19 de set. de 2008

Baralha e volta a dar

A FED e o Tesouro dos EUA, vieram "ajudar" o Mercado. Tomaram o controlo da Bear, Freddie, Fannie e AIG, injectaram milhares de milhões para dar liquidez à banca e agora assumem até os prejuízos dos créditos sem valor. Na Europa, o BCE segue o exemplo e injecta tambem capital no mercado. Aliás, todos os grandes Bancos Centrais têm estado a fazê-lo. Decidiram que era altura de disciplinar e tomar a rédea. Não deixaram o Mercado sofrer as consequências da sua ambição e serviram-lhe de almofada. O Mercado agradece. Agora que remediaram, dão-lhe liberdade e oxigénio para especular, asnear, ambicionar e arriscar outra vez. Querem provas? 1, 2, 3 e 4.

Na rota de Fernão...

O "Magalhães" está lançado. A produção, espera-se, arranca já em Julho de 2009. E clientes, parece que não faltam. Depois do país do cutting edge informático, que é Portugal, outros semelhantes se juntam à lista de clientes. A Namibia já assinou o acordo e parece que as conversações com o Botswana estão muito bem encaminhadas.

Os dois lados da verdade

Público: Benfica adia para a Luz desfecho da eliminatória.
Correio da Manhã: Águias deixam tudo em aberto
24 horas: Tudo em aberto
O jogo: [Suazo] Só o pararam à pancada
Record: Suazo e sofrido
A bola: Suazo pode resolver na Luz

Diário de Noticias: Benfica perde 3-2 em Nápoles
Expresso (edição online): Benfica perde 3-2

Paris Lisboa - Moscovo - Pequim

Parece que vamos ter nova visita de Chávez. Desta vez, o presidente da Venezuela vem assinar acordos de cooperação empresarial. Antes de Lisboa, estará em Moscovo e Pequim. Estranhas amizades.

18 de set. de 2008

AR II

Há uma coisa que se percebe na discussão do Código de Trabalho. Os governos portugueses tentam a todo o custo facilitar o papel das empresas para que estas cresçam mais rapidamente. O problema desse sistema é a irresponsabilidade de se encarar os trabalhadores como números para obter resultados.
De uma sociedade não se quer um resultado, quer-se que evolua estável. O resultado foi também um objectivo dos Estados Totalitários que se seguiam por uma filosofia de meta-narrativa. Enquanto o Estado olhar para os cidadãos como números o país não evolui, porque isso não é saudável e cria instabilidade social. Exige-se um equilíbrio. Por outro lado, sabemos que mais lei, menos direito; e as exigências de regulação excessiva também travam o crescimento. Mas o poder político é escorregadio.
Se há um problema por resolver é um problema de confiança. A confiança só se consegue com responsabilidade para dentro e para fora. Afinal, foi sempre este o objectivo da vida em comunidade.
Em suma, o problema é falta de princípio e de estrutura moral, que só pode ser dada por uma perfeita definição de filosofias. Se o Partido Socialista adopta um comportamento para a campanha, socialista, e depois comporta-se como um liberal a legislar, é evidente que temos ua problema de definição que o cidadão irá identificar como demagogia.

AR

O debate de hoje sobre as alterações do Código de Trabalho revela uma coisa muito importante. O deputado Pedro Mota Soares é um actor miserável e um declamador inexperiente. De resto, mais do mesmo.

Uma prenda

Tome lá esta notícia para comentar à vontade, que a página do Público ainda não actualizou. Diga-nos mestre, que opinião e que ideia nova nos quer dar a partir disto. Por favor, ilumine-nos!

Interrompemos a emissão para uma receita para um post à Yuppie Boy

A receita é simples. Basta pegar numa notícia de jornal. Vamos então ao Público que é por norma a escolha cá da casa.
De todas as notícias que lá estão escolhemos a que nos parece mais banal para que o nosso comentário não pareça tão patético e damos o ar de quem tem interesse por "coisas". Normalmente optamos por descrever a notícia deixando um apontamento brilhante, um golpe de originalidade, para o fim. Algo como: "ridículo"! E pronto, temos um post feito sobre uma matéria interessantíssima, cheio de argumentos e ideias para o futuro. Objectivo: nenhum!
Para os comentários usamos a mesma fórmula deste post, que passa por fazer uma crítica fora de contexto à contraparte. 
É fácil, rápido e sucesso garantido. Depois é só esperar pelos resultados.

Assuntos menores?

Com toda esta confusão dos Mercados e a crise a apertar há pouco espaço para discussões que não usem Nasdaq, Lehman, BCE e outras palavras da mesma família. Mas o Mundo não pára. Não pára mesmo. Tzipi Livni foi ontem eleita líder do maior partido do Knesset. Será ela capaz de colocar Israel nos trilhos da paz outra vez? Há quem diga que sim, o facto de ter sido discípula de Sharom diz-me, mesmo que inconscientemente, que não. A seguir...

Mea culpa

Foram vários os que saíram em júbilo com a queda dos colossos americanos. Mais do que diagnosticar o problema ou apresentar soluções, preocuparam-se em marcar o seu lugar na história e colocar-se como profetas, apesar de não haver registo de profecias. Mas adiante, não é esse o assunto do post.

Quem vive dentro do sistema financeiro, mesmo eu que ainda estou na base da pirâmide, preocupa-se pouco com as criticas e centra-se única e exclusivamente no problema. Os mais perspicazes, directamente na solução. O diagnóstico do problema é vital para a sua solução; - compreendê-lo para depois o solucionar. Os profetas, esses, foram céleres a criticar o sistema financeiro pela sua ambição e o papel frouxo do Estado na regulação (curiosamente algo que eu já havia referido). Do outro lado da barricada, diz-se que é só uma fase e que tudo voltará aos carris a breve trecho. Julgo que sim, mas as mudanças serão radicais em muitos aspectos, nomeadamente nas garantias, e o processo arrastar-se-á no tempo e levará muitos atrás de si.
Há no entanto, um facto que não tem sido referido mas que me parece de extrema importância. A honra é algo que na sociedade de hoje se esconde como agulha no palheiro. Importa-me aqui o sentido económico da palavra; - o honrar compromisso sinónimo de pagar a dívida. Os primeiros sinais de dificuldade da banca surgiram associados ao subprime, a Gestão ganhou um novo chavão nesse dia, que mais não é do que crédito “fraco”, crédito de grande risco. Este grande risco advinha dos créditos facultados a indivíduos com baixos rendimentos ou a indivíduos que contraíam empréstimos acima das suas capacidades. A banca correu aqui um enorme risco e publicitou-o sem fim. Eram os tempos áureos dos juros baixos e do aumento do poder de compra. Era o tempo dos plasmas, dos telemóveis, do T2 com vista para o mar, o tempo do cartão de crédito. Mas todos os períodos de expansão têm um fim e o incumprimento das famílias começava a fazer mossa sendo cada vez maior a fatia que representava nas contas da banca. A partir daqui, efeito bola de neve. Diminuía a liquidez e levava a banca a procurar moeda para não ter de retirar investimento feito fora da instituição. Mas estavam todos na mesma situação e portanto, sem excedentes para emprestar. Resultado, o cash-flow não era suficiente. Se lhe juntarmos os juros a subir, fruto de uma inflação alta, praticados pela Banca Central, então temos uma crise. Uma crise em que a banca tem culpa. Certo,… mas não toda…

Só pode ser para rir...

O mesmo senhor que levou o raspanete de Andris Piebags, quando o Comissário Europeu da Energia disse que Portugal "tem de acompanhar melhor o mercado dos combustiveis" para "confirmar permanente que não há práticas de cartelização", vem agora mostrar posição firme na defesa do consumidor.
Já agora, importa mostrar alguns números. Números que Manuel Pinho conhece mas não pode mostrar.
4 Jun 16 Set Variação
Barril de Brent 91,95€ 63,27€ -31,2%
Tonelada de petróleo 826,44€ 636,95€ -22,9%
Preço do gasóleo (c/ taxas) 1,419€ 1,305€ -8,0%
Preço do gasóleo (s/ taxas) 0,5995€ 0,5045€ -15,8%
peço desculpa pela forma como estão expostos os dados mas não consigo fazer de melhor forma. Se alguem me puder ajudar...

