27 de fev de 2009

Mais dinheiro...

Quando ouço falar em apoios do Estado às PME, não posso deixar de pensar no paradoxo em que a economia real portuguesa vive há longos anos. Se é verdade que são as PME que dão emprego à esmagadora maioria dos portugueses (fala-se em números a rondar os 90%), não é menos verdade que as PME portuguesas formam o tecido empresarial mais caduco, corrupto e oportunista das economias europeias. Com honrosas excepções claro... Toda a gente que está no mercado de trabalho conhece pelo menos um caso de empresários que vivem à custa dos subsídios do Estado, pagando salários miseráveis (quando pagam) e fugindo como lebres assustadas ao Fisco e à Segurança Social. Daí que mais uma chuva de euros sobre as PME me leve a desconfiar não da bondade da medida, mas sim da capacidade de calceteiros e proxenetas metidos a empresários aproveitarem estas verbas para modernizarem as empresas, segurarem postos de trabalho e criarem riqueza para o país. Uma inspecção rigorosa, actuante e sem piedade por parte do Estado deve saber explicar aos contribuintes onde foi aplicado cada euro do dinheiro aplicado nestes programas. Se assim não for, acredito piamente que a crise não se vai fazer sentir em 2009 nos concessionários Porsche, Ferrari, Bentley ou Jaguar...

PS: A história do negócio de Manuel Fino com a CGD é extraordinária. Não me choca que o banco público tenha aceite acções da Cimpor como pagamento de uma dívida. Afinal, trata-se de uma das maiores cimenteiras da Península Ibérica e a médio prazo pode revelar-se um bom negócio. Agora aceitar uma cláusula em que o pseudo-empresário as pode comprar de volta pelo mesmo preço? Qual o risco para Manuel Fino neste negócio? Menos que zero, penso eu de que...

Um comentário:

Jose Teles disse...

No blog Kambaia (www.kambaia.blogspot.com) dou alguns argumentos neste sentido:
- as PMEs estão mal preparadas para competir internacionalmente
- na sua esmagadora maioria, as PMEs não inovam
- resultado? Enquanto que o PIB conujunto de Portugal, Espanha e Itália representa 23% do PIB da UE, estes países só representam 14% da despesa de I&D da UE.