção de embalar

O ritmo de este "Bankrobber" dos Mezcaleros é quase uma canção de embalar, mas o que diz a letra é muito mais do que isso. Numa sociedade de contexto de um país de totós, que só se revoltam contra os mais fracos e tentam conquistar os mais fortes corrompendo-os, esta música nunca fará muito sentido. Fica, anyway.