17 de set. de 2008

Rise and Fall

Uma coisa que aprendemos com a História, ou que deveríamos aprender, é que não é o capital que movimenta as sociedades mas sim a fiabilidade e a segurança do seu sistema em comunidade, do seu sistema político. Está nos livros, não é preciso grande ciência para apreciar os Impérios que ao longo dos séculos foram caindo.
A moeda é um instrumento que tem justificado o crescimento, em larga escala, da economia subjectiva. A especulação tem sido o festim do sistema. Mas como em tudo - e lá está mais uma vez a História - o sistema é falível.
Durante todo o século XX os liberais acreditaram que o sistema era infalível. Na sua vaidade não souberam interpretar os sinais. Os nossos políticos, cegos pela ganância, pelo crescimento e pela competitividade, deixaram-se levar e enterraram os Estados em dívidas e promessas que não podiam cumprir, por um simples motivo: objectivamente não tínhamos nada, absolutamente nada.
Se esta cautela foi o trunfo de Salazar para passar o meio-século foi também o que levou o Estado Português a tornar-se num dos mais atrasados da Europa. 
Mas, não é a estabilidade do povo que está em causa? A resposta é sempre afirmativa, mas nenhum Estado pode atrasar a evolução social de um povo só para se proteger da bancarrota.
Os liberais sabiam disto muito bem e fizeram o seu trabalho. Mas o exagero e a vaidade impuseram-se para achar que o Estado devia ser colocado de lado, que só atrapalhava. Primeiro surgiu a ideia de que o Estado deveria ser só regulador, depois, numa postura neo-liberal, que o Estado só servia para atrapalhar.
Tal como nos contos de Mark Twain, todos os homens são fortes até serem confrontados com a sua fraqueza. A fraqueza do sistema liberal é o Estado, a necessidade de Estado, de sistema político, de regras e, claro está, de segurança em todas as matérias.
Por isso não é de estranhar o que se está a passar com os monstros do capitalismo. De facto, não esperava que acontecesse tão cedo, mas aconteceu.
Agora uns tentam dizer que o problema está "a montante", que é uma expressão bonita, mas que realmente é tão óbvia que nem se sabe bem o que pensar. Colocam as culpas no "capitalismo selvagem". Right, right! É evidente que o problema está a montante e é claro que a culpa é do capitalismo selvagem! Esse é que foi o problema que se tentou focar. Onde estavam esses iluminados na altura? A fazer contas e a ler o Jornal de Negócios, porque estava aí o futuro - quais castelos de areia - e era preciso ser pragmático.

Nota 1: este post não tem a intenção de ser provocador, mas é claro que também é dirigido ao yuppie boy por questões óbvias.

Nota 2: Em nenhum momento deste meu comentário deverá ser interpretado algum ressentimento nem é a minha intenção dizer "eu bem avisei". As coisas são como são e temos de saber sobreviver aos problemas que nos aparecem pela frente com sensatez suficiente para sair deles, sem que o orgulho nos corrompa - outra lição da História, da Filosofia e muito da Literatura.

A esquerda unida

Parece que Manuel Alegre foi deixado de fora da Fundação Res Pública. Afinal, parece que esse grupo de reflexão não é assim tão aberto quanto isso. O ressentimento é algo típico no Partido Socialista que, como sempre defendi, é um partido sectarista, de aparelho, de sistema. É claro que a direcção do PS não é obrigada a convidar ninguém, mas todos reconhecemos a importância de Manuel Alegre, pelo menos a avaliar pelo resultado que obteve nas presidenciais.
Estranho é os sempre atentos esquerdistas nada terem dito em relação a isto. É o costume. A esquerda além de imprudente também é descomprometida.

16 de set. de 2008

Será que compensa o risco?

Esta história dos protocolos de descentralização de competências assinados entre Governo e Autarquias tem o seu q de Lehman Brothers. O risco é demasiado alto...

O avôzinho

Jean Claude Trichet tem sido responsável pelos maiores apertões de cinto sofridos pelos Portugueses nos últimos tempos. A obstinação de controlar a inflação pela via da manutenção das taxas de juro elevadas teve como consequência directa o aumento da Euribor e consequentemente, o aumento das prestações do Crédito Habitação e a diminuição do investimento, não tendo trazido a diminuição esperada da inflação. Com isto, o cidadão comum, viu o seu orçamento esmagado e as oportunidades de negócio por um canudo, isto porque a política do BCE trouxe tambem um assumir de risco mínimo nas operações por parte da banca. Já quando se fala em alta finança, o avôzinho, que clama poupança e retrai o consumo, transforma-se e vai ao seu colchão tirar milhares de milhões (não é boca) para emprestar (ou dar). Ontem foram 30, hoje são 70. Amanhã, ninguém sabe. O que se sabe é que o BCE está a injectar dinheiro. Obviamente que o está a injectar em quem está mais descapitalizado, fruto do excessivo risco que correu, o Millennium é aqui um bom exemplo. Esperemos que o caso da Lehman não se repita na Europa e, pior, me calhe uma parte dessa factura.

PS vs F. C. Porto

Paulo Pedroso, à data número 2 do PS, esteve 135 dias em prisão preventiva. Pinto da Costa, há décadas líder do FCP, também esteve preso preventivamente. É dificil de precisar quanto tempo mas sabe-se que não foram mais de 3 horas. As acções interpostas pelos arguidos renderam-lhes indemnizaçãos de 135 e 20 mil euros respectivamente. Pedroso foi pago a pouco mais de 40 euros à hora ao passo que Pinto da Costa recebeu quase 7000. Lembrem-me deste post se um dia vier com ideias.

Frutos da crise III

O indice PSI-20, tal como todos os congéneres europeus, caíram acentuadamente ontem. A Bolsa Portuguesa foi das que menos caíu tendo no entanto uma quebra superior aos 3%. Hoje, estará tudo igual com os mercados retraídos devido a inxistente liquidez. Presumo que já não falta muito para a corrida às commodities.

15 de set. de 2008

Frutos da crise II (act)

Ainda não passaram 12 horas desde o anúncio da falência do Lehman e já se notam os efeitos. A Euribor começa a bater records. E ao que parece, não vai fcar por aqui. Assim que possivel colocarei link. Para os que têm fé e/ou persistência, aqui fica o link.

Frutos da crise I

No post abaixo, dizia que mais uma vez, a base da pirâmide ia pagar os devaneios do topo. Pois bem, ainda não passou um dia e já se notam os efeitos da falência do colosso americano. O site do Negócios, não abre. São tantas as visitas que deu o tilt. Há lá direito?

E depois do Adeus...

Tal como dizia há meia dúzia de dias, o problema da banca, especialmente a Americana mas tambem a Europeia, está a montante de toda esta crise. Está na excessiva ambição, que levou a excessivo risco. Tudo isto debaixo das barbas de Governos e Bancos Centrais que com excessivo laxismo não quiseram compreender a avalanche que aí vinha. Agora, aqui d'el rei, - nacionalizações, garantias de crédito e fundos ilimitados (1 e 2) para a recuperação das IC's. Mas há pior, a irresponsabilidade de alguns, afecta todos. As bolsas começaram hoje a cair, ao contrário do Euro que inicia um esperado período de forte valorização. Estes são dois factores que vão certamente levar os investidores para outros mercados. Já se sabe, primeiro petróleo, ouro e platina. Se preciso fôr, cereais... e aí estamos nós, cidadãos comuns e anónimos, a base da pirâmide, a pagar a conta. Novidades, novidades...

Bear, Fannie, Freddie and Lehman

Está aí a quarta queda no sistema financeiro americano. Desta vez o Governo Americano não foi em cantigas e deixou mesmo o colosso cair. Irredutivel nas negociações negou até o aval de compra por parte do Bank of America e do Barclays. Para já, há pelo menos dois factos menos maus, - a sangria ainda não chegou à Europa e os clientes das falidas serão protegidos.

A nossa educação

Tirando os diários, é raro o jornal ou revista que leia no próprio dia da compra. Entre o carro, a mala do pc passando pela secretária ficam pousados alguns dias, alguns eternamente, até que lhes dê atenção. Com a reportagem da Sábado (sem link), a que aqui faço referência, não foi excepção e por isso, só hoje escrevo este post. Estranho que a blogosfera não se tenha debruçado sobre ele. Parece-me grave que usem manuais escolares para doutrinar pessoas. A História é uma ciência. Como tal, deve ser objectiva e factual, sempre que possível. Acho lamentável que se consigam encontrar excertos como os que aqui transcrevo e fico pasmado perante a falta de reacção do Ministério da Educação.
"Se, na URSS, a acção de Estaline provocou milhares de mortos e a deportação de milhões de pessoas para campos de trabalho forçado na Sibéria, nos EUA a perseguição aos suspeitos de simpatizarem com o Comunismo e de promoverem actividades anti-americanas transformou-se numa verdadeira 'caça às bruxas' que ficou conhecida por Maccarthismo" Texto Editores
a comparação é, no mínimo, brilhante
"O exército ZapatistA de libertação nacional é um movimento social que luta pelos direitos dos povos indigenas da América Latina. No México tem combatido pela libertação do povo de Chiapas. Os objectivos dos Zapatistas são: o fim da pobreza e da violência, o direito à terra, os direitos das mulheres, a preservação ambiental, aplicação da democracia e da justiça" Asa
em nenhum lado é dito que se trata de um movimento de guerrilha num país democrático
"A cimeira UE-África, realizada em Dezembro de 2007, aprovou uma estratégia conjunta para regular, a longo prazo, as relações entre os dois continentes a nivel económico e político e procurou garantir um maior respeito pelos direitos humanos" Texto Editores
esta só pode ter sido por encomenda

13 de set. de 2008

O rio do esquecimento

Em muitas artes da fuga nos tem habituado o Partido Socialista ao longo destes 3 anos e meio de governação. A remodelação ministerial para calar alguns sectores, o silêncio estratégico em determinadas matérias fundamentais, os holofotes virados para o Dr. Pinho na promoção de um Portugal moderno, etc.
Mas começa a ser notória a inquietação do governo, as falhas evidentes e a falta de vigor para aguentar o barco. Uma prova clara disso é esta entrevista de Alberto Costa ao Expresso. A forma como o ministro se descarta e se esconde atrás da sua secretária é assustadoramente evidente. Isto num dia em que o governo admite as falhas na reforma penal. Claro que a oposição nada pode dizer a este respeito porque tem um gigante telhado de vidro.

12 de set. de 2008

Coisa chata a Constituição da República Portuguesa

Isto provavelmente não interessa a ninguém. Para que é que vamos estar a chatear-nos com questões deste género. Isso é para os teóricos discutirem. Os teóricos é que têm de saber qual é o valor do voto, discutir o estatuto dos emigrantes, perceber a Constituição. Aqui a malta quer é que os políticos dêem ideias, seja construir uma casa amarela, seja colocar um parque de diversões, desarmar a guarda, prender todos os criminosos do mundo com livros de multas. E que falem, que políticos calados também é grave. Mas que não falem muito que são uns demagogos.
Coisa chata a Constituição. Para que serve, afinal?

A crise chegou à blogosfera

ou, estão aí as fusões


Havia alguma expectativa em relação às mudanças anunciadas por Daniel Oliveira no seu Arrastão. Nada que me despertasse a curiosidade e muito menos, tirasse o sono. Hoje, ao abrir a página do Negócios, vi já online a PlanoB, secção sobre blogues e internet do jornal, que é editada por Paulo Pinto Mascarenhas, dei de caras com a novidade. Ainda não quero acreditar que o irmãolúcia, vai parar ao covil (a expressão é do próprio). Atrelado, vai também Pedro Sales do Zero de Conduta. Depois da saída de DO da direcção do BE, havia que colocar alguem do aparelho no blog "oficial" do partido.

A vida tambem pode ser bem disposta

Nos EUA fabricaram uma máquina que apanha gatunos.
Testaram-na em New York e em 5 minutos apanhou 1500 gatunos.
Levaram-na para China, e em 3 minutos apanhou 3500.
Trouxeram-na para Portugal e num minuto, roubaram a MÁQUINA!

Depois de ver esta piada e de ter lido esta reportagem fico mesmo com a sensação de inutilidade do "cofre do Tio Patinhas". Se não roubam no interior, facilmente roubam no exterior.

(depois d') a frieza dos números

urge acelerar o passo. Afinal, ainda faltam 50 mil empregos (qualquer coisa como um terço do que prometeu, Sr Sócrates).

11 de set. de 2008

Incrível, o silêncio de Ferreira Leite

Talvez o primeiro-ministro deva deixar Rui Pereira justificar-se sozinho. É o melhor, aliás, o senhor já é suficientemente grandinho e sabe-se defender, para que é que é que Sócrates se há-de chatear?

A queda do gigante...

...ou dos dois gigantes se preferirem

Em Portugal, na Europa, na Ásia ou nos Estados Unidos, o comportamento das bolsas é bem mais próximo do electrocardiograma do que a esperada linha de tendência. Reage-se hoje de forma extemporânea e valoriza-se mais a especulação, o boato e a "perspectiva de", do que a postura séria centrada na organização, na eficácia e obviamente no lucro.

Hoje, é possível valer 1 à segunda, mandar o bitaite na terça alcançando assim os 2 na quarta mas correndo o risco de ser tudo desmascarado e fecharmos a semana a 0,5. Não é grave, podemos todos apostar no petróleo ou comprar umas barras de ouro. Se estes estiverem em queda, então compra-se arroz, lança-se o pânico e os cobres continuam a entrar. É a idade do faz de conta e do capitalismo selvagem e completamente desregulamentado, passo a redundância. O mercado sobrepôs-se aos governos e impôs o seu método. Os governos, fragilizados e com favores por pagar, acumulados durante anos, acederam e fecharam os olhos. E o capitalismo foi crescendo, alimentando-se de princípios, solidez e produção. Agora que está grande e com fome não sabe onde ir buscar mais comida. O círculo está fechado e não há por onde fugir. Os governos, que a montante não se preocuparam em regulamentar e observar o crescimento da cria, têm agora o problema entre mãos. E também eles não têm grande saída. Ou não têm coragem para a levar avante. Em vez de deixarem o mercado regular-se, partir-se, desaparecer, reerguer-se e voltar a crescer sozinho e independente como o próprio sempre defendeu e pugnou, colocam a mão por baixo e salvam a honra do convento. Com isto, atingem o capitalismo em cheio. Provam que ele não se auto-regula e que é frágil. Há hoje, certamente uma multidão de gente a bater com os pés no chão e a sufocar de tanta gargalhada. Não foram precisas manifestações nem enfrentar canhões de água. O gigante caiu por si.

Que ao menos daqui se tirem ilações e se aprenda com o erro…

10 de set. de 2008

tanto vai o cântaro à fonte...

Os piscares de olhos do Partido Socialista não param. Depois de Helena Roseta ter ido dar uma mão a António Costa (nada contra) parece que o tão anunciado think tank socialista já começa a cativar até os mais arrivistas à esquerda. Reflexão, chamam-lhe eles.  Os elogios vão de lés a lés, de Santos Silva ao próprio José Sócrates. Afinal somos todos amigos e a esquerda é uma grande família. Só falta Manuel Alegre juntar-se ao coro e Louçã aceitar uma coligação. Tudo pela grande nação socialista. Aceitam-se até os rótulos de social-democracia, que afinal é bem vinda, não tivesse ela nascido à esquerda.
Minhas senhoras e meus senhores, apresentamos: o Socialismo Europeu (ou a continuação de vota no PS mesmo quando não merece).

O jogo de sombras

O silêncio de Ferreira Leite não caminha sozinho, caminha lado a lado com os jogos de sombras do Partido Socialista. Assustado, ou preocupado com o futuro da nação - who can tell -  o partido solta os cães de fila em várias frentes a ver no que dá. Desta vez foi Paulo Pedroso a sair da toca - onde o Estado o enfiou e pela qual teve de pagar - para falar em bloco central.
Não sendo ainda muito clara a estratégia do partido que parece que governa Portugal a velocidade cruzeiro, é de desconfiar das boas intenções, sejam elas quais forem. Não nos esqueçamos que é a carreira de José Sócrates que está em jogo.

9 de set. de 2008

Da emigração em Espanha

Las empresas vascas buscan trabajadores especialistas en el Este de Europa y en otros países "porque aquí no los hay"
Cristina Krug Zulueta, máxima responsable da Global Work Services

À deriva

Parece que tudo corre mal para os lados do PP, pelo menos aqui da minha janela. Um vice-presidente que não é há um ano mas que ninguém sabe. Uma luta pela chefia da bancada parlamentar quando o que ia safando o partido era a bancada parlamentar. Um governo a antecipar medidas de segurança que seriam pedidas pelos deputados. Levantar a questão do Rendimento Social de Inserção (rendimento mínimo) no dia em que se conhecem mais umas chorudas reformas mensais.

É como ler as gordas nos jornais

Tal como Pedro Picoito também me parece que os críticos do discurso da líder do PSD não tentaram perceber o grosso do dito cujo, ou tampouco o leram. Ontem perdi uns minutos a ler as palavras da Dra. Ferreira Leite, e de facto é um bom discurso, um discurso essencialmente político, objectivo e feito com a segurança de uma oposição consciente e sólida, e não de uma qualquer tentativa de mediatização ou teatralidade típica das rentrées.
Há algo de assustador nas interpretações que se fazem das palavras. Talvez por ter sido educado a seguir princípios bem estruturados e definidos nunca me passou por ser mesquinho na avaliação daquilo que os outros dizem. No entanto, parece ser uma moda recolher frases à solta para se poder interpretar a seu bel-prazer o que os outros dizem. Por aqui tem sido uma constante, por exemplo.
É nesta deslealdade que se encontra uma das mais profundas razões para o descrédito. Os políticos, os críticos e todos os que se encarregam do comentário político não sabem discutir, não sabem entrar no campo de ideias. E o campo de ideias é muitas vezes, ou deveria ser essencialmente, o campo da filosofia. Sem a perspectiva filosófica a política não é sólida mas sim descartável. E deste modo é impossível crescer, desenvolver e estabilizar uma comunidade. O que todos sabem fazer é pegar em meia dúzia de frases soltas e destruir todo o contexto. O medo desse confronto político leva à mentira e a à falta de cordialidade. Alguns chamam a isto "o jogo da política". Mas a política não é nenhum jogo, é a vida de todos. Parece banal, não parece? Pois é.
Não quero estar a fazer previsões mas com um discurso assim, com trabalho diário e com uma bancada parlamentar bem dirigida o PSD tem hipótese de ganhar a força que perdeu por seu próprio demérito.

É este o caminho?

O Governo de José Sócrates decidiu atacar o insucesso escolar. Atitude louvável e sem dúvida contribuinte de uma das bases mais importantes para o sucesso de um país - a educação. Mas fê-lo da pior forma possível. Ajeitando os números e com propaganda. Dos computadores para todos, que serviram mais para dar computador novo a quem já tinha do que realmente a quem precisava, ao Magalhães para o básico, tudo foi usado por este nosso Governo tecnológico para esconder o problema. Mas a propaganda não conseguia por si só, esconder a estatistica que é pelos vistos, o único problema da educação em Portugal. Os alunos não estão mal preparados, os professores não sao maus, as condições são melhores que óptimas e os os pais estão comprometidos a ajudar. O problema é mesmo a avaliação que é rigorosa, exigente e implacável. Vai daí, menos conteúdos, menos exames, menos exigência et voilá, temos agora resultados fantásticos. Pergunto é de que nos servem estes "resultados". 

E é por tudo isto que ao ler noticias deste tipo, é mais a apreensão do que a esperança.

8 de set. de 2008

É desta que arranca?

No dia em que o INE revê em baixa o crescimento da nossa economia, nem tudo são más noticias. 
O relatório aponta uma desacelaração do consumo privado - nestes tempos conturbados da economia é bom saber que as familias moderam os seus gastos e pensam duas vezes antes de reccorer ao crédito. Mas a grande noticia é o investimento que subiu em relação ao período homólogo e em relação ao trimestre passado. Da equação keynesiana, este é mesmo o factor determinante para o desenvolvimento de um país e o mais potenciador de crescimento futuro. A reboque do investimento, vem o emprego, que tambem aumentou. Ainda estamos longe dos 150 000 mas la chegaremos (ahahah).
Bem, ia-me esquecendo das Bolsas.Fruto do resgate da Fannie Mae e da Freddie Mac por parte do Governo dos EUA, estão todas eufóricas com ganhos significativos em todo o sector financeiro (em Portugal sobem mesmo todas as cotadas). 

Fica a sensação de que basta um mês com o Governo em férias e a oposição calada e isto começa logo a encarreirar... 

A Luanda que não anda de Cayenne

Acabei há pouco de ler "Auto-retrato de Luanda", uma reportagem da Única baseada em fotos tiradas pelos habitantes dos Mussekes, com máquinas descartáveis enviadas de Lisboa, que foca os desalojamentos que têm sido feitos para construir os novos condomínios fechados - a nova Luanda. As fotos podem ser vistas aqui - e valem bem o tempo. E também podem ler a dor de cotovelo por não terem podido embarcar para Angola - a tal de que o cordeirinho e empregado fiel, Daniel Oliveira já se tinha queixado.

Não há paciência

Alguém explica a esta senhora que ela não sabe do que está a falar? Muito obrigado!
Será que está a tentar convencer pela exaustão? Ah, meu querido estalinismo!

Das coisas reais

Não vi nem ouvi o discurso de Ferreira Leite na Universidade de Verão por manifesto desinteresse, diga-se. Nunca esperei muito dos discursos da rentrée política. São sempre vazios e desprovidos de oportunidade. O país parece que pára um mês (eu parei, pelo menos) e que anda a engolir em seco e a guardar para depois metralhar tudo nos primeiros dias de Setembro.
É evidente que o discurso de Ferreira Leite não ia trazer nenhuma bomba explosiva. Todos sabemos que a senhora não é de bombas explosivas. Sabemos também que o que a senhora disse e que o PS criticou, pela voz de Vitalino Canas, é verdade e que é preciso mudar. Mas o PS também não tem muito mais a dizer.
A Dra. Manuela Ferreira Leite tem feito discursos puramente políticos. Torna-se constrangedor o silêncio em relação a matérias específicas. Mas, de que vale estar agora a falar como se se estivesse a contar novidades um mês depois dos acontecimentos?
O que mais gosto de ver é a fúria com que estrebucham os seus "adversários" sempre que ela se mexe - sejam internos, sejam externos. Ainda a procissão vai no adro.

Mais tarde virão as ideias...

... para já ficam as criticas.

“Como é possível que o Ministro da Administração Interna admita que se organize uma operação policial destinada a passar em directo na televisão, escolhendo o terreno tristemente emblemático de bairros problemáticos, sacrificando a um momento mediático a necessária pacificação e acalmia nas zonas de maior tensão? Para um Governo que diz ter preocupações sociais, não podia ter mostrado maior insensibilidade social. Mais uma vez se viu que o Governo não sabe actuar fora do espaço do espectáculo e do mediatismo, o cenário em que verdadeiramente se move bem.”
MFL, no encerramento da Universidade de Verão do PSD

7 de set. de 2008

Realpolitik

É a palavra do momento e tornou-se mesmo a biblia de José Sócrates. Chávez, Kadhafi ou José Eduardo dos Santos tornaram-se amigos do peito do nosso Primeiro. O gaz natural e o petróleo que estes países exportam é de extrema importância para o nosso país, ainda com uma dependência enertgética enorme, e levam Sócrates a engolir o sapo. Angola representa mais ainda, representa a oportunidade e a salvação de muitas empresas nacionais e mesmo de muitos Portugueses. É a economia a imperar. E portanto, situações como as que estãoa acontecer nas eleições Angolanas são para esquecer, para esconder, ou simplesmente para virar a cara para o lado. Talvez estes números expliquem alguma coisa:

  . PIB: 16% esperados em 2008;
  . Excedente orçamental: 7% (o break even seria o ideal mas lá não há tempo suficiente para gastar o dinheiro...);
  . Balança Comercial: 12% (é o diferencial entre exportações e importações).
 

6 de set. de 2008

Monstros e Cª

Pois é, meus caros comanditados, estou de volta às lides deste miserável espaço de comentário político e afins. Ainda a chegar de férias não tive o tempo suficiente para dedicar à revista de imprensa.
Fiquei apenas fascinado com algumas linhas desta entrevista do camarada Jerónimo ao jornal Expresso, a que darei mais atenção mal possa. Quase que me pus de pé a cantar a Internacional. Pelos vistos, o Nuno Ramos de Almeida também o fez, mas de cocktail na mão, embora diga o rapaz que já não vai lá desde 2003. Ah, pois é! Once he was a commie, but that was a long time ago!

5 de set. de 2008

4 de set. de 2008

Em Espanha pode-se dizer abertamente

"Não parece razoável que com 2,5 milhões de desempregados continuemos a recorrer à contratação na origem"
Celestino Corbacho - ministro do Trabalho e Imigração

Já em Portugal é xénofobo, de extrema-direita e ect e tal...

Não há duas sem três II


Mais um aviãozinho da Spanair a aterrar num local diferente do local de destino. A popularidade deve estar mesmo nos píncaros.

3 de set. de 2008

Não há duas sem três

Afinal não é só Passos Coelho e Aguiar Branco que falam no PSD. Paulo Rangel tambem. Pena ninguem ter notado...

Isto é fraude ou sou eu que sou paranoico?

1. Alguem lança para os jornais que a CGD está a negociar uma fusão entre Zon e Sonaecom;

2. As duas cotadas das telecomunicações avançaram 3,75% e 7,39% (pela mesma ordem da frase anterior);

3. Faria de Oliveira vem desmentir as negociações.

Ninguém investiga?

Depois do sapo, o músculo erógeno



O Centro Báltico de Arte Contemporânea em Gateshead, Inglaterra, tem exposto uma colecção de trabalhos de Terence Koh, onde mostra que Cristo, o Mickey e o ET tinham pila.

Insider trading

Talvez informações confidenciais de Deus - que como se sabe é o mercado e vice-versa - levaram a Igreja Católica espanhola a dissolver a sua maior empresa de investimentos, a Umasges, a sair de bolsa. A sociedade controlava participações no valor de cerca de 10 mil milhões de euros.

2 de set. de 2008

A culpa é sempre dos imigrantes

“Excesso de estrangeiros foi um dos factores que gerou desemprego”
Joaquim Evangelista, Presidente do Sindicato dos Futebolistas

Nexo de Causalidade

Faz sentido usar a expressão nos mercados bolsistas ou depende tudo do comprimento da linha?
Taro Aso é dado como o provavel sucessor de Fukuda à frente do Governo do Japão. Aso é um confesso adepto de "manga" e considera-a um baluarte da cultura ficcional Nipónica.
Vai daí, o índice nikkei abriu hoje completamente louco levando as empresas ligadas à bd a valorizações que chegaram aos 45%. Foi uma abertura "de grande intensidade" e a sanidade mental só foi reposta 30 minutos volvidos. No restante da sessão as empresas entraram em recuo chegando mesmo assim ao fim com ganhos superiores a 13%.

Política à Portuguesa

Só mesmo num partido com tão pouca expressão e tão centrado no líder se pode esconder a demissão de um vice durante tanto tempo.

1 de set. de 2008

Gustav vs OPEP

Dizem os rapazes da metereologia que o Gustav está a perder força ao chegar à costa Norte-Americana. O tipo não tem definitivamente sangue russo e vai daí, acobardou-se. À partida, uma boa notícia para quem tem de abastecer o carro à custa da sua própria carteira. A ameaça deixa de existir e a recente trajectória ascendente do preço do petróleo tende a inverter-se. Mas a história não acaba aqui. Nem sequer o capítulo, que tem no próximo dia 9 mais um episódio chave. A reunião da OPEP. Era esperado um corte na produção para fazer o preço subir novamente. Este corte era praticamente uma certeza há uma semana atrás. Hoje, e com a subida imposta pelo Gustav, a reunião de amanhã é uma verdadeira incógnita. Prevejo um ligeiro corte que terá um impacte reduzido nos mercados mas... pelo sim pelo não, vou abastecer já hoje.

29 de ago. de 2008

Perdoem-me o cepticismo

Durante a semana, foi muito noticiada a nova legislação que proíbe a cobrança de comissões nas renegociações de créditos à habitação (CH) e a exigência de subscrição de produtos para baixar o spread comunmente denominado cross-selling (não deixa de ser curioso facto de Faria de Oliveira ter dito em entrevista há menos de 1 mês que em 2009, a Caixa, o banco do Estado, o reforço do cross-selling era uma das prioridades). Todos aplaudem esta nova legislação e dão o problema como resolvido. Continuo céptico. E por três razões principais.
A primeira prende-se com uma questão puramente legal. O meu conhecimento é aqui diminuto mas na minha interpretação o diploma centra-se no crédito habitação puro. Ora a maioria dos créditos tem associado um crédito complementar (multi-opções, obras, credinvest, etc) o que vai dar liberdade aos bancos de continuarem a manter as condições de renegociação. Isto porque o valor do CH não pode nunca ser alterado e está sempre dependente do ou dos outros financiamentos.
A segunda passa pelo preçário da banca em Portugal. O CH deve ser entendido como um produto âncora de fidelização de cliente e reforço do banco perante o mercado. É um produto que "não dá lucro" directamente - por exemplo, é dito com relativo à vontade que o BCP e o BPI estão neste momento a comprar dinheiro ao Santander a uma taxa de 6% (obviamente não posso confirmar isto); se levarmos em linha de conta que a Euribor está nos 5% (valor aproximado) só os clientes com spreads acima de 1% dão lucro, todos os outros dão prejuízo. O grosso lucro vem em todos os outros serviços/produtos que o cliente subscreve, o chamado mosaico de reforço. Parece portanto óbvio, que já que não podem "obrigar" o cliente a subscrever os produtos vão ter de subir o preço do dinheiro no CH.
A terceira está intimamente ligada com a segunda. Esta legislação aposta na concorrência do mercado para ter efeitos. Mais concorrência, spreads mais baixos. Em teoria funciona. Mas não na prática. Muito menos, entre os dois maiores bancos que combinam entre si todos os seus passos. Ou seja, a cartelização é de tal ordem que vão todos fixar um preço minimo. Veremos se esse preço é inferior ou superior ao agora praticado.
Este post é puramente especulativo e não se baseia em nenhum facto em concreto.

28 de ago. de 2008

Segurança

Assaltos a bancos, assaltos a bombas de gasolina, carrinhas de valores que explodem em plena Auto-Estrada, assaltantes alvejados mortalmente são agora cenas banais do nosso dia-a-dia. O Portugal pacato e tranquilo é já passado. E o pior, ninguém faz nada. Absolutamente nada. O maior partido da oposição pede a demissão do MAI num comunicado onde só critica a postura de Sócrates e nem mais uma palavra – tirando Aguiar Branco que gosta de aparecer. Sócrates nem se dignou responder nem reiterou a confiança em Rui Pereira. Não é necessário. Ninguém ouve o PSD mudo. Mais radical, a esquerda critica as forças da autoridade e ignora a estatística. Entre o lado fracturante e o lado da razão escolhem sempre o fracturante. Ainda assim, sempre foi o garante de meia dúzia de poltronas na Assembleia. Do outro lado da barricada, grita o MMS que num discurso medieval apela a mais prisões preventivas, trabalho para os presos, fim do cúmulo jurídico, entre outras. Já o PP preferiu tentar encurralar o governo. Com o pedido de convocação de uma reunião extraordinária da Comissão Permanente, que a maioria PS inviabilizou, consegue duas coisas: - passa a ideia de poder marcar a agenda política (o PS mostra abertura para debater o assunto com Rui Pereira presente na CP do próximo dia 9) e consegue sacar a Ricardo Rodrigues (vice da bancada socialista) a declaração que a seguir transcrevo: “Não entendemos que a situação que se vive no país seja de tal forma extraordinária que fundamente a convocação extraordinária da Comissão Permanente” que só vem provar a alienação da realidade e receio em discutir o tema por parte do PS.

27 de ago. de 2008

Se calhar, a automotora nem sequer descarrilou...

Inquérito preliminar não encontra causas para o acidente na linha do Tua. (link)

26 de ago. de 2008

A Educação que temos e que "queremos"

O Expresso do passado dia 23 de Agosto noticia o seguinte:

"Luís, 15 anos, já mudou várias vezes de escola e chumbou a oito das nove disciplinas curriculares do 6º ano de escolaridade. Só passou a Educação Física. Apesar deste resultado, passou para o 7º ano e está inscrito noutra escola vizinha. Aconteceu na EB 2,3 Vasco Santana, em Odivelas, e nao é caso único no país. Isto acontece porque o objectivo é dimimuir o número de repetências, aumentar os alunos com escolaridade obrigatória e garantir que jovens como Luís não saiam dos sitema educativo, com 15 anos, sem obterem os instrumentos básicos a ter uma profissão."
adaptei e deu qualquer coisa como isto,

"Luís, 15 anos, é um puto impecavel com queda para a brincadeira, parvoeira e alguma poeira. Já mudou várias vezes de escola e chumbou a oito das nove disciplinas curriculares do 6º ano de escolaridade. É evidente que Só passou a Educação Física. Apesar deste resultado, passou para o 7º ano e está inscrito noutra escola vizinha. - Livra!!! Deixou de ser responsabilidade nossa, confessa aliviado o Presidente do Conselho Executivo da Vasco Santana. Aconteceu na EB 2,3 Vasco Santana, em Odivelas, e nao é caso único no país. Isto acontece porque o objectivo único é dimimuir o número de repetências, aumentar os alunos com escolaridade obrigatória, nem que seja à força, e garantir que jovens como Luís não saiam dos sitema educativo, com 15 anos, sem obterem os instrumentos básicos a ter uma profissão. Mais quais instrumentos, se o puto chumba a tudo?"
Não consigo entender como é que medidas como esta fazem crescer o país. Não consigo mesmo... Mas devo ser eu.

25 de ago. de 2008

Qual Sherlock...

O anonimato é algo dificil de se manter nesta nossa sociedade da informação. Havia por aí um comentador, pensávamos nós comentadora, que pontualmente vinha deixar os seus presentes envenenados. O facto de não se identificar e ser bastante assertivo nos comentários, que o diga o amigo Crosta, desde logo nos aguçou a curiosidade. Investigámos tudo, vimos IP's, inquirimos pessoas, torturámos até, mas nada. Nem rasto nem pistas. Mas estes senhores querem mais, querem sempre mais e mal tenham oportunidade expõem-se. Estava calmamente a ver o telejornal quando me aparece o maquinista da automotora que descarrilou no Tua a apresentar a sua teoria da conspiração (link da notícia). Basta comparar com este comentário e percebemos que a "the girl from yesterday" afinal é um homem e conduz automotoras na CP. Meu caro, envie um dossier completo por mail e o Sociedade promete um post bombástico. Daqueles que fazem descarrilar composições...

23 de ago. de 2008

Da desonestidade política

Vejo em rodapé no Telejornal, e por isso sem saber realmente do que se trata, que o PSD pediu a demissão do ministro Rui Pereira. Suponho que tal "exigência" do maior partido da oposição tenha base na última vaga de assaltos.
Este espasmo do PSD é de uma anormalidade que não se compadece com o sentido de Estado e realismo político que é exigível a um partido como aquele.
Num golpe populista sem qualquer sentido, o PSD esqueceu o verdadeiro problema que desencadeou esta crise social, que tem como nascente a crise económica, e pelo qual é irremediavelmente responsável, ou um dos responsáveis, em bom rigor.
Se há coisas de que a democracia não precisa é destas investidas alarves.

Adenda: Aqui fica o link da notícia.

22 de ago. de 2008

Descarrilamento no Tua

Esperemos que desta vez, a culpa não morra solteira. A incompetência e leviandade neste país ultrapassaram todos os limites.

Uma pergunta

Qual a diferença entre um Estado central, uma Federação e uma região autónoma?

Um post que prova até onde podem ir os anti-atletas deste país

A Cristiane está f

alemã Christiane Felscherinow --protagonista do best-seller da década de 70, "Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída"-- voltou a ganhar destaque na imprensa alemã por, supostamente, ter voltado ao vício, aos 46 anos de idade.

It's stupid economics


- Quanto é que custa?
- Mil euros.
- E o que é que faz?
- Absolutamente nada.
- Tem a certeza?
- Tenho.
- Absoluta?
- Sim.
- Quanto custa?
- Mil euros.
- E tem a certeza que não faz absolutamente nada?
- Tenho.

'I am rich' exibe pedra preciosa vermelha na tela do aparelho.

21 de ago. de 2008

Antes que o rapaz tenha mais um ataque de histeria

Começo pelo fim.
A histeria de um comentário a um comentário meu no post anterior que reza assim: "Ele é o MAIOR e pqp todos os detratores dos nossos atletas. Olhem-se ao espelho e vejam o que já fizeram aqui pelo burgo." (sublinhados meus), revela que yuppie boy é uma pessoa histérica e sem grande equilíbrio mental. Confunde um gosto pessoal com uma competição entre críticos da participação e atitude portuguesa nos jogos. Isto é um sinal evidente de infantilidade, falta de capacidade de interpretação e de discussão de assuntos importantes, que não têm propriamente a ver com os 7 metros, ou 44 segs com que despropositadamente argumenta. Esse despropósito - leia-se bem despropósito - revela-se também noutros temas.
Num dos posts que escreveu nos últimos dias comparava as estratégias económicas dos EUA e da UE. Chamei-lhe à atenção que eram conceitos diferentes. Tentei que percebesse que o âmbito das duas e a sua estruturação é diferente já que um é um Estado soberano e o outro é uma união de Estados soberanos que têm uma economia diferente uns dos outros, embora comum em eixos gerais.
Não quis entender, ou não teve capacidade para isso, e resolveu fazer mais um post histérico a falar de bugalhos quando eu estava a falar de alhos.
Ou este rapaz tem um problema mental grave que o faz ser bronco ou estão é simplesmente ignorante. Se for apenas ignorância não deixa de ser grave a arrogância com que a ostenta, fazendo o papelinho ridículo de trazer uma linguagem que acha que domina para uma discussão ao lado.
Tinha prometido não responder mais às suas provocações infantis. Até porque não tenho gosto em humilhar os ignorantes ou as crianças, mas a forma como achincalha o meu nome é abusiva e mal educada e isso não posso permitir. A histeria desta vez levou-o ao insulto gratuito e animalesco, sem razão alguma. Esperemos que se retracte, o pobre rapaz.

P.S.: acrescento apenas que o euribor, e o trip320, o rts40 e o resto são conceitos que à maior parte das pessoas não interessam. No mundo há coisas ainda mais importantes para perceber antes desses conceitos. Como é apressado quis conhecê-los antes de saber história, filosofia, geografia, etc. Faz dele um pseudo-liberal. Quer ser uma coisa para a qual não tem capacidade intelectual mostrando um certo "novo-riquismo" de conceitos. A prova disso será a forma como vai responder a este post. Vai dirigir-se a uma parte específica do meu texto e nem irá reflectir naquilo que fez, porque para ele isto é uma luta de galos. Coitadinho!

A fortuna ao dia #13

Nélson Évora - Medalha de Ouro no triplo-salto

Espaço de mal-dizer

O gadget do milénio já está a dar raia.

20 de ago. de 2008

a/c Crosta

Para que perceba como é que a fixação da taxa de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE) pode influenciar o dia-a-dia dos Portugueses deixo-lhe aqui este apontamento. Julgo que até já aqui escrevi algo sobre isto mas nunca é demais repetir. Principalmente com cepos como você.
O BCE fixa a taxa de juro para a zona Euro (existem países extra zona Euro que tambem usam esta referência). Este é o preço a que a banca pode comprar o dinheiro. Mas nem toda a banca compra dinheiro directamente ao BCE. A grande maioria do dinheiro transacionado é-o entre Instituições de Crédito (IC's). Obviamente, a um preço mais alto. Essa taxa de juro (preço do dinheiro entre IC's), é fixada por 52 dos maiores bancos da Europa sendo o único banco Português presente a Caixa Geral de Depósitos. Percebeu até aqui? Pois bem, acabei de lhe apresentar a Euribor, a puta da taxa que lixa a paciência aos Portugueses. Está bom de ver que quanto maior fôr a taxa de juro do BCE maior será a Euribor e portanto (na esmagadora maioria dos casos) a prestação a pagar. Se fizer contas ao orçamento mensal das familias facilmente vê que sobra menos. Menos dinheiro disponivel menor consumo. Este menor consumo, normalmente acompanhado de menor investimento, abranda a economia e permite controlar a inflação. Isto no cenário actual Europeu; - para o americano basta fazer o exercicio ao contrário. Capice?
o post vai desformatado para ver se percebe melhor

BCE vs FED ou um pau de dois bicos

As recentes quedas nas bolsas americanas e as declarações de Kenneth Rogoff (antigo economista-chefe do FMI) vêm aumentar ainda mais as dúvidas quanto à recuperação da economia Americana. São claros os sinais de que algo vai mal na economia do Tio Sam. As bolsas caiem, os Write-downs são constantes, fala-se na nacionalização de gigantes do crédito habitação (o subprime ainda a fazer vitimas) e mesmo na falência de grandes instituições de crédito. Resumo, a economia ainda está em recessão e a bonança tarda.


Esta crise americana é correspondida na Europa. No entanto, a metodologia e abordagem na busca da solução são completamente díspares. A Europa, à custa de uma subida gravosa das taxas de juro, quer controlar a inflação, consolidar a economia e criar uma base sólida. Os EUA preferiram fugir para a frente com taxas de juro sedutoras perspectivando investimento e crescimento económico. Para já, só conseguiram uma inflação galopante e tapar buracos que anos de crescimento desenfreado foram cavando.

Os resultados provam que nem uma nem outra estratégias são adequadas. A solução está certamente num ponto entre estes dois limites. Mas de nada valerá encontrá-lo se não se conseguir incutir confiança nas duas economias. Sem falsas expectativas (expressão na moda em Pequim) e sem dramatismos, o discurso terá de ser rigoroso e verdadeiro. A informação é uma parte fulcral do sucesso. É importante que toda a população esteja ciente da realidade para com ela poder lidar.

Institutos e anti-institutos

O Presidente da República vetou politicamente a Lei do Divórcio e devolveu-a à Assembleia da República.
Esperava ansiosamente por esta decisão do Presidente porque me parece um tema fundamental para o futuro da nossa noção de família e casamento.
Muito se tem falado sobre o casamento, nos últimos tempos. Julgo que maior parte das pessoas que o fazem não compreendem bem o instituto, a sua génese, e isso é fulcral para analisar questões como esta que se coloca com o divórcio. A problemática que envolve o novo regime do divórcio tem que ver com a culpa (sentido jurídico) e com a protecção do cônjuge que fica em situação mais precária, ou mais desfavorável, se preferirem.
Na questão da culpa temos que esta se prende com o facto de um dos cônjuges, o culpado, não ter cumprido os deveres matrimoniais que vêm previstos no art. 1779º do Código Civil (se não estou em erro, perdoem-me, mas estou sem legislação onde me encontro). Compreende-se o casamento como uma comunhão plena de vida e não como um simples contrato que pode ser afastado e levianamente incumprido pelas partes. O não cumprimento dos deveres matrimoniais implica uma quebra de expectativas de vida do outro cônjuge, cujo estado civil se alterou com a ideia de perpetuidade, ideia vinda da lei.
Eu iria mais longe na questão da culpa, e tal como o Professor Pereira Coelho, defendo que ninguém pode ser sancionado (sentido jurídico) sem culpa. Mas deixarei isso para outra altura.
Para já, esperemos pela alteração do diploma na Assembleia da República e veremos como tudo isto termina.

A maçonaria está cada vez mais aberta, até já faz publicidade


Ou então não!

19 de ago. de 2008

Eu não percebo nada de desporto, é verdade, mas percebo de outras coisas bem mais importantes

"Entrar neste estádio cheio bloqueou-me um pouco. Acabei a prova fresco, o que é estranho."

""As pernas não responderam ao tiro de partida. Queria baixar dos 21 segundos, mas tem de se aprender com as contrariedades. Eu gosto de aprender. Foi bom ter apanhado aqui este banhozinho, esta tareiazinha e agora ir para casa descansar"

"Não sou muito dada a este tipo de competições"

"Não consigo é lidar muito bem com o facto de nestas provas fazermos só três lançamentos. Em Portugal normalmente há sempre seis."

"Foi por pouco tempo e não deu para nada"

(roubado sem maldade ao Carlos do Carmo Carapinha, no 31 da Armada)

Vai-se a ver...

Noticias como esta, deixam-me sempre intrigado. Não era MFL a salvadora e unificadora do PSD? O que é que terá levado Jardim a mudar tão rapida e radicalmente de ideia?

Chávez em discurso anti-capitalismo

"A terra não é propriedade privada, a terra é propriedade da nação." [Principalmente a que tem petróleo.]

Quantas PUBs destas ficaram na gaveta?


Vanessa és linda!

18 de ago. de 2008

Dedicada ao Carlos Nunes Lopes do 31

Vanessa Fernades - Medalha de Prata no Triatlo

15 de ago. de 2008

Não há duas sem três

Depois do fogo artificio feito entre quatro paredes e da menina que encantou mas não cantou, agora o milagre da multiplicação. Afinal, as 56 crianças de supostamente 56 etnias eram todas da etnia han. Ora aí está a grande diversidade...

14 de ago. de 2008

Sempre a pensar nos leitores

Um estudo estatistico intensivo mostrou que este blog apresentava poucos comentários face aos milhões de visitantes diários que tem. Criámos de imediato uma comissão para investigar o sucedido e agora, passados 2 meses chegam os resultados. Ao que parece, os nossos leitores não gostam das letrinhas de verificação. Aliás, nem nós. Mais, não temos ainda culpados para as letras terem aparecido no nosso blog mas uma outra comissão está já a investigar. Assim, e a partir de hoje, não há letrinhas para ninguem e é comentar à vontade.

Da responsabilidade

O que a mim mais me aflige em toda a história do miúdo que foi morto por dois tiros da policia é a forma precipitada com que todos reagiram. É certo que a perda de uma vida é algo que choca e que a todo o custo tem de ser evitado, tanto neste caso como no de Loures. São vidas humanas e portanto a acção tem de ser pensada e repensada. Isto é bom senso. É portanto lógico que o policia que atirou mortalmente no miúdo não o queria matar. Parece-me irrefutavel. Outro facto irrefutavel é a morte com tiros de um soldado da GNR. Algo correu mal no processo. Investigue-se e culpem-se os culpados. O pai, o cúmplice e/ou o policia. Mas culpem-se após a investigação. Não é responsavel sair por aí a atacar os assaltantes ou a policia. A questão torna-se tão mais ridicula quando vemos a direita a atacar um lado e a esquerda outro. Há dois culpados que me parecem óbvios quer por negligência quer por uso indevido de escudo humano, este último gravissimo. O terceiro culpado sê-lo-á ou não. Até lá, deixem-se trabalhar as instituições competentes e acreditemos que Portugal ainda é um país...

13 de ago. de 2008

Câncio 2.0

Começou o Boom, festival de "música" electrónica, que no fundo é uma boa desculpa para um grupo generoso de seres humanos ir abanar o capacete com a ajuda de uma mãozinha de ácidos, trips, rodas - o que lhe queiram chamar.
O problema é que estas trips causam efeitos drásticos na saúde das pessoas que as consomem. A minha sugestão é dedicarem-se ao jornalismo e apimentarem isso com uma obstinação qualquer pela perfeição do ser humano. Algo nietzschiano, portanto. Sigam o exemplo de Fernanda Câncio e viajem num mundo alucinado.
Ao longo dos tempos Fernanda Câncio têm-nos habituado ao seu narcisismo intelectual excessivo. Ela é que sabe, ela é que pensa, ela é que faz e os outros são todos ignorantes. Mais ou menos como os priores de pequenas paróquias no interior. Para esse efeito usa a ironia que os adolescentes, por norma, usam em relação aos mais velhos. Todos sabemos que os adolescentes têm um génio difícil que tende a superiorizar-se aos outros, especialmente aos mais velhos.
Nos últimos dias tenho prestado atenção ao blogue 5 Dias onde, entre outro batalhão de esquerdistas modernaços, escreve Fernanda, a Câncio.
Estou em crer que a senhora em questão não deixa de ser uma boa jornalista. De facto, não lhe conheço o trabalho jornalístico. Ao que dizem tem bastante qualidade. Como não sou cínico acredito.
Acontece que na opinião que por norma nos brinda, tanto nos jornais como na blogosfera, a senhora excede-se na apreciação de matérias que exigem, no limite, bom senso e pouca obstinação. Assim tem sido com as intervenções policiais da última semana, assim foi com a lei do tabaco e assim é invariavelmente em relação à sexualidade (feminismo, homossexualidade, etc.).
Como poderão constatar neste pedaço de arte, a Câncio consegue comparar o caso do assaltante morto em Campolide com o caso da criança morta ontem em Loures, depois do assalto a uma vacaria. Quando lhe chamam a atenção para o non sense da comparação, a senhora atrapalha-se, emenda, acrescenta uma adenda. Uma trapalhada. Tudo para manter a sua posição autista que a polícia usa irregularmente as armas que carrega, que é incompetente e que as instituições não servem para nada.
Fernanda Câncio acredita nisso como os junkies do Boom acreditam na beleza da alucinação que vão ter depois de uma Hoffman 2000, sem ter em conta aquilo a que alguns ainda temem que seja a realidade.
Não estou aqui para fazer juízos de valor, é certo. Mas Fernanda Câncio tem um problema com o seu ego e com a obstinação com que defende ideias que estão única e exclusivamente na sua cabeça. Uma legião de fãs segue-a, como acontece vulgarmente com os arrebitados que parecem comandar um pelotão de tontos. Mas não é isso que move a Câncio. O que a move é o seu ego, crescido sem razão.
Há pessoas que são altruístas, filantropos, que nesta condição nascem, que assim são educados, que não se esforçam para o ser. Nada nessas pessoas é forçado porque nada querem provar ao mundo. Em Fernanda Câncio tudo parece forçado porque tudo é excessivo, até o seu próprio escudo - a ironia. Forçar uma condição torna-se, então, evidente e o excesso revela que nada há ali de bom senso ou altruísmo, que tudo não passa de egocentrismo primário e suburbano, de certo modo. Há uma tentativa de provar que se é humanista, que se é saudável, que se é mil coisas mas sem qualquer naturalidade. Essa obsessão não é saudável porque não compreende a subjectividade do mundo, encara-o como um bloco (vimos isto nos Estados Totalitários e nos regimes ditatoriais, por exemplo) em que todos têm de ter comportamentos iguais, obrigatoriamente; o predomínio total do bem comum sobre a individualidade. Ora, nem eu que sou reaccionário acredito nisso.
A obstinação é, pois então, muito semelhante à dos junkies que enchem o corpo de químicos alucinogénios com a ideia de se divertirem ao som do boom boom boom festival, pela repetição e pela falta de naturalidade.
Com estas características Fernanda Câncio acaba por dar opiniões disparatadas e entrar em campeonatos onde não joga. Não tem a humildade de se retirar, de nem sequer avançar. Convence-se que tudo sabe. Confunde opinião com conhecimento. É excessivamente arrogante. É uma pena porque - ao que dizem, eu não sei - é uma boa jornalista. Só a conheço por aquilo que não é a sua especialidade.

12 de ago. de 2008

Os velhos do restelo ou seja lá de onde é o Sr

Mesmo de férias, há quem me consiga irritar. Felizmente, muito menos que aqueles que eu irrito. Carlos Nunes Lopes, do 31 é um deles. Sua sumidade não consegue perceber que Portugal é à escala mundial um país pequeno, com poucos habitantes, com um apoio deficitário aos seus atletas, etc. Basta dizer que já os nossos atletas estavam em Pequim e ainda andava o Ministro a discutir o seu enquadramento na Segurança Social. Mas não, Carlos Nunes Lopes esquece tudo isso e vai daí, começa a pedir medalhas. Faz melhor e vai mais longe, dedica posts às derrotas lusas. Otário...

11 de ago. de 2008

De quantas verdades se faz uma mentira?

Há algum tempo atrás um blogue, de seu nome Barnabé, acabou por causa de um libertário com fortes tendências para ditador. Esse ditadorzeco chama-se Daniel Oliveira e é hoje conhecido por aquilo a que alguns chamam "opiniões". Por vezes na televisão podemos vê-lo a falar de democracia e das maravilhas da divergência. Depois surpreendemo-nos quando o rapaz estrebucha por haver opiniões contrárias. Porque uma coisa é gostar da divergência e outra coisa é não aceitar ideia diferente.
Hoje, mal acordei e fazendo uma revista pela blogosfera, deparo-me com este panorama no 5 Dias. Um dos colaboradores parece não ter uma opinião coincidente com o resto da tropa. O que para muitos seria um sinal de diversidade e, como tal, uma prova de que o 5 Dias se desmarcava a passos largos dessa esquerda de pensamento totalitário; para outros é um desvio daquilo que é o próprio blogue, ou seja, do pensamento único que deve regrar todos os colaboradores.
Afoito, o carniceiro foi logo escrever um texto sobre esse opinador que estava a destruir os pilares da esquerda moderna - qual libertário institucionalizado - na tentativa de atingir todo o 5 Dias, tal como tinha feito no seu Barnabé (e aquele não lhe pertence). Já estamos a ver o grande defensor da diversidade nervoso e irritado como uma criança de 7 anos.
Agora é esperar para ver. Certamente que muitos dos colaboradores do 5 Dias não têm esta mentalidade do Daniel. Mas ao ver as reacções de Luis Rainha e Fernanda Câncio sabemos já que existe algum mau estar.
Era uma pena que um blogue de gente tão nova e com vontades tão democráticas se extinguisse por divergência de opinião. Mas quem lhes conhece a história já estaria, de certo modo, à espera.

10 de ago. de 2008

Pequim 2008

Estes serão os jogos do extremo. Da organização, da opolência, da imensidão, dos inúmeros (espera-se) records. Mas também, da fome, da pobreza, das constantes violações de direitos humanos, da Poluição. Talvez só isso tenha permitido tal realização. Quero pensar que não. Quero pensar que 1 300 milhões de Euros gastos em edificios não fazem falta. Que podemos ter Herzog & de Meuron por todo o lado.


9 de ago. de 2008

A Caixa que temos...

Só hoje tive oportunidade de ler a entrevista de Faria de Oliveira, cedida, ou pedida, ao Diário Económico. A entrevista seria à partida, uma clara resposta às declarações de António Borges também ao DE. Esta é uma entrevista completamente encenada. Tudo foi pensado e dito ao pormenor. Só numa resposta podemos ver mais de 20 valores e índices. Era sua missão defender-se do ataque de Borges e provar a relevância económica e sobretudo social da Caixa Geral de Depósitos. Refere os papeis importantes que a Caixa desempenha no desenvolvimento económico, no reforço da competitividade das empresas, na estabilidade do sistema financeiro nacional entre outros. Isto tudo na primeira resposta/parágrafo.
A partir do segunda/o, Faria de Oliveira retira a pele de cordeirinho e mostra as garras. Aparecem logo expressões como “reforçar o cross-selling”, afirmações do tipo “tornando a CGD o banco principal das melhores empresas” ou [almejamos] ”um resultado de 825 milhões de euros”. Fala ainda na aquisição de um banco de pequena/média dimensão em Espanha e na possível alienação de Zon e BCP. Tudo isto estaria bem se Faria de Oliveira não fosse precisamente o Presidente da Caixa Geral de Depósitos, o banco público de Portugal. Isto é discurso da banca privada que visa o sucesso empresarial e o lucro. Não podem ser objectivos e muito menos “guidelines” de um banco público. Sou forçado a concordar com António Borges. Se a Caixa não tem uma preocupação social e não é o garante das empresas e famílias de Portugal, então não existe razão para ter como único accionista o Estado Português. Privatize-se… ou repense-se.

8 de ago. de 2008

O tiro como modalidade olímpica

Por causa deste dia cheio de notícias interessantes, como os Jogos Olímpicos e o assalto à dependência sem dinheiro em Lisboa, não prestei atenção às notícias do dia. Agora mesmo, ao passar pela edição online do Público, deparo-me com esta notícia.
Ou perdemos o sentido de prioridades ou então estamos todos a dormir. Apenas na Questão dos Universais - blogue que visito com alguma regularidade - vi uma referência, dir-se-ia indignação, pela falta de atenção que este tema merece, relativamente aos outros dois.
Mesmo sem tomar partido consigo ver aqui um problema grave, actual e com necessidade de ser resolvido com urgência. O oportunismo desta "situação" é muito curioso.

Conveniência

Se há coisa que caracterize a esquerda, antiga ou moderna, mal ou bem pensante, é a conveniência da peixeirada que costumam armar. Ao longo do ano têm sido muitas. Desta vez, com a história do Presidente da República restringir o espaço aéreo à volta de sua casa, a coisa não lhes calhou bem.
Sem temas fracturantes (palavra que odeiam visceralmente por os fazer passar por patetas) refugiam-se no que vai aparecendo e esta história é um big nothing.
Entretanto o encontro de jovens bloquistas demonstra o quão diferentes são dos outros, como faz ver, e bem, FJV no post anterior.

A magia da imprudência

O Acampamento de
Jovens do Bloco de Esquerda começou ontem em São Gião, na Serra da Estrela, mas
só hoje se iniciam os ‘workshops’, debates e animação restante. Das 17 às 19 há
dois ‘workshops’ – um subordinado ao tema ‘Stencil/Subvertize’ e um outro com a
designação de ‘Brinquedos Sexuais’ (amanhã é ‘Massagens’). Longe da pátria real,
festejo a escolha e assinalo o horário, muito relaxante, quase crepuscular,
diante do horizonte das montanhas, convidando à lassidão ou à contemplação. A
rapaziada sabe o que é bom. Se há quem critique os programas da ‘jotas’ por
tratarem de instrumentalizar e banalizar o pessoal que um dia gostaria de ser
director-geral ou amanuense de nível superior, pois aqui está um exemplo de
labor político original. Oxalá não se magoem. Nunca se sabe.

Francisco José Viegas

7 de ago. de 2008

O aviso está dado

Trichet hoje na Conferência de imprensa do BCE:
[O controlo da inflação]"é a nossa missão prioritária"
Que é como quem diz, este mês fui bonzinho mas no próximo há nova subida das taxas.

A honra devolvida

O Esgravatar foi um blog que descobri por estes dias, com o despoletar da situação n'"O Primeiro de Janeiro". Hoje notei que o post que publiquei sobre o empresário Eduardo Costa está lá colocado. Julgo que falo por todos ao expressar a honra na citação e mostrar aqui a nossa solidariedade. Permita caro Filinto, que lhe devolva a honra e deixe aqui o link para o seu blog, onde poderão acompanhar e compreender melhor a vergonha que são alguns empresários e a protecção incompreensivel de que gozam.

Começam já amanhã

Porto e Gaia vestiram-se ontem de um cerradissimo nevoeiro para homenagear e se solidarizarem com a cidade anfitriã dos Jogos Olimpicos. É de louvar e enaltecer o esforço. Afinal, estamos em Agosto...

Brassard na equipa técnica da Selecção Nacional

o mesmo é dizer que Vitor Baia vai continuar arredado da baliza da equipa das quinas. Parece-me evidente.

6 de ago. de 2008

Golpe de Estado na Mauritânia

A pergunta que se impõe é só uma: Vai voltar o Dakar?

E agora? Compra-se o quê?

O mercado do petróleo está em bear market. Tradução, está em crise. Crise continuada. Está já 20% abaixo do valor máximo de 147,50€ para o caso do Brent atingido há cerca de duas semanas. A desvalorização do dólar, o aumento das reservas Norte-Americanas e fundamentalmente a baixa da procura consequencia do abrandamento económico levam à queda desta matéria-prima. Até aqui, nada de grave, a gasolina até sai mais barata. Mas há um senão. Um senão grave. Os mercados de bens mobiliários (Bolsas) estão tambem em crise e extremamente voláteis e portanto não são escapatória para os menins da bolsa. Que raio de produto vão eles agora comprar desalmadamente para nos lixar a vida? Pelo sim pelo não, é comprar uns quilinhos de arroz e outros mantimentos.

Do Lionismo

Eduardo Costa, o "empresário modelo" detentor da marca "O Primeiro de Janeiro" é Lion. Desconhece no entanto, os objectivos e código de ética deste clube.
"Lembrar que na construção de meu negócio não se faz necessário derrubar outro; ser leal a meus clientes e verdadeiro comigo mesmo."
Pessoas como Eduardo Costa não são bem vindas e sujam o bom nome da instituição. Infelizmente, este tipo de oportunistas ocupa a nossa sociedade civil de forma transversal. Será que não se arranja aí um punhado de 605 forte?

5 de ago. de 2008

Um singelo regresso

Depois de uma pausa por motivos profissionais e uma semana de repouso, decido regressar à blogosfera que é um meio que muito me atrai. Da esquerda à direita tenho-me apercebido de um certo desnorte. Pouco há a falar nos últimos tempos. A intermission de Cavaco causou escândalo, Maddie volta com o Verão, e umas centenas de mortos pelo mundo preenchem o vazio. É tudo o que temos. O Benfica ganha um jogo. O Primeiro de Janeiro fechou.
Volto com a missão ingrata de ser um conservador num país decrépito, histérico e com défices humanos graves. Deparo-me com um cabeçalho onde alguém colocou um rabisco de um burguês católico armado em rebelde. E assim vai o mundo.

Coitadinhos...

Alan Greenspan escreve que a banca vai precisar da ajuda do Estado para conseguir ultrapassar esta crise. Parece-me justo. A banca tem estado sempre ao lado do Estado, pagando as suas contribuições e ajudando no fomento da economia. António Costa que o diga.

4 de ago. de 2008

Contra factos...

Um mês após a última subida de juros do BCE é tempo de fazer o balanço de tal medida. Trichet propunha-se controlar a inflação e criar assim a base de suporte à recuperação da economia Europeia. Numa análise rápida, vemos logo que a subida dos juros não trouxe os efeitos esperados. A inflação subiu num mês 0,6% estando agora nos 3,4%. Esta subida torna-se ainda mais grave quando sabemos que o petróleo, apesar da subida dos últimos dias, baixou bastante a sua cotação. O preço dos combustíveis é mesmo a única boa notícia do mês com uma baixa superior a 5 cêntimos/litro. Mas o efeito Trichet não se viu só na inflação. As casas estão mais caras também. O aumento dos juros BCE e o consequente clima de instabilidade e desconfiança económica faz com que a Euribor a 3 meses esteja no valor mais alto dos últimos 8 anos. É preciso recuar até 2000 para encontrar valor igual.

Esta análise pode pecar por ser precoce e portanto, um mês não ser tempo suficiente para ver a progressão e o sucesso ou insucesso do aumento dos juros do BCE. Nós continuaremos atentos e cá estaremos para aplaudir ou criticar o Sr...

1 de ago. de 2008

Casualidade Estatistica???

"Confirma-se, pois, que o Tribunal Constitucional, no período de 1983-2007,
esteve politizado (na minha perspectiva desejável) e partidarizado (isso sim,
deplorável), e que esse padrão não foi alterado com a reforma de 1997."

Pedro e o Lobo

Da próxima vez que o menino de Boliqueime vier fazer uma comunicação ao país, corre o risco de não ter ninguem a ouvi-lo.

EU? Ouvir quem?

Cavaco, o homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas ficou chateado com os entraves que lhe querem colocar para dissolver o Governo e Assembleia Regionais. Vai daí, lança um imenso tabu no país e convoca uma comunicação ao país de interesse, no minimo, duvidoso. Ou já estava farto de férias, ou está senil